Lisboa foi a última paragem da digressão europeia dos The Script. Os irlandeses homenagearam as suas origens, expressaram as suas convicções e não conseguiram conter os rasgados elogios ao público português.

Antes da chegada do trio – quinteto ao vivo -, Ella Eyre foi responsável por aquecer o palco da Altice Arena esta sexta-feira. “Lisboa, é tão bom estar aqui. Espero que se divirtam tanto connosco como se vão divertir com os The Script”. Foi assim a primeira intervenção da jovem inglesa, já depois de “Good Times”.

“Cantem, dancem, divirtam-se”.

Sempre animada, a versátil cantora de R&B, pediu que a acompanhassem mesmo não sabendo a letra das suas músicas. “Inventem-nas. Ninguém irá julgar-vos“.

Passando por singles como “Together” ou “LOV(E)”, o concerto que arrancara morno, começava a aquecer. Os vários jogos com o público e a dança contagiante começavam a conquistar a sala.

Ainda que as primeiras filas não pudessem testemunhar, um rodopio na régie fazia adivinhar que algo estava a ser planeado. Assim, chegámos a “Ego”, canção que a britânica divide com Ty Dolla $ign. Foi durante o mais recente single que a equipa de estrada dos irlandeses invadiu o palco para coreografar a canção e ensinar ao público os gestos que faziam compor o refrão.

“Para quem não percebeu o que acabou de se passar, a equipa dos The Script acabou de invadir o palco para dançar para vocês. Uma salva de palmas para eles”.

Entre risos e aplausos, a equipa correu de volta aos seus lugares e o concerto prosseguiu. “We Don’t Have To Take Our Clothes Off”, mais calma, teve direito a telemóveis acesos por toda a arena e uma confissão: “era o mais belo que já havia testemunhado”.

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Após “Waiting All Night”, chegou-nos a penúltima canção: um novo single cujo videoclip, como fez questão de partilhar, foi gravado em Lisboa. Foi com “Came Here For Love”, que a jovem se despediu e agradeceu.

Um compasso de espera, mais longo que o previsto, e as luzes apagaram-se. No palco, tudo escuro, das colunas testemunhos sobre o que é a liberdade. Não podíamos esperar outra coisa de uma banda reinventada que mantém a sua veia ativista.

Como é cedo que se começa, a entrada foi ao som de “Superheroes”. Punhos no ar, e pedidos para que a Altice Arena cantasse com Danny. A “We Rock The World”, do álbum que batiza a digressão (“Freedom Child”), e seguiu-se “Paint The Town Green”, luzes verdes e muitos saltos.

Danny olha para o público, visivelmente emocionado e incrédulo: “Ainda só cantámos três canções e parece o final de um concerto. Cada vez que planeámos uma digressão mundial, falamos de Lisboa e dizemos: ‘Mal podemos esperar por aquela noite'”. Foi assim que o vocalista irlandês falou da cidade de Lisboa. A dedicatória de amor ao público português continua.

“Há uma loucura em vocês, cada vez que voltamos… Eu gostava de recriar o momento que tivemos aqui, há quê?, dois anos?”.

É a solo, só com a guitarra, que a voz de Danny ataca o início de “The Man Who Can’t Be Moved”, com uma Altice Arena a acompanhá-lo a plenos pulmões num momento arrepiantes. «Wow». Depois de várias vénias, é no final do single que catapultou os irlandeses para a fama, que O’Donoghue confessa que era aquela abertura de que ele se lembrava e agradece à audiência.

“Wonders” começa e acaba com o vocalista ao piano e, em novo interlúdio, é a vez de Mark Sheehan pegar no microfone.

“Lisboa, encontramo-nos outra vez. Esta é a última noite da nossa digressão europeia“, aplausos e um barulho ensurdecedor engolem a afirmação do músico. “Aplausos? Vocês deviam estar a apupar”, interrompe Danny. Sheehan retomou a sua linha de pensamento com uma afirmação forte: “É a nossa última paragem porque guardamos o melhor para o fim”.

Novo barulho ensurdecedor. “E aqui está o porquê. Vocês são fantásticos e tão bons. Nós somos tão bons quanto vocês nos fazem”. Assim arranca “Arms Open” e “Nothing”, que Danny dedicou a todos os que já ligaram bêbedos a amores perdidos.

Para “No Man Is An Island” ficava reservado um dos pontos altos da noite. Depois de pedir ao público que juntasse os braços às pessoas mais próximas e andasse oito passos nas direções indicadas pela banda, surgiu um barco insuflável que o vocalista atirou ao público.

“Vamos ver se vocês aguentam o barco porque eu vou lá dentro e quero atravessar o público”.

O barco, ainda vazio, começa a afastar-se. “Devolvam-me o barco”, pede, entre risos. É no barco que “No Man is An Island” prossegue com Danny a navegar sobre os braços ao alto da audiência. “Estou a sentir o cheiro de erva. Quem está a fumar?”. Pede para descer, mas o público não lhe faz a vontade. Força a queda e vem a correr entre o público partilhando a canção com o carinho que despende com quem se cruza.

Chegamos a “If You Could See Me Now” e a “For The First Time”, que prossegue com o piano, mesmo quando a banda desaparece.

É no primeiro balcão, que o trio surge. Com um teclado já montado, no meio do público, Mark, Glenn e Danny tentam inovar e tornar o concerto mais intimista.

“Isto remete às nossas origens. Éramos apenas nós os três, sentados, a compor”. É assim que arranca a versão acústica de “If You Ever Come Back”, que faz soltar lágrimas aos mais sensíveis.

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“E se têm algum namorado, namorada, mulher, marido, noivo, noiva, uma pessoa especial que esperam que seja algo mais; esta é a musica para se aproximarem um pouco mais deles”. “Never Seen Anything (Quite Like You)”, é a música que arranca com o vocalista a incluir Lisboa nas estrofes da balada.

“The Energy Never Dies”, marca o regresso da banda ao palco. Contudo, Danny continua no balcão. Na verdade, ele saiu com os seus colegas, mas reapareceu noutra zona do balcão. Por entre o público, parando para uma selfie ou outra, foi cantando e emprestando o microfone.

“Antes de subirmos ao palco, tivemos aqui a talentosa Ella, que passou uns meses connosco. Um forte aplauso para ela e para a sua equipa”. Foi assim que Glenn matou o tempo enquanto esperava que Danny regressasse ao palco.

Com “Rain”, chega-nos outro dos pontos altos da noite. Por toda a arena, e por iniciativa própria, dezenas de chapéus de chuva, do público e até da equipa de estrada, são erguidos sobre as cabeças, para coreografar um dos mais recentes singles dos irlandeses.

“Não podemos agradecer-vos o suficiente. Somos os The Script, diretamente de Dublin, Irlanda”.

Saem de palco e é com o “ohohohohohoh” característico de Rain que o público enche o espaço, ansiando o regresso do trio ao palco.

Já no encore, “No Good in Goodbye” e “Breakeven” são os singles escolhidos antes de novo interlúdio: “Após três músicas, eu já sabia que esta noite ia ser especial. Obrigado. Agora, peço-vos uma coisa: liguem o Instagram, o Facebook, o Twitter ou qualquer outra rede social que usem para comunicar com o mundo lá fora. E façam um direto. Se não têm redes sociais, acendam as luzes dos vossos telemóveis. Numa altura em que a liberdade está sob ataque, é hora, mais do que nunca, de espalhar tolerância, amor e boa energia. Todos são livres para ser aquilo que quiserem, para acreditar naquilo que quiserem, para amarem quem quiserem… A música aceita-te independentemente do teu aspeto; é o cobertor que te aquece; é o telhado sob o qual todos podemos estar. A música é uma religião e é por ela que estamos aqui”.

Ouve-se a introdução de “Hall of Fame”, o single que encerra o último concerto da digressão para depois Danny fazer das suas. Ele mergulha na plateia para aparecer com uma bandeira irlandesa cosida a uma portuguesa. Ergue-a no ar, com os seus colegas, pede aplausos à incansável equipa que tornou o espetáculo, e todos os anteriores, possível e voltou a agradecer todo o calor humano do público português.

“Somos apenas tão bons quanto vocês nos fazem ser”, afirma, reforçando as palavras de Mark. “Não se esqueçam disso. Estamos aqui pela música e estamos nisto para a vida”.


Texto: Raquel Cordeiro
Fotografias: Ana Rita Santos

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