Os norte-americanos The Killers regressaram Portugal, cinco anos depois de terem pisado pela última vez palcos lusos. Num palco maior e com um público incansável, Brandon, Ronnie e companhia condensaram em cerca de hora e meia, os já quinze anos de carreira.

«Olá, malta», disse Brandon Flowers, em português. «Somos os The Killers e chegamos até vocês vindos da fabulosa cidade de Las Vegas, Nevada»

Quem assiste a um concerto desta banda precisa de levar isso em consideração: são de Las Vegas, Nevada e são orgulhosos disso (o quarto álbum de originais, “Battle Born” é uma homenagem ao estado norte americano). Carregam consigo toda a teatralidade e entrega de uma banda de casino e têm o poder de transformar o maior palco numa pequena sala. Na passada sexta feira, o parque da Bela Vista não foi excepção.
A banda entrou com um dos singles, retirados do mais recente álbum, intitulado “The Man”.
Flowers trazia um fato com detalhes dourados, camisa branca e um sorriso que parecia colado à sua face. Com passos de dança e três potentes vozes femininas no coro, os movimentos pélvicos do bem parecido vocalista traziam diferentes reações aos festivaleiros.
E se os mais leigos não conheciam o single de “Wonderful, Wonderful”, já “Somebody Told Me” foi aposta ganha para continuar a festa. Luzes cessam, a multidão eleva as vozes.

«Vamos acelerar um pouco», alguns acordes, «que tal um pouco de Spaceman?». O single de 2008 fez o público levantar voo e foi a este que Brandon entregou a ponte final.
“The Way It Was”, chegou-nos depois de um curto solo de Ronnie e de uma contagem decrescente. «Podem cantar comigo?», pergunta sem parar de sorrir iniciando um longo jogo de vozes entre o ele próprio e o público.
A “Shot At The Night” seguiu-se “Run For Cover” e a esta um regresso ao primeiro álbum da banda mais concretamente a “Smile Like You Mean It”.
«Não sei se toda a gente percebeu», diz repetindo as teclas de piano que anteviam o sucesso da banda.

“For Reasons Unknown” and “A Dustland Fairytale” encabeçavam a visita até 2008, ao álbum “Day & Age”, mas um dos picos altos do concerto aproximava-se: “Runaways”. Sem qualquer aviso, sem introdução, sem solo, começou de repente fazendo o público bater palmas ritmadas e gritando que conheciam a música quando Brandon perguntou se a sabiam. Uma música animada mas com uma conotação sombria, que percorre todo o álbum “Battle Born”, lançado depois de Brandon perder a mãe para um cancro e o saxofonista da banda se ter suicidado.

Ainda entoando um “we can’t wait ‘til tomorrow”, ouvimos já as primeiras notas de “Read My Mind”.
“All These Things That I’ve Done” e “When You Were Young” são responsáveis por preceder “Human”, um dos mais badalados sucessos dos norte americanos que o público entoa orgulhosamente.

O concerto chegava ao fim não sem antes revisitarmos uma das jóias da coroa: “Mr. Brightside”, o single responsável por catapultar Brandon e companhia para os tops mundiais. Por toda a Bela Vista, o público aventura-se lado a lado com o vocalista nas subidas vocais e nos versos corridos da acelerada canção.
Fazendo vénias para a banda e agradecendo a todos por terem visitado o Rock in Rio, Brandon encerra o concerto reforçando o nome da banda e a sua origem: Las Vegas.

A banda fica em palco mais uns segundos e depois de todos abandonarem as suas posições, Ronnie, como já nos tem habituado (fizera-o com uma garrafa de cerveja no Super Bock Super Rock em 2013, por exemplo) regressa ao palco com uma mão cheia de baquetas.
«Obrigado por virem. Estamos muito gratos por estar aqui. Para provar a minha gratidão, eu tenho um bouquet de madeira», risos. «Digam a todos os vossos amigos», acrescenta depois de arremessar as mesmas para o público.

Um sinal luminoso surge no ecrã aconselhando todos a conduzirem com precaução e sabemos que apenas nos resta esperar por The Chemical Brothers.

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