Os The Gift regressaram ao Porto num concerto que serviu como prova de que o talento não se perde com os anos. Aliás, ele está bem vivo e quem o diz é o novo álbum da banda, apresentado ontem numa das salas mais emblemáticas da cidade.

De Alcobaça até ao Coliseu do Porto, os  The Gift  fizeram as malas e regressaram ao norte. Se há uns anos conseguíamos contar pelos dedos de uma mão, hoje precisamos das duas para nos apercebermos que já vão no sétimo álbum. “Altar”, o mais recente projeto foi apresentado esta sexta-feira.

Sobre luzes vermelhas, num ambiente um pouco melancólico e quase celestial, Sónia Tavares sobe ao palco com “I Love All ”.  Nem há cinco minutos estavam em palco quando os braços se começaram a cruzar no alto com “Big Fish”. Levou a que o ritmo que se fazia sentir em palco depressa passasse para a plateia. A loucura começava a instalar-se. Seguiu-se “Malifest”.

The Gift

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O novo álbum da banda de eletro pop, lançado em abril de 2017 e produzido por Brian Eno, funciona como uma metáfora de cor e “um elogio à vida”, comentou Nuno Gonçalves. E, embora com as músicas de “Altar” tenham conseguido chegar a “mais pessoas”, o compositor não esquece que  “não há amor como o primeiro [público]”.

Num concerto de quase duas horas, recuou-se também no tempo com “Wake Up” e “Music”, temas que pertencem ao álbum “AM-FM” (2004). “OK” levou o público até ao século passado, retirado do álbum “Vinyl” (1998).

‘”Altar” funciona como uma metáfora de cor e um elogio à vida’

A banda independente, mesmo após  24 anos de carreira, continua a mostrar que  não precisa de editora ou agente. Temas como “Primavera”, “RGB” ou “Meaning of Life” mostram que o grupo português sabe bem o que faz. Nem o público se atreve a contradizer tal verdade.

A história da banda não é só feita de canções “mas também de noites como estas”, confessou o pianista. Durante o concerto demonstraram a alegria que é “tocar em salas de sonho” como a do Coliseu. A vocalista não guardou para si o prazer que sente ao voltar a atuar naquele “palco magnífico”. Agradeceu mais que uma vez ao público por “fazerem uma plateia e um sala tão nobre”.

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Sejam bem vindos ao nosso pequeno grande altar”, foi a deixa usada por Sónia quando chegou o momento de tocarem “Lost”. Fizeram-se ainda ouvir “Vitral”, “You Will Be Queen” e “Clinic Hope”, que é já por muitos considerado o melhor trabalho da banda.

Se alguma vez tivessem concorrido com uma música ao Festival da Canção, têm  a certeza que com “Clássico” tinham ganhado. Se o público já desconfiava de tal feito, Sónia Tavares deixou bem explícito ao encerrar a noite que não exista certeza tão certa quanto esta.

O tema “Fácil” foi guardado para o final. Foi cantado alternadamente com a plateia, que não deixou a vocalista mal em nenhum dos refrães. Em pleno dia de chuva, a festa chegou ao fim com “Question”. Este tema foi capaz de tornar aquela sala numa enorme pista de dança.


Texto: Rita Pereira
Fotografias: Bruno Ferreira

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