Num concerto de quase duas horas, Tatanka regressou a solo à Casa da Música. A cidade do Porto abraçou a onda de soul trazida pelo cantor.

Ainda não tinha Tatanka pisado o palco da sala Suggia, quando soaram os primeiros acordes melancólicos, entoados pela guitarra, que introduziam ‘Será’. Depois de cumprimentar o “people” do Porto que, segundo o músico, “sempre me tratou bem”, seguiu-se ‘Promessa’.

Em dia de chuva, foram vários os atrasos e, se no início a sala parecia estar sem compostura, ia já o concerto a meio quando ganhou uma nova forma.

“Preencham esses lugares vazios que não consigo lidar com eles”, comentou então o cantor, sempre no seu tom de brincadeira.

© Bruno Ferreira
Fotografia © Bruno Ferreira
Veja a galeria completa aqui.

Lado a lado com a plateia, Tatanka cantou ‘Alfaiate’. Numa tentativa de romper com os decibéis toleráveis pelo ouvido humano, foi por pouco que a Baixa não se uniu a este coro. E, se por um lado o ambiente já estava emotivo, elevou-se a um outro nível ao terminar o tema com “fui noutra vida um pedaço de vocês”.

O concerto revelou-se numa noite marcada por surpresas, a começar pelos convidados que se juntaram em palco. Foi Marrokos, ou melhor, David Pessoa (isto porque os tempos de reggae já lá vão). Ele foi o primeiro a juntar-se a Tatanka. Os dois cantaram ‘Homens Assim’, levando então a plateia a acreditar que, vestir uma camisa com padrão, servia de critério para subir ao palco. Cantaram ainda “o fadinho das montanhas altas das Astúrias”, estando Tatanka a referir-se a ‘Darkest Hour’.

Com uma plateia fácil de se conquistar, a atmosfera de cumplicidade manteve-se em palco. Desta vez com Diego El Gavi, que trouxe a força do flamengo com ‘Keep On Walking’.

© Bruno Ferreira
Fotografia © Bruno Ferreira
Veja a galeria completa aqui.

Tatanka apresentou então ao Porto um tema que acabara de escrever ainda há uns dias: ‘Cicatriz’. Uma canção que fala sobre a história do cantor e do seu crescimento. Fala de “quando cheguei a Lisboa e ela me fez homem”. Embora viva a 20 km da capital “parece que existe uma bolha qualquer” entre as duas cidades, comentou o músico.

Foi com Luísa Sobral, que Tatanka cantou ‘Estrela’, música que escreveu para a sua filha mais velha. Se o bom humor do cantor põe uma plateia a rir, lado a lado com a sua “grande amiga”, depressa se observou uma plateia em lágrimas.

Sem querer então dar tréguas o dilúvio que se criara lá fora, o concerto começava a aproximar-se do fim. ‘Cantigas De Amor’ e ‘Alma Despida’, temas acarinhados pelos público, contaram com a ajuda d’Os Azeitonas. Mais uma vez, trouxeram então ao de cima um clima de boa disposição.

Sozinho em palco, a noite termina então com ‘Império Dos Porcos’. Com os convidados todos em palco, a cidade do Porto despediu-se da festa criada.


Texto: Rita Pereira

Fotografias: Bruno Ferreira

Comentários