A sala mais intimista da Casa da Música, recebeu na passada quinta Tatanka num concerto acústico, capaz de tornar a noite fria numa atmosfera para lá de quente.

Ainda não eram 22h, quando a sala 2, da Casa da Música, se encheu. O frio ficou à porta a partir do momento que se fizeram ouvir os primeiros acordes do violino e do violoncelo, que de imediato aqueceram o ambiente da sala. Num jogo de luzes, também elas quentes, Tatanka sobe ao palco com “Será”.

Acompanhado sempre pela guitarra, ora elétrica ora acústica, a conhecida voz dos Black Mamba, acabou rapidamente com a ansiedade do público ao tocar “Alfaiate”, um dos temas mais recentes deste projeto a solo do cantor. Seguiu-se “(MATAR)” e “At Night”.

Ao tocar numa das salas mais emblemáticas da cidade, ao longo de duas horas de concerto, foram vários os momentos em que Pedro Taborda, ou melhor, Tatanka, demonstrou o carinho que tem pelo público do norte e, mesmo assim, para os “queridos” mais duvidosos deixou claro que era “uma maravilha voltar a ver-vos, Porto”.

Num ambiente acústico e acolhedor, ao longe via-se somente um rapaz de chapéu com uma guitarra nos braços e, com a perna esquerda cruzada sobre a direita, começou a fazer-se ouvir “Uma canção de mim mesmo”. Embalados numa sonoridade meiga, de uma plateia surgiu um coro que, com a ajuda de Pombinho (o pianista), cantou intercaladamente com o músico.

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Com a família de sangue entre o público e, sem esquecer que é ela o grande “alicerce na construção da minha casa”, cantou “Estrelas” para a sua mulher e filha que, embora não estivessem, aumentaram o ambiente estrelado da noite.

Não querendo esquecer a segunda família, referindo-se à “família de casa” que estava no palco, lado a lado com Tatanka, Salsa de acordeão apoiado nas pernas e com o seu “sotaque de alfama”, os dois amigos cantaram “Tango Vive” deixando as “damas” da sala com calor pelo meio daquele “universo meio argentino” que se acabara de formar.

O “Duo dos UJOS” não se acanhou, Miguel Araújo e António Zambujo subiram ao palco com os temas “Valsa do Vai Não Vás” e “Darkest Hour”. Embora para a maior parte da plateia seja desconhecido, Tatanka assegurou que mais tarde esta ia-se lembrar de Diego El Gavi, com quem interpretou o tema “Keep on Walking”, isto porque ele “é uma pessoa que quando canta deixa tudo caído” e, a noite de quinta não foi exceção.

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Acompanhado por Miguel Araújo e por um cavaquinho, despertando a nostalgia daqueles que se recordam do inicio do livro da escola primária, os dois artistas cantaram “Minha Aldeia” e, embora Tatanka admitisse “não perceber um chicote de música popular portuguesa”, conseguiu juntar um pouco de “beatles e vira” num único tema.

Aquela que outrora foi uma noite que parecia interminável, num concerto muito humilde e sincero, o músico lembrou que “não há projetos de uma pessoa sozinha”. Realçando a falta de importância que hoje todos temos face à “essência da humanidade”. A noite encerra com “Império”, seja ele dos suínos, dos porcos (ou do rock), um tema de sátira à sociedade uma vez que “esquecemo-nos que os outros também têm direito que nos preocupemos com eles”. A plateia ao querer mais “quelque chose”, voltou a soar “Alfaite”.

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Texto: Rita Pereira
Fotografias: Júlia Oliveira

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