Este sábado, dia 14 de janeiro, Rodrigo Leão e Scott Matthew foram até ao Cineteatro António Lamoso para apresentar “Life is Long”, o seu mais recente disco.

Sábado, Santa Maria da Feira estava em alvoroço. Uns a correr para o Estádio para assistirem ao jogo de futebol do Feirense enquanto outros iam num passo apressado para o Cineteatro António Lamoso para assistirem ao espetáculo de Rodrigo Leão e Scott Matthew.

Gente mais velha, sóbria, vestida a rigor todos preparados para entrar na melancolia do australiano e do português. Passavam cerca de 15 minutos das 22h quando Rodrigo Leão subiu ao palco acompanhado do quinteto de exímios músicos e deram início ao espetáculo com uma introdução instrumental que nos preparou para o que aí vinha.

Seguiu-se “Enemies”, “The Child”, e nos três temas seguintes Scott apoiou-se na guitarra para dar outro toque especial às canções. Depois de sermos bombardeados com a voz e palavras de Scott acabamos por nos sentir num sufoco, seguem-se momentos de instrumental com Scott fora de cena e um jogo de luzes a dar todo um glamour ao cenário. Estes momentos são precisos, são essenciais. Deixam-nos sair de um aprisionamento e parece que ganhamos asas, que conseguimos respirar melhor.

As pessoas que tiveram o azar de ficar nas últimas filas  infelizmente não conseguiram desfrutar ao máximo do espetáculo. Mais do que para ser ouvido, Rodrigo Leão, Scott Matthew e os restantes músicos são para serem vistos. A expressividade com que acariciam os instrumentos, que soltam cada nota, cada vez que somos embalados pelas palavras do australiano, faz muito mais sentido quando o vemos. Aquele momento transforma-se em nosso, parece que ficamos a sós numa sala grande com os pensamentos a ecoar na nossa cabeça.

Mas pronto, os senhores das cadeiras da frente lá nos iam permitindo, de quando em quando, visualizar um pouco do espetáculo à medida que iam gingando as suas cabeças. Pena era haverem chapéus que permaneceram durante o concerto inteiro na cabeça dos seus detentores.

Mais ou menos a meio do espetáculo, Scott fica sozinho em palco, apenas com uma luz que incidia sobre ele deixando-o envolto numa atmosfera sombria e fria para interpretar dois temas. Começamos por recuar até ao disco de versões com “Smile”, de Charles Chaplin. Ele escreveu esta canção triste sobre o valor de se tentar ser feliz.

Scott confessa que gosta muito de tocar o tema que se segue. Por onde quer que passe, o público não hesita e canta com ele. Sem nos anunciar explicitamente o que aí vem, assim que começam os primeiros acordes de “I Wanna Dance With Somebody” – de Whitney Houston. Tanta melancolia e tristeza não podia habitar neste ser e revela-nos o seu lado mais brincalhão com “don’t you want to dance with me boy… girl… someone… whatever you are, I don’t care”. O auditório lança uma gargalhada mas ainda assim não se atreveu a cantar com o artista até que ele para a canção e nos pergunta “vocês sabem que canção é esta certo?”, entre gargalhadas, lá prossegue com o tema e o público deixa a vergonha de lado e empresta as suas vozes no refrão.

A primeira parte do espetáculo termina com “Life is Long”, canção que empresta o título a este disco que lançaram no final de setembro do ano passado. Scott confessa-nos que este é o tema preferido e assim que abre a goela percebemos isso mesmo. A paixão com que o canta, a mistura de instrumentos, dá origem a uma obra que converge grandes influências do panorama musical português.

Para o encore ficaram guardados “Alma Matter /Cidades” e “That’s Life”. Se isto é a vida, sabe bem ouvi-la, apreciá-la, vê-la e acima de tudo senti-la com esta interpretação irrepreensível.

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Texto +  Fotografias: Mónica Ferreira

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