Com um quarto de hora de atraso, letras coloridas nos ecrãs e um divertido «deixem-me excitar-vos», Bruno Mars pisou pela primeira vez o Palco Mundo.

Entre risos, material pirotécnico, painéis de luz, “Finesse” chegou-nos sem Cardi B, mas com um pedido de barulho.
O astro da pop, que transborda simpatia, dançava com quatro elementos da banda. A um ritmo alucinante, e sem perder a boa disposição, “24K Magic” foi interpretada com fogo-de-artifício sempre que “move” – a ponte para o refrão – era pronunciada.

«É uma noite incrível e uma honra pisar este palco e cantar para vocês.

Traçámos um longo caminho até chegarmos aqui para dançar convosco. A próxima música chama-se “Treasure” e é algo assim».

Com um cenário imersivo, jogos de luzes fantásticos, Mars continuava a achar que a festa precisava de ser elevada a um novo patamar. “Perm” trouxe-nos, por isso, mais fogo de artifício e o primeiro jogo com o público: uma competição entre o lado esquerdo e direito.
“Calling all my lovelies”, chegou-nos a media luz, trazendo na bagagem um solo fantástico do cantor com a sua guitarra e uma pequena brincadeira. Com um telemóvel na mão, Bruno simulou ligar à sua namorada, deixando-lhe uma mensagem

«Olá, baby. Estou no Rock in Rio, agora mesmo. E só liguei para dizer “Eu quero você, meu amor”. Eu quero você meu amor».

Cantando em português, “Eu quero você, meu amor”, repetidamente, levou o público ao êxtase. Regravando a mensagem deixada no voicemail, o cantor elevou a voz e ameaçou a sua amada dizendo que se ela não atendesse o telemóvel, levaria todas as raparigas do festival para a discoteca. A introdução perfeita para “Chunky”.

Subimos para o Cadillac com Mars e a sua banda, em “That’s What I Like”. Ensinando o público a dançar e fazendo as mulheres reagir, audivelmente, aos seus movimentos pélvicos, o primeiro interlúdio dá espaço ao saxofonista. E é mesmo Dwayne Dugger que introduz “Versace on the Floor”.
Com os Hooligans de volta, a banda que acompanha Bruno, a música, entoada a plenos pulmões, foi levada até novo solo. Desta vez foi o guitarrista, Phredley Brown, responsável por fazer a ponte para outro sucesso do havaiano: “Marry You”.

Com John Fossit a fazer soar os sinos, provava-se que era, de facto, uma bela noite para se estar na Bela Vista. Solo de guitarra do vocalista junto a Brown e braços agitando-se no público, criando uma moldura humana capaz de surpreender qualquer um.
Luzes ritmadas ao som do solo de bateria de Eric Hernandez e “Runaway Baby” chega-nos com os seus acordes rockeiros e um ambiente muito ’60s.

Acusando, em tom de brincadeira, que o público estava demasiado silencioso, avisou que se isso continuasse, a banda faria o mesmo. Com a música baixando cada vez mais e uns passos de dança de Bruno quase, exclusivamente, com o barulho do público, houve tempo para ainda mais brincadeira e fogo-de-artifício.
«Se não se importassem, gostaria de dar uma folga aos rapazes da banda e cantar-vos uma canção que significa muito para mim. Uma música do meu segundo álbum, Unorthodox Jukebox, chamada “When I Was You Man”».

O público aumentou a parada e acompanhou Mars, enchendo, uma vez mais, o parque da Bela Vista de lanternas erguidas no ar. Visivelmente emocionado, Mars baixa a cabeça e a vasta audiência – mais de 85 mil pessoas – grita o nome artístico do cantor: Bruno.
O concerto, adivinhávamos, precipitava-se para o final, mas não sem antes revisitar mais sucessos do cantor como “Locked Out of Heaven”, que foi recebida, de forma explosiva, depois do solo de piano de Jon.
Chuva de papéis, fogo de artifício e um agradecimento sentido. Pausa para o hawaiano dedicar “Just The Way You Are” a todos os presentes.
«Antes de irmos embora, esta noite, podemos ouvir-vos a cantar este refrão uma vez? Eu começo e entrego-lo a vocês. Podemos ver essas luzes?»

O encore foi responsabilidade de “Uptown Funk” que encerrou a chave de ouro um concerto fantástico com fogo de artifício, fumo, chamas e bombeiros.

Bruno voltou a provar que uma estrela pop consegue ser humilde, simpática e fazer de um concerto ao ar livre, com mais de 85 mil pessoas, um espetáculo intimista e inesquecível.
Uma noite mágica para ver e rever.

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