25 de abril marcou a estreia da Orquestra Bamba Social na Casa da Música, na Sala Suggia. Acompanhada de Tiago Nacarato e Convidados deram um show de Samba carismático bem ao jeito brasileiro.

O nome Bamba Social pode soar familiar para quem acompanha as noites de quinta-feira com um passinho de samba no bar RUA. O grupo é composto por diversos instrumentistas de origem portuguesa, unidos pelo Samba. Já Tiago Nacarato, tem então criado um percurso que só aos mais distraídos não chamou a atenção. Seja pela sua participação no The Voice, seja pelos recentes espetáculos a solo nas salas do Porto.

Na calorosa noite de feriado houve lugar para a estreia ao vivo de três temas originais do grupo: “Começa com S”; “Samba meu Dom” e “Anúncio”, de autoria de Luca Argel, membro e compositor do grupo de samba. É também um dos nomes que vem ganhando algum destaque na escrita e composição de música brasileira.

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O concerto iniciou-se com a entrada (sem cerimónias ou formalidades ao bom estilo brasileiro) dos 16 membros da banda, ao som de versos do poeta brasileiro Paulo César Pinheiro. Denise, um dos membros do quinteto vocal de convidados da banda, abraçou a plateia com “Meu Guri”, “Forças da Natureza” e “Vou Falar” dando depois a palavra a Luca Argel.

Luca cedeu o protagonismo a Tiago Nacarato que mimou o público, seu fã, com a sua voz portuguesa de galã boémio brasileiro. Entoou “Carinhoso” e “Onde Anda Você”, tema de Vínicius e Toquinho.

“Quem gosta de samba aí?” disse Tiago Nacarato desafiando a plateia.

Seguiram-se músicas de autores brasileiros como “Influência do Jazz” de Carlos Lyra, “A Rita” de Chico Buarque.

Até ao momento estava a ser um bom espectáculo. Era jovial, fazendo lembrar os bailes brasileiros da década de 30 em diante, no auge da boémia carioca. Nacarato fez um convite aos espectadores para deixarem as formalidades de lado. “Quem quiser pode vir para a frente dançar um bocadinho”, convidou  a meio de um sorriso provocador. Curiosa proposta para os portugueses, mais reservados e tradicionais, habituados a ver um concerto na sala Suggia sentados. Temos algo a aprender com os nossos irmãos brasileiros no que toca dançar!

Realmente, o que era então mesmo preciso, era uma “autorização”. Isto porque passados 10 minutos, os corredores laterais da sala encheram-se com casais a dançar o bom samba que se fazia neste 25 de abril!

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O terceiro convidado foi Guerrinha, todo ele samba, todo ele um Zeca Pagodinho de Portugal. Cantou então “Pai Coruja” e “Ratatuia” do referido autor brasileiro, dando depois entrada a Marta, para a quarta interpretação da noite, sempre sem o samba parar!

Marta cantou e encantou então ao som de “Be My Fella / Samba e Amor” puxando o espectáculo para o lado funk brasileiro. Ainda antes de terminar este tema, Tiago Nacarato levantou-se do sofá, literalmente, e junta-se à cantora. De seguida, tomou ele assim as rédeas da atuação, novamente  com “Diz que Fui por Aí” de Luíz Melodia. Sem quebrar o ritmo, seguíamos para “Nem vem que não tem” de Wilson Simonal, num samba que se misturava com o ar e enfeitiçava quem estava na sala.

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A meio do primeiro refrão, Tiago chamou mais um dos convidados da noite, Angelo B. E que convidado! Angelo B é o que se pode chamar de one man band. Energia autêntica ao bom estilo brasileiro com “Você não entende nada”, “Cadê Cascais” (acompanhado pelo público) e “Maldição do Samba”, esta última da autoria do rapper brasileiro Marcelo D2.

O público, ávido daquele samba cativante, pedia mais, embora tudo fizesse prever que o concerto estivesse para acabar. Os instrumentistas saíram e abriram-se as portas laterais da sala. Reconsiderou quem percebeu que era o toque de saída. Entrou a Batucada de Samba, composta por “Surdos”, tambores de grandes dimensões típicos do Samba e outros instrumentos de percussão para acompanhar Bamba Social na derradeira música de despedida: “Deixa a Vida me Levar” de Zeca Pagodinho. Uma despedida assim canarinha, em festa, com “muito amor, muita música”.

Uma forma interessante então de festejar o dia da Liberdade. Até porque Liberdade também é ouvirmos o que gostamos e de nos expressarmos sem medo de censura, e que bela forma de expressão é a música!

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Texto: Gonçalo Neves
Fotografias: Bruno Correia

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