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Estreou na passada terça-feira, dia 13 de setembro, nas salas de cinema portuguesas, o quarto filme da saga “O Predador”.

Todos já vimos em algum momento da nossa vida, nem que fosse um trecho de um filme de “O Predador”. Sangue, ação, e um bocadinho de terror à mistura, eram peças quase que fundamentais nestes filmes. Contudo, neste último a coisa não é assim tão bem aprofundada.

Em 1987 estreava o primeiro filme que, na altura, era protagonizado pelo conhecido Arnold Schwarzenegger. Em 2018, chegou o quarto filme que acompanha Quinn McKenna (Boyd Holbrook) que acaba por testemunhar a chegada de um alienígena. Isto fez então com que fosse levado pelo Governo americano, onde acabou enfiado num autocarro junto com outros ex-militares diagnosticados com problemas psiquiátricos. Afinal de contas, quem é que ia acreditar em extraterrestres e seres altamente perigosos vindos de outros problemas? Ninguém, pensaram eles.

Um Predador foi capturado e levado para o laboratório. Contudo, este acorda e o caos está instalado. Uma coisa que suscita logo a curiosidade é o facto deste ser não atacar todos os humanos, apenas aqueles que se insurgem contra ele. Então, o que vieste cá fazer? Enquanto todos pensavam que esta viagem destinava-se a mais uma espécie da caçada, ao longo da ação vai-se percebendo que não é bem assim.

Há sangue, há alguma ação, mas o que se destaca são, essencialmente, alguns momentos de comédia que nos trazem à memória “Deadpool”.

A par disso, continua presente a ideia, a mensagem de que a raça humana é o pior inimigo do Homem, como tal, o menor dos problemas acaba por ser uma invasão extraterrestre. Isto é reforçado nos momentos onde o Predador afirma que gostou de ver os humanos a lutarem entre si e quando a silhueta de Quinn e de alguns investigadores se assemelham bastante à figura de alienígenas.

É preciso destacar o papel de Jacob Tremblay que interpreta Rory, filho de McKenna. Ele é autista e é visto como uma evolução da raça humana pelos próprios Predadores. Isto porque tem outras capacidades cognitivas que o levam a conseguir ativar a nave alienígena. Onde é que isto leva? A que um outro Predador ande atrás dele para o levar lá bem para longe, para o seu planeta.

Ao longo dos filmes, consegue-se perceber que os Predadores estão a evoluir e não são nada mais do que híbridos. Eles combinam a sua sabedoria, os seus poderes físicos – e não só – com a inteligência da raça humana.

Ainda que ação propriamente dita só haja bem no final do filme, há uma coerência narrativa. Contudo, o que antecede as cenas da ação carece de preparação.

Em suma, “O Predador” é  mais uma sequela desnecessária, que parece ter sido criada apenas para tentar encher os bolsos em vez de explorar uma narrativa de uma forma criativa.


Texto: Mónica Ferreira

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