O dia 8 de julho, segundo dia do NOS Alive, foi o primeiro a esgotar após o anúncio da vinda dos Radiohead ao festival. O Passeio Marítimo de Algés encheu-se de gente cheia de esperança de ouvir a afamada “Creep” – e os ingleses fizeram-lhes a vontade.

Com o NOS Alive em silêncio absoluto, ou os Radiohead não tivessem conseguido a proeza de serem os únicos a atuarem a esta hora, o espetáculo arrancou da mesma forma que “A Moon Shaped Pool” – o mais recente disco da banda lançado este ano – com “Burn the Witch”. Se até então havia quem estivesse “perdido” no recinto, não pensou duas vezes e seguiu a voz de Thom Yorke, que se ouvia muito lá ao longe, até ao Palco NOS. “Daydreaming” e “Decks Dark” foram os temas que se seguiram e o público já estava quentinho nesta noite ventosa e um com os ares do rio a arrefecerem tudo menos as emoções.

Mas nem só de novo disco se fez este concerto, fazendo parte do alinhamento os clássicos como “My Iron Lung”, “Talk Show Host”, “The Gloaming” e até a experimental “Everything In Its Right Place”. A primeira parte do concerto foi selada com “Idioteque” e com um “obrigado” de Yorke na língua de “nuestros hermanos”. Os Radiohead continuam a dar concertos para as primeiras filas, com o som baixo, sem grandes truques e esquemas, apenas puros e crus, um modelo que vai um pouco contra o habitual em festivais mas não foi por isso que se deixou de apreciar o espetáculo mesmo para aqueles que estavam lá ao longe.

O espetáculo estava na reta final e para o primeiro encore ficaram guardados “Bloom”, “Paranoid Android”, “Nude”, “2+2=5”, terminou com “There There” e Ed O’Brien, Colin Greenwood, Thom Yorke, Phil Selway e Jonny Greenwood saíram de palco. Contudo, este não era o fim esperado, o final perfeito do conto de fadas dos milhares de fãs da banda que ali estavam e que não hesitaram em não arredar pé dali.

Momentos depois, tornam a subir ao palco para um segundo encore, coisa bastante rara em festivais, e o brilho nos olhos do público era notório, já sabiam o que aí vinha. Com um “é agora, é agora!” a passar-lhes pela cabeça, com os batimentos cardíacos a aumentarem, soam os primeiros acordes de “Creep” e o NOS Alive entra em completo delírio. A última vez que os Radiohead tinham tocado este tema em terras lusas foi algures em 2002 no Coliseu do Porto mas a verdade é que estava na memória de muitos que estavam ali agora. Com a letra na ponta da língua, fazendo-se ouvir por todo o Passeio Marítimo de Algés, o público cantou do princípio ao fim em uníssono sem falhar um único verso.

Depois deste derradeiro espetáculo, os músicos achavam que a plateia ainda aguentava com mais emoções (e acharam bem) e, quase que sem intervalo, atiram-nos com “Karma Police” na sua versão mais original e crua mostrando que, apesar do caminho que traçaram para a sua carreira nos últimos anos, conseguem recuar até aos seus primórdios e arrebatarem-nos com a sua primeira essência.

Foram pouco mais de duas horas repletas de emoções, com uma plateia de diferentes faixas etárias que refletiram bem estes 31 anos de carreira, com um alinhamento de luxo que conseguiu com que viajássemos entre o novo e velho, entre o conhecido e o desconhecido. Se voltávamos a repetir? Sem dúvida alguma.

Radiohead1

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