Dois anos depois, Myles Sanko retornou à Invicta para um concerto esgotado na Casa da Música. O artista veio apresentar o seu mais recente trabalho “Just Being Me”.

Myles Sanko é igual a si mesmo, bebendo um pouco de Soul, Pop, Funk, Jazz e algum Groove. Exibe uma musicalidade dinâmica e muito, muito animadora. São percetíveis as influências de Ottis Redding, Gregory Porter ou Bill Withers, embora o trabalho de Myles seja o resultado de muito talento e de uma voz enternecedora, mas poderosa.

“Let’s have a good time! Let’s do it! Welcome to the Myles Sanko family!” Foi este o mote de abertura do formidável espectáculo do artista Ganês. “My Inspiration”, peça do seu segundo álbum, abriu as hostes, saltando depois para “Just Being Me”, música homónima e que dá nome ao seu mais jovem álbum. “Don’t Let Me Down” revisitou, de seguida, o primeiro álbum do artista, música electrizante que resume bem as influências do groove na música de Myles Sanko.

Todo o restante espectáculo foi um encadear de várias canções da sua carreira, entrelaçando peças mais recentes – “Sunshine”, “Forget me Not”, “This Aint’t Living”, “Promises” – com outras mais antigas como “Save My Soul”, “Come On Home”, To My Surprise”.

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Myles possui uma grande qualidade, que é pouco comum num mundo dominado pela efémera música de consumo fácil. O que o distingue é a sua autenticidade musical, a paixão que transparece em cada nota entoada que, inexoravelmente, cerca os espetadores. É difícil, para não arriscar dizer impossível, não ter um dedo que seja a mover-se ao som da sua energizante música, até para os mais cansados de um dia de trabalho. Myles revolve-nos, empresta-nos energia e alegria de viver. Sem se dar por isso, já o braço se mexe sozinho, depois as pernas e num ápice o corpo quer saltar da cadeira e celebrar a humanidade, o amor, a música, a vida.

“Always save time for your dreams, never stop dreaming” – Myles Sanko

“Real Music right there!”, palavras do próprio Myles, por entre solos cedidos a cada elemento da sua banda. O todo foi, definitivamente, maior que a soma das partes. Contudo, cada uma das partes é excecionalmente completa. Cada elemento da banda demonstrou o seu virtuosismo, através da liberdade artística para improvisar em excertos das músicas. Só enriqueceu o já riquíssimo concerto de Myles Sanko, completamente acarinhado pela plateia, composta por fãs fiéis do seu trabalho e outros, como eu, na expectativa do que poderia vir dali. A certa altura, a dúvida desvaneceu-se e todos já cantavam com ele.

“Forever Dreaming”, do segundo álbum com o mesmo nome, surgiu a seguir a uma mensagem que Myles assume apenas confessar aos familiares e amigos: “Always save time for your dreams, never stop dreaming”. Esta não foi a única mensagem que deixou. Enfatizou a fraternidade, que gostaria de ver entre todas as pessoas; o carinho e o amor por cada um dos presentes, dos quais tanto precisa (sentimento recíproco), como realçado pelo músico.

O espetáculo terminou com “Light in My Hand”, com a plateia de amplo sorriso na cara. A Sala 2 pediu e Myles Sanko e banda voltaram ao palco para mimar o público com a excelente “High On You”.

Para quem estiver triste ou a precisar de alento, nada melhor que um concerto de Myles Sanko para animar, de certeza que não ficará desiludido. Pessoalmente saí mais feliz da Sala 2 do que quando entrei, muito graças ao formidável espectáculo desta quarta-feira.

Obrigado Casa da Música, obrigado Myles Sanko e cada um dos exímios elementos da sua banda. Não façam o Porto esperar mais dois anos por um novo espetáculo.

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Texto: Gonçalo Neves
Fotografias: Bruno Ferreira

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