Este domingo o Hard Club vestiu-se de negro e encheu-se de ansiedade para receber os irmãos Cavalera que iriam tocar do principio ao fim o mítico disco “Roots”.

A cidade do Porto andava em reboliço este domingo. O Futebol Club do Porto jogava contra a equipa da Luz, havia uma maratona e ainda o Iggor e Max Cavalera traziam a celebração das duas décadas de “Roots”. Gente e mais gente enchiam as ruas pelos demais motivos mas no Hard Club era não só gente que tinha a certeza que ia assistir a um grande espetáculo como  esperançosos por ainda tentarem arranjar um bilhete em cima da hora para um concerto que não demorou muito a esgotar.

Sem nenhuma banda de abertura, sem nenhum aquecimento nesta noite fria, os fãs de Sepultura e dos irmãos Cavalera foram entrando assim que as portas abriram para arranjarem o melhor lugar não só para assistirem ao concerto mas também para participarem nas inúmeras atividades preparadas para esta noite (atividades: moches, crowdsurf, circle of death, etc). O cenário era simples: tínhamos apenas a capa do disco como pano de fundo e uma bandeira do Brasil.

Com cerca de 15 minutos de atraso, Iggor e Max subiram ao palco, com o público a gritar por eles com pujança, e arrancaram com “Roots Bloody Roots”, a primeira faixa do disco “Roots” que traziam hoje à Invicta. Não podiam ter começado de forma mais explosiva, mais entusiasmante mas quiçá este não foi o melhor trunfo e trocar o alinhamento das canções teria sido uma jogada mais inteligente. Contudo, não foi menos bom por causa disso.

Seguiu-se “Attitude” com Max a fazer a intro com um berimbau que acalmou o Hard Club mas por pouco tempo. Os temas são explosivos, são “agressivos”, são feitos para se abanar o capacete do início ao fim e assim foi. “Ratamahatta” foi outro dos momentos altos da noite, com os fãs a cantarem sem nunca perder o folgo numa só voz. Max Cavalera chegou, por diversas vezes, a cortar o piu a si próprio para nos dar a hipótese de nos fazermos ouvir. Mas sabem que mais? Nem era preciso. O público era forte e provou que estava ali para homenagear e mostrar que “Roots” está na ponta da língua.

Trouxeram ainda ao antigo Mercado Ferreira Borges “Itsári” e “Procreation (of the Wicked)”, uma cover daqueles que são considerados um dos pioneiros do Black Metal: os Celtic Frost, para terminarem com uma versão mais acelerada de “Roots Bloody Roots”.

Os irmãos Cavalera sabem bem que movem montanhas, sabem o público que têm e até onde podem ir. Foram várias as vezes que se dirigiram a nós para puxar por nós, para que participássemos neste espetáculo, que entrássemos nos famosos “Circle” para rebentar em moches explosivos nos refrões. Um concerto que durou cerca de duas horas, bastante intenso. O Hard Club foi pequeno para estes senhores. Esperemos que numa próxima tenhamos a hipótese de os ver numa sala grande ou quiçá num festival de verão (Vagos Metal Fest, já está na hora, sim?).

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Texto: Mónica Ferreira

Fotografias: Bruno Ferreira

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