Mundo 360 é o último álbum de Mariza e a razão da sua nova visita ao Porto esta quarta-feira, dia 9. De casa cheia, esperava-se um grande espetáculo musical (e assim foi).

Vozes e guitarras afinadas, a imprensa aguarda fora da sala. A autorização para a entrada está marcada apenas para a segunda música. Enquanto aguardamos, vamo-nos amontoando junto àquela que é a porta por onde Mariza vai sair. Temos indicação para que não a fotografemos, senão durante o espetáculo, nas canções autorizadas.

A porta abre-se e a artista sai. De vestido comprido e com um sobretudo pelas costas, para assim que vê os fotógrafos. Vira-se e, com o sorriso que lhe é tradicional, faz questão de nos cumprimentar olhos nos olhos. A empatia foi imediata!

Conheço a Mariza da televisão e de saber alguma coisa (pouca) da sua vida. Artista é artista e, por definição, julgam-se seres superiores… mas a Mariza é diferente!

Com o final da primeira música, as portas abrem-se para que entremos. Está instalado, no centro da sala, um mini palco onde ela atua. Num registo mais intimista, sempre muito junto ao público, revela-se agradecia por estar de volta ao Porto. Talvez por essa razão, e pelo carinho que sente na nossa terra, começou o concerto com “Menor do Porto”. “Missangas” e “Crecheu – Padoce do Céu Azul” foram entoadas já no palco principal. Entre conversas e músicas, convida-nos a brindar com Vinho do Porto.

Cai o pano e com ele a “Chuva”. Por detrás de uma cortina semi transparente, efeitos de gotas que caem sobre um vidro, e ela canta uma das melhores músicas que tem (pessoalmente, é uma música com um grande significado). Esta foi acompanhada por orquestra e levanta a sala como se de um final se tratasse. O concerto poderia ter terminado aqui, mas teria sido exageradamente curto para a qualidade da artista. Uma coisa é certo, depois disto, nada pode correr melhor.

Canção após canção, o nível qualitativo imposto naquela sala foi subindo exponencialmente! Com o filho Martim a assistir, estava explicada toda a emoção e a constante referência visual à primeira fila. Não se conteve e partilhou connosco um pouco dos seus últimos 5 anos. Uma lição de vida. Repleta de sucessos pessoais e profissionais, lembrou as coisas boas da vida: a família, o amor e a gratidão!

O Fado continuava, mas de forma diferente! Mariza é sem dúvida a responsável por uma nova “vaga” de Fado. Com ela acabou-se o choradinho, a lamúria e a desgraça. O Fado é tristeza, é saudade, … mas agora com uma luz ao fundo do túnel; uma réstia de esperança. Sempre de olhos postos no seu rebento, notou-se que todo o concerto foi especialmente dedicado a ele.

Chega a vez de “Melhor de Mim”. O que dizer? Outro final feliz para aquele que já era um grande espetáculo. Um tema que teve … dois finais; e qual deles o melhor? Simplesmente brutal!

A inovação não para de surpreender e estávamos perante a reinvenção do conceito de Fado, quer em termos musicais, quer mesmo em termos de espetáculo. Algo extraordinariamente surpreendente. Talvez não tenha sido novidade para quem já conhece Mariza ao vivo, mas para mim, que fui estreante, foi uma novidade total. Confesso que já vi concertos Rock muito menos apelativos, de bandas mundialmente conhecidas.

O concerto continuava (sim, Concerto é a palavra certa para descrever o que se passou hoje no Coliseu) e com ele aumentava a interação com o público. Criando ela própria uma analogia a Queen, com “We Will Rock You”, Mariza cantou “Barco Negro”. Com a secção rítmica criada com as palma do público, Freddy Mercury reencarnou e apareceu sem bigode, loiro(a) e de vestido comprido, vermelho!

Pessoalmente, e conhecimento de causa, sei da existência de vários tipos de Fado: Coimbra, Lisboa, Corridinho, Castiço, Vadio… mas nunca ouvi falar no Fado Rock ’n’ Roll. A noite nunca mais acabava e naquelas duas horas vi de tudo, até qualquer coisa parecida com Stand Up Comedy! Mariza improvisava e, no meio do incentivo ao público para que se juntasse a cantar “Rosa Branca” lá ia criticando aqueles que, calados, olham para o vizinho do lado com tom reprovador. Elogia quem, mesmo sem saber a letra, vai trauteando e arranca gargalhadas do público.

“Façam barulho que é para quando chegar a Lisboa, saberem como é que se faz aqui no Porto!” … Mas o que é isto?? Estará ela “autorizada” a dizer este tipo de coisas? Então e o pessoal de Lisboa, como fica no meio disto tudo? A Mariza conquista o Condado Portucalense!!

Para final do espetáculo, tudo volta ao início. No mini palco a meio da sala, canta-se o Fado Tradicional, e sem microfone. Foi assim que começou aqui (no meio da sala) e foi assim que começou a sua carreira (de alta voz, nas casas de Fado).

É então que o pequeno grande Martim sobe ao palco, ao colo da mãe. É vez de “O Tempo Não Pára”, uma música toda ela dedicada ao filho, ao seu crescimento e à forma como a sua presença/ausência influencia o relacionamento. Com o instrumental de fundo, sucedem-se as declarações de amor verdadeiro àquele que, contra tudo e contra todos, veio para mudar a sua vida. Sentada num banco alto, sempre com o filho ao colo, deixa cair umas lágrimas enquanto lhe dedica a música. Ao fundo, em slideshow, vão passando fotografias dos dois que são adoradas por eles e por todos quantos tiveram a felicidade de estar presentes no Coliseu do Porto.

Porra, foi emocionante (e comovente)!!

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Texto + Fotografias: Nuno Machado

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