Mallu Magalhães passou este sábado pelo Coliseu do Porto para uma noite de serenidade contornada com amor com “Vem”, o seu último disco.

Com uma elegante garça a preencher o cenário de fundo, Mallu entrou em palco com “Pelo Telefone”, tema que pertence ao seu novo disco. De vestido branco – que a cada movimento esvoaçava acompanhado com o esboço de um sorriso meigo – preparávamo-nos para um concerto de uma roda viva de felicidade. Seguiu-se “Culpa Do Amor” e “Me Sinto Óptima”.

Fazendo por não esconder desde o início o sentimento agridoce que a rodeava – ora por estar “muito feliz de estar aqui” a tocar numa das salas mais emblemáticas da cidade, por outro lado, reconheceu também estar triste por ser “a última vez que a gente faz este espetáculo”, sendo este concerto o último da digressão.

Um espetáculo acompanhado a maior parte do tempo então por uma banda de sete elementos, fazendo dela parte o seu grande amigo Fred Ferreira, na bateria, e o seu marido, Marcelo Camelo, na percussão. Assim, Mallu foi buscar temas como “Quando Você Olha Pra Ela”, “Muitos Chocolates”, “Seja Como For” e “Velha e Louca”.

Num concerto também ele feito pela genuína simpatia da compositora, sozinha em palco, interpretou “Brigas Nunca Mais”, tema escrito por António Jobim, e uma músicas preferidas de Mallu. “É dessas músicas muito lindas”, acrescentou.

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De forma a aproveitar a onda melancólica que se acabara de formar, cantou “Janta”. Fê-lo lado a lado com Marcelo Camelo e, embora tenha reconhecido que a canção não é sua, sentia que parte dela o era.

Com a banda de novo reunida em palco, num conjunto de doces melodias contrabalançadas com delicados arranjos, fez-se ouvir “Linha Verde”. Ouviu-se também “Gigi”, tema que escreveu sobre a sua mãe.

“São Paulo” ajudou a aquecer o frio que se fazia sentir na sala. Seguiu-se uma orquestra de palmas rigorosamente sincronizadas que acompanharam “Mais Ninguém”, religiosamente guardada para o fim. À medida que este se aproximava, Mallu volta a agradecer no seu tom meigo e num discurso que de ensaiado nada tinha, acrescentando ainda entre risos: “desculpa qualquer coisa”.

Sem querer demorar muito tempo com o encore – com medo que nós pensássemos em ir para casa – e, mesmo que não se tenha feito ouvir “só mais uma”, Mallu despediu-se com “Love you” e “Vai e Vem”, deixando por cantar a tão esperada pela maior parte da plateia, “Você Não Presta”.

A despedida estava feita e, de palco vazio, o “só mais uma” pronunciou-se a alto e bom som, obrigando ao regresso de muitas pessoas que já se encontravam de casacos apertados e em marcha de saída. A artista brasileira, ao ser apanhada desprevenida e com apenas alguns segundos para ensinar à banda os acordes, cantou “Tchubaruba”, o primeiro tema que compôs em 2008, que ao terminar fez surgir um enorme aplauso.


Texto: Rita Pereira
Fotografias: Bruno Ferreira

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