Texto + Fotografias: Nuno Machado

Num concerto que mais parecia ter sido trabalhado desde os anos 80, Lloyd Cole apresentou o seu songbook. Numa partilha, entre amigos, em formato intimista, lá foi lembrando daqueles que, em outros tempos, lhe mostraram a luz do estrelato. A Casa da Música foi pequena para acolher o público e a grandiosidade dos temas tocados.

21:00h e abrem-se as portas. A meia dúzia de pessoas que aguardava para serem os primeiros, rapidamente se multiplicaram e elevaram o número de espetadores ao expoente máximo. Pais eram acompanhados dos filhos e, nalguns casos, dos (também) seus pais. Havia filas onde, em 3 lugares seguidos, podíamos ver 3 gerações de uma mesma família. Outros, ainda que sozinhos, faziam questão de não perder o concerto que prometia casa cheia.

O primeiro percalço aconteceu a meio da segunda música. Rattlesnake é uma das mais conhecidas deste britânico que se afirmou durante as décadas de 80 e 90. Engasgou-se, obrigando-o a socorrer-se das inúmeras garrafas de água disponíveis. “You’re not getting any younger, either” rematou, levando o público à gargalhada geral. Retomou onde interrompeu, naquela que foi o primeiro êxito do repertório.

As músicas iam soando, e a lembrança trazia-nos de volta bons velhos tempos da juventude. O mundo era nosso e esta era a nossa banda sonora. Apesar do registo acústico, Lloyd Cole impressionava.

O público continuava a chegar, embora em menor número, sendo sempre agraciado e cumprimentado pelo artista com um simples “Good evening. You have only missed Rattlesnake!”, ao qual toda a sala respondia com mais uma gargalhada. Com uma boa disposição contagiante, lá foi pedindo para o público não aplaudir uma vez que começasse a cantar. “A idade não perdoa e distraio-me… depois não sei o que estou a tocar!”, dizia… Usava os óculos para afinar a(s) viola(s) entre músicas e gozava com o facto da sua visão estar a acompanhar a sua idade.

Com o evoluir do concerto, facilmente se percebe porque sempre associamos o nome do vocalista a estes inúmeros êxitos que hoje foram tocados. Na realidade, e sem qualquer desprimor para os Commotions, Lloyd Cole é por si só uma banda completa. Sem instrumentos a acompanhar, quase que seria eu a cantar as suas músicas aos meus filhos, mas numa versão afinada…

Se tivemos uma primeira parte a solo, totalmente sozinho, a segunda parte do espetáculo contou com uma presença especial. Andrew Cole, seu filho, e à semelhança do que aconteceu em Lisboa e em Aveiro, subiu ao palco para mostrar que o repertório está bem estudado. O segredo da intemporalidade musical parece que está guardado a sete chaves, mas bem guardado (valha-nos ao menos isso…)

Lloyd Cole envelheceu, acalmou e consigo trouxe as suas histórias cantadas num registo mais sóbrio, próprio para uma plateia saudosista e sequiosa de um “remember my childwood”. Saiu sem desiludir e deixou um sentimento de missão cumprida. Aos que se privaram de algumas dezenas de euros na aquisição do bilhete, levam para casa (mais) uma boa lembrança com uma banda sonora de outros tempos.

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