Os Linda Martini lançaram “Sirumba”, o seu quarto disco de originais, no passado dia 1 de abril. Depois de “Olhos de Mongol”, “Casa Ocupada” e “Turbo Lento”, a banda lisboeta presenteia-nos com um disco com tanto de diferente mas com tudo de Linda Martini.

Sirumba” abre com o tema homónino, com um início que já nos é tão familiar, e assim embarcamos numa viagem, com rumo direto a um refrão explosivo que se repete uma e outra vez mas que tem a habilidade de não nos cansar. Este é, de facto, um bom começo para este quarto disco dos Linda Martini.

Segue-se “Unicórnio de Sta. Engrácia“, o primeiro single lançando para abrir o apetite. Começa com uma melodia, uma batida que nos faz fechar os olhos e sentir cada verso, gingando o corpo, batendo o pé a acompanhar o compasso e eis que o ritmo vai acelerando, com uma pequena pausa para um suspiro, somos bombardeados com um refrão intenso. É um tema que, de facto nos faz viver uma mixórdia de emoções e sensações.

Até então estamos perante uns novos Linda Martini, que nos fazem sentir mais do que alguma vez fizeram mas não acaba por aqui. “Preguiça“, a terceira canção do alinhamento do disco, tem tudo menos preguiça na sua concepção. Um tema que brota melancolia com uma exploração extraordinária de instrumentos e letra, mostrando assim um lado que, para mim, era um tanto ou quanto como o unicórnio em Linda: um lado poético e musical.

Este começar de disco é algo que nos deixa logo boquiabertos com uma nova postura da banda lisboeta, com muita coisa nova mas com um “cheirinho” que já nos é tão familiar. A partir daqui as surpresas já não são assim tantas.

Putos Bons“, cantado quase como que declamado, começa de forma calma mas em segundos explode uma batida forte, intensa, onde o som abafa bastante a voz e a prioridade volta a ser o instrumento, as batidas, as guitarras. Repleto de intensidade, com uma letra que “casa” na perfeição com a música, que nos faz deixar-nos levar pelo ritmo e sentir (novamente) cada palavra, cada frase. No final deste tema, a voz foi anulada, e temos um decrescer da música e ficamos tentados a fazer “repeat”.

A canção que se segue é fácil ficar-nos na cabeça: “Bom Partido“. Um tema que resume todas e quaisquer palavras que queiramos dizer depois de o ouvirmos, que nos empresta as palavras envoltas num tom tristonho, sombrio que nos leva a um estado pensativo sobre as demais vivências.

Farda Limpa” é talvez o tema que menos contribui com algo novo para “Sirumba”. É muito “o habitual”, é uma canção sem grandes oscilações, apenas com a essência de Linda que já nos é tão conhecida. Esta é, na minha opinião, a canção que quebra o disco.

Já quase a chegar ao fim do álbum, (é verdade, parece que ainda não ouvimos nada!), “Comer Por Dois” começa a “matar-nos” com um solo de guitarra que nos prende de novo ao disco. É daquelas que, mesmo de olhos fechados, conseguimos visualizar tudo, sentir cada batida e absorver a mensagem oral que os Linda nos querem passar.

Dentes de Mentiroso“, começa igualmente com uma guitarrada à maneira, acompanhada de uma bateria que chega mesmo a mexer-nos com os nervos. Aqui temos de volta os nossos queridos Linda Martini, onde o instrumental tem mais relevância do que meia dúzia de palavras. Neste caso, as palavras, ainda que poucas, complementam de uma forma extraordinária o instrumental, ou não acabasse este tema com “E a vida acontece aos outros, que estás a pensar?”. Este é um tema que nos deixa a pensar em tudo e mais alguma coisa.

Para terminar em grande este álbum, ou não tivesse esta canção todos uns seis minutos e trinta e quatro segundos, “O Dia Em Que A Música Morreu”. Não, não está para breve o fim dos Linda Martini. Esta canção funciona quase como um hino, quase como que um mote para que nunca se deixe de fazer música (mas em bom).

Sirumba” é de facto um disco para ter no carro, no telemóvel, em todos os demais dispositivos sempre, onde temos o melhor dos Linda Martini, o novo deles, que prima pela sua sonoridade inconfundível ao mesmo tempo que nos oferece trocadilhos, significados pluralistas que se moldam a nós, a cada “eu” que experienciamos todos os dias.

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