O Laurus Nobilis Music chega a Vila Nova de Famalicão de 26 a 29 de julho. Esta será a quarta edição do festival e aposta inteiramente no Heavy Metal e Rock Alternativo.

José Aguiar, programador e organizador do Laurus Nobilis Music, falou-nos um pouco sobre o que move a fazer mais a cada edição.

Palco das Artes: O Laurus Nobilis Music já foi uma mistura de vários géneros musicais. Contudo, bastante marcado pelo primeiro dia ser dedicado ao Metal. Agora, é um festival de Heavy Metal e Rock Alternativo. Como é que se deu este passo e porquê?

José Aguiar: O projeto Laurus Nobilis tem na sua génese ser sempre uma grande festa da música, ser um festival que apresente vários géneros musicais, como também ser uma montra para projetos musicais emergentes de teor amador. Com os números das edições anteriores fomos obrigados, de certa forma, a fazer um ajuste ao nível de estilos musicais no cartaz de ano para ano. As sonoridades mais pesadas, principalmente o Heavy Metal, sempre foi o estilo musical que o público do Laurus Nobilis mais se identificou.

De edição para edição fomos reforçando o cartaz com bandas de sonoridade mais pesada. Tanto o feedback como a aderência de público, foi sempre crescendo. Vem daí o facto do Laurus Nobilis Music Famalicão nesta edição estar direcionado ao Heavy Metal/Rock alternativo. Com isto não quer dizer que nos afastamos da génese do festival, antes pelo contrário. Em 2018 teremos um terceiro palco (Palco faz a tua cena) que será inteiramente dedicado a projetos emergentes de teor amador. Estará aberto aos mais variados conceitos musicais. Não fugiremos ao conceito de uma grande festa da música. O Heavy Metal será o prato forte pois tem sido as indicações que o nosso fiel público nos tem dado.

PdA: Tendo em conta o panorama musical português e o mercado emergente do Metal, tem sido difícil a contratação de bandas?

JA: O público afeto ao Heavy Metal é, e será sempre especial. Não segue as modas que a azafama contemporânea de teor consumista impõe. Onde tudo serve para se projetar à custa da música. É neste ponto que o público de Metal se diferencia: não vai em modas mas sim nos seus ideais. Sendo assim, é fácil trabalhar com este nicho de mercado.

“Estrategicamente, o Laurus Nobilis está bem situado”

O pessoal desloca-se, move-se para usufruir da sonoridade que gosta, da banda que venera e as bandas sabem muito bem disso. Elas tudo fazem para que nunca falhem aos seus seguidores (salvo raras exceções). Os promotores sabem perfeitamente que este nicho de mercado não é para grandes massas. A não ser que tenham dinheiro para contratar bandas de topo mundial, mas isso é outra história…

Assim, sabem que estão a trabalhar com amor à causa. Têm consciência que não será os concertos de metal que os levarão ao fabuloso mundo das Caraíbas, ao mundo da vida plastificada… Resumindo não é difícil trabalhar no mercado do Metal, tendo a consciência que é um mercado mais direcionado ao sacio da Alma.

PdA: O Laurus Nobilis Music tem vindo, cada vez mais, a evoluir, e a tornar-se numa referência no panorama nacional. De que forma é que esperam marcar este tipo de mercado?

JA: Com a quarta edição a caminho, e com as adaptações que os números das edições anteriores nos indicaram, sentimos que o Laurus Nobilis – apesar de ainda estar a sair do berço – tem tudo para ser um festival de referência quer a nível nacional, como principalmente ao nível internacional. Passa pelo nosso projeto atingirmos números consideráveis ao nível de visitantes do estrangeiro.

“Quem vem ao Laurus está em perfeita harmonia com a natureza e sente-se bem.”

Sabemos que Portugal é demasiado pequeno para o nosso projeto. Infelizmente, em Portugal quem gosta de Rock a sério ainda é uma quota muito reduzida. Ainda vivemos muito para a música Tradicional e para o Fado (que não temos nada contra, antes pelo contrário já trouxemos a Carminho, o Augusto Canário ao Laurus entre outros “infelizmente não correu lá muito bem…”). Isto para não falarmos de outras coisas tipo as modas efémeras parecidas com música que se vão instalando e minando o mercado.

Ao nível de Rock, Rock a sério, ainda somos um país pequenino. Com isto não quero dizer que não temos gente que se assume e tem orgulho em ser Tuga e que leve pelo mundo fora o nome de Portugal com sonoridades Rockeiras e bem pesadas, como o caso dos Moonspell e mais algumas bandas que lutam arduamente pelo seu lugar ao sol na música.

PdA: Famalicão é o berço do Laurus Nobilis. Num futuro, próximo ou não, pretendem expandir horizontes e mudarem-se para outra região onde consigam albergar mais espetadores? 

JA: Enquanto as nossas parcerias com o município de Vila Nova de Famalicão, à cabeça, apoiarem o nosso projeto não vemos lógica em mudar o Laurus Nobilis de região. Aliás, o nosso público prefere muito mais uma localidade que não seja tão central, que não tenha contornos citadinos como é o caso do nosso recinto.

“Acreditamos num mundo onde a cultura e a arte – e já agora a educação – seja uma evidência.”

Quem vem ao Laurus está em perfeita harmonia com a natureza e sente-se bem. Temos bons acessos e boas condições para os festivaleiros passarem três dias a ouvirem boa música. A par de partilharem as mais diversas experiências num ambiente natural. Também rural, mas para todos os efeitos a poucos quilómetros das grandes cidades do Norte do País.

Estamos abertos é, em vez de termos só a edição de verão, fazermos uma outra edição de inverno. Será num recinto coberto, noutra região do país, ou mesmo na nossa vizinha Galiza. Até porque somos visitados todos os anos por muitos festivaleiros Galegos e estamos a estudar e abertos essa hipótese.

PdA: Qual a essência por detrás do Laurus Nobilis?

JA: A essência do Laurus Nobilis, é um pequeno grupo de amigos, neste caso a Associação Ecos Culturais do Louro (entidade proprietária da marca Laurus Nobilis) que vê na arte, na cultura – principalmente a de teor amador – uma forma de vivência que comunga parcialmente com o ideal de um mundo melhor. Um mundo que não se reja apenas pelos princípios do capital. Mas sim pela abertura da partilha e da ajuda mútua nas várias variáveis que a vida proporciona no dia, a dia.

Em suma, acreditamos num mundo onde a cultura e a arte – e já agora a educação nos mais variados setores – seja uma evidência e que estas premissas ajudem essencialmente a tornar a sociedade mais justa e acolhedora. Que não passemos o nosso tempo a correr para as farmácias em busca dos anti-depressivos, mas sim a ir ao teatro, concertos, exposições, partilhar livros, experiências, ideias, etc.

Chegada a hora de irmos para o nosso trabalho, irmos de cabeça limpa e assim darmos mais rendimento à entidade patronal, para eles, os empresários terem possibilidade de apoiar projetos como os da Associação Ecos Culturais do louro. Além do Laurus Nobilis, temos também o projeto mais importante de todos que é a Casa do Artista Amador. É um espaço multifacetado dedicado inteiramente à arte de teor amador. Brevemente estará ao dispor de quem tem talento e precisa de um empurrão para assumir o seu talento. Basicamente é esta a nossa missão. É esta a nossa essência. Proporcionar e ajudar a quem faz da arte uma forma de vida. Mesmo que tenha pouco tempo e condições para se dedicar a estas causas nobres.


Entrevista: Mónica Ferreira

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