Texto: Sandra Gaspar
Fotografias: Ivo Carvalho

Os Iron Maiden atuaram esta segunda-feira, dia 11, no MEO Arena. A primeira parte ficou a cargo dos The Raven Age que amornaram o público para os britânicos.

Com um MEO Arena composto mas não esgotado para ver, segundo muitos, a melhor banda de metal do mundo, as hostilidades abriram com os novatos The Raven Rage. O quinteto do qual faz parte George Harris, guitarrista filho de Steve Harris, entrou no palco disposto a conquistar o público português. Michael Burrough, o vocalista, não se cansou de repetir ao longo dos 40 minutos que durou a atuação, que o público português é o melhor público de Metal do mundo.

The Raven Rage podem ser a nova geração do Heavy Metal mas não convencem os fãs acérrimos de Iron Maiden. O seu estilo melódico com poucas referências ao som clássico de Maiden não foi suficiente para aquecer a multidão que aguardava a sua banda favorita. “Angel in disgrace”, a música que encerrou a participação desta banda de abertura, foi mote para a gravação do seu novo videoclipe. Despediram-se do público com a frase:

Iron Maiden no palco na hora exata, fazendo jus à pontualidade britânica, iniciaram o seu concerto com a gravação de “Doctor Doctor” dos UFO, pondo imediatamente os seus fãs a cantar ainda de luzes acesas e sem nenhum elemento em palco.

O cenário que abre caminho para o universo de The Book of Souls, o último álbum da banda e que dá o mote a esta digressão, é composto por pirâmides de inspiração Inca, levando-nos por uma viagem no interior de uma floresta perdida e apresentando Bruce Dickinson como chefe da sua tribo junto a um tambor/caldeirão de poção mágica iniciando a capella mais este concerto. E, a sua tribo respondeu: gritando, aplaudindo, pulando! Mantendo viva esta soul do metal.

Bruce Dickinson, no seu look casual de sweat de capuz preta, calças de caqui e cabelo curto, anos luz das indumentárias mais extremistas dos seus seguidores, continua a ser o líder incontestável e a personificação do sentimento puro do Heavy Metal, não desapontando mais uma vez neste The Book of Souls.

Depois da referência incontornável ao futebol nada melhor do que recordar “Children of the Damned”, Dickinson tem razão quando fala nestas músicas que foram escritas quando a maior parte dos novos fãs da banda ainda nem sequer eram nascidos. Mas é essa transversalidade, que junta pais e filhos num concerto,  que tem garantido a continuidade da banda, a sua frescura e a sua motivação. E, são essas músicas que fazem vibrar este público.

Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers continuam a encantar com os seus fantásticos solos e a energia de Steve Harris é simplesmente contagiante. Nicko McBrain na bateria dá o mote a este ensemble.

E tal como cada carta do tarot diabólico que aparecia no fundo do palco, estes elementos continuam hoje a conjugar-se para uma “mão” fantástica. As cartas de tarot dão lugar a uma ilustração de Eddie, mascote da banda, feito símbolo/medalhão sul americano e é pano de fundo para “The Red and The Black” que vem mais uma vez comprovar que os Iron Maiden ainda têm muito para dar ao Heavy Metal e aos seus fãs.

Os temas mais antigos, acompanhados por um Eddie empunhando a bandeira de Inglaterra, como o “The Trooper” levaram os fãs ao rubro. O cenário, como habitualmente, foi sempre mudando e acompanhando as músicas, apresentando um Eddie em diversas representações. Assim com as mudanças de acessórios de Dickinson, Sendo reforçado com o jogo de luzes e pontos de fogo em palco.

“Powerslave” foi a grande surpresa da noite, um tema que não era tocado ao vivo há muitos anos em Portugal e que fez a felicidade do público presente. Entre músicas ouvia-se: Campeões, Campeões e um Dickinson provocador perguntava se tinha havido algum jogo na noite anterior.

“The Book of Souls” inicia com um solo destacando apenas os guitarristas, para depois ser iluminado com a entrada dos restantes elementos da banda finalizando com chamas espalhadas pelo palco e com a entrada de um Eddie gigante a tocar a sua guitarra invisível e a lutar com os elementos da banda. Este Eddie é posto fora de palco quando Dickinson lhe arranca o coração e espalha o seu sangue sobre os incautos da primeira fila.

“Hallowed be thy Name” segue esta performance, apresentando um Bruce Dikinson com uma corda com um nó de enforcado pondo a MEO Arena a cantar em uníssono e abrindo as hostilidades para “Fear of The Dark”, música incontornável de Maiden e que trouxe a sala de espectáculos abaixo.

Altura perfeita para a música Iron Maiden, que dá o nome à banda, desvendar a cabeça do Eddie de The Book of Souls, um insuflável gigantesco que ocupava o palco magistralmente, encerrando apoteoticamente este concerto ao explodir num efeito de pirotecnia. Luzes apagadas o público ansiava pelo encore. Ele chegou com “The Number of The Beast”, apresentando a própria “besta” em palco, cornos e tudo e um Steve Harris com a camisola da seleção portuguesa.

Dickinson encerra dizendo que não podia estar num sítio mais fantástico do que Lisboa esta noite e a agradecer ao público por ser exactamente o que é. “O mundo inteiro é Lisboa esta noite”, dizia emocionado.

E nada mais simbólico para completar este discurso do que a música “Blood Brothers”. O encore acabou com ‘Wasted Years’ e podemos garantir que este concerto não foi claramente “wasted”.

Os “oldies” Iron Maiden são o exemplo de uma banda que atravessa gerações, sem preconceitos e que une os seus fãs ano após ano, mostrando a muitas “jovens” bandas o que é realmente um concerto de Heavy Metal.

Iron10

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