Os Pixies apresentaram esta segunda-feira “Head Carrier”, o seu sexto disco, perante um Coliseu do Porto a transbordar e ainda nos atiraram com alguns clássicos.

A noite de segunda-feira começou a aquecer com os Fews, a banda que tem vindo a acompanhar os Pixies nesta digressão europeia. O espetáculo arrancou com um “Olá Porto, tudo bem?” e durante cerca de meia hora encheram o público de energia, preparando-a assim para o que se seguia.

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Eram cerca das 21h30 quando os Pixies subiram ao Coliseu do Porto e desde logo que a plateia ficou em êxtase. Ainda que tenha começado com Joey Santiago a precisar de fazer alguns ajustes na sua guitarra, o público, composto tanto por aqueles que cresceram ao som dos norte-americanos como por aqueles que não acompanharam a ascensão da banda, não se sentiu incomodado e até achou alguma graça à boa disposição e à vontade de todos os membros com este pequeno percalço.

No ano em que celebram três décadas de carreira, os Pixies trouxeram-nos “Classic Masher”, “Baal’sBack”, “Oonas”, “All I Think About Now” e “Um Chagga Lagga”, deste seu sexto longa duração mas o público, ainda que tenham apreciado os novos temas, estavam sedentos dos velhos clássicos e “Guess What?” Eles não faltaram! E verdade seja dita, foi quando começaram a ecoar pelo Coliseu os grandes êxitos dos norte-americanos, que o tudo e todos entraram em euforia.

Assim que soaram os primeiros acordes de “Where is My Mind?”, o povo que estava sentado na galeria levantou-se de imediato e não resistiu a gingar ao som da canção, a cantá-la e, como já é habitual, a gravar com os seus dispositivos móveis este momento. “Monkey Gone to Heaven”, “Debaser” e “Wave of Mutilation” foram também outros temas míticos que foram recebidos de braços aberto mas foi com “Here Comes Your Man” que o Coliseu delirou por completo, emprestando as suas vozes e executando assim um coro perfeito, exímio, ao mesmo tempo que saltavam e batiam palmas.

Ao fim de quase duas horas de um concerto non stop, Black Francis, David Lovering, Joey Santiago e Paz Lenchantin, despedem-se de nós com um sorriso estampado nos rostos e fazem questão de percorrer o palco de uma ponta à outra a acenar e a atirar-nos com um “obrigado”. Foi a única vez que se dirigiram mesmo a nós. São pessoas de poucas palavras, poucas interações. Preferem fazê-lo com as suas canções e fazem-no com muito sucesso.

Contudo, o espetáculo ainda não tinha terminado. Depois de sentirem que ainda não nos chegava, que não estávamos cansados mas sim sedentos de mais Pixies, anuem com “Into the White”, ao mesmo tempo que ficam envoltos em uma densa nuvem branca de fumo que se espalha por todo o Coliseu. Estávamos ali, sem conseguirmos ver em condições o que se passava no palco devido a este “nevoeiro”, fazendo-nos mais sentir o que estavam ali a cantar.

Respeito e admiração pelos norte-americanos foi o que se viu naquele Coliseu. “Head Carrier” ainda não chegou ao topo como os seus discos anteriores mas para lá caminha ainda que se calhar um pouco mais devagar. Um concerto bastante bem melhor do que aquele que vimos em julho passado no Passeio Marítimo de Algés, no âmbito do NOS Alive, o que nos leva a concluir que eles conseguem-nos agarrar de uma forma mais direta, mais abrasiva em salas fechadas, onde somos “obrigados” a ser possuídos com as suas sonoridades, onde ficamos ali tão mais pertinho deles.

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Texto: Mónica Ferreira

Fotografias: Bruno Ferreira