Os Linda Martini trouxeram esta sexta-feira “Sirumba”, o seu quarto LP, ao Hard Club (Porto). Um concerto esgotado que mexeu com todos os presentes.

Ainda faltava pouco mais de meia hora para o arranque do concerto dos Linda Martini e já fila se perdia de vista. Melhor, filas, porque uma não chegava para albergar todos aqueles que esgotaram esta noite no Hard Club.

Com cerca de meia hora de atraso, os “Putos Bons” de Queluz/Massamá, André Henriques (voz e guitarra), Cláudia Guerreiro (baixo), Pedro Geraldes (guitarra) e Hélio Morais (bateria) subiram ao palco decididos a jogar à “Sirumba” com todos nós.

Com um alinhamento pensado e adequado a esta noite, o concerto arrancou com “Era Uma Vez o Corpo Humano” seguindo-se “Unicórnio de Santa Engrácia”, o cartão de visita deste novo trabalho, lançado há mais ou menos um ano, cuja capa serviu de pano de fundo. Desde os primeiros acordes que foi notória a empatia entre o público e a banda e foi no explosivo refrão que o Hard Club se fez ouvir quase mesmo ao ponto de abafar André Henriques.

A modéstia é um das características mais evidentes da banda tanto dentro como fora de palco e com “Sirumba” ficou marcada a posição do “Não quero ser doutor” e muito bem. Com tanto talento, com estes quatro amigos a andarem de braços dados com a música, seria uma espécie de desperdício perdê-los para o nosso belo sistema de saúde. Bom, dão-nos saúde de outra forma.

A banda faz a sua primeira pausa para se dirigir a nós com um “Obrigado Porto”, ao qual retribuímos com inúmeros aplausos e gritos de apreço. Estava na hora de recuarmos até 2010 e entrarmos na “Casa Ocupada” com “Juventude Sónica”. Este foi um dos momentos mais intensos de todo o espetáculo, com o público a vibrar e a cantar em plenos pulmões. O público desta noite era notoriamente mais velho mais maduro, mas depressa se deixou levar pelo espírito jovem que habitualmente está guardado meticulosamente dentre de cada uma daquelas pessoas e todos viraram uns putos rendendo-se aos mosh, saltos e até uns corajosos crowsurfing.

“Preguiça”, “Putos Bons”, “Comer Por Dois”, “Dentes de Mentiroso”, “Bom Partido” e “Farda Limpa”, todos parte integrante do novo disco, foram intercalados ou outras grandes canções que já nos são tão conhecidas como “Amor Combate” – que cala os Linda Martini que nos dão a possibilidade de brilharmos -, “Mulher-a-dias”, “Estuque”, “Volta” e “Dá-me a Tua Melhor Faca”.

A primeira parte do espetáculo acabou com “O Dia Em Que a Música Morreu”, o mesmo tema que encerra “Sirumba” e que sucedeu “Ratos”, uma canção serve muito bem de ignição para revoluções.

Contudo, para o público era impensável que jogo terminasse aqui e exigiu um prolongamento para que esta noite fosse vitoriosa.

Os Linda Martini retornaram ao palco e brindou-nos com “Dez Tostões”, “Panteão”, “Este Mar” e “Belarmino Vs.” e a tão desejada e pedida ao longo desta noite, “Cem Soldos Sereia”. Estava instaurado o caos no Hard Club, com tudo e todos a deixarem-se levar pela loucura da bateria pujante, das guitarras descontroladas e a mostrarem novamente os seus dotes de coro exímio.

Os Linda Martini foram de facto a presa e nós os predadores, até porque os abraçámos a cada canção. Mas quem se importou? Ninguém. Com os Linda é sempre bom estar quer na pele de presa quer na de predador.

Para acederes à galeria completa clica aqui.


Texto: Mónica Ferreira

Fotografias: Bruno Ferreira

Comentários