Os Guns N’ Roses passaram por Lisboa esta sexta-feira, onde atuaram, no Passeio Marítimo de Algés, perante cerca de 60 mil pessoas.

Ainda faltavam largas horas para o concerto dos Guns N’ Roses começar e a fila já se perdia de vista e quase 60 mil pessoas rumaram junto ao Tejo para assistir a este espetáculo que reúne Axl Rose e Slash no mesmo palco. Todos estavam vestidos a rigor, quer fosse de vestes negras, quer com camisolas e demais merchandising dos Guns N’ Roses.

Foi há mais ou menos um ano que Axl veio a Portugal acompanhar os AC/DC e havia muitos fãs com a dúvida se a performance que viríamos esta sexta-feira seria igual à que tínhamos visto em 2016 mas nada como esperar para ver.

O final de tarde começou com Tyler Bryant & The Shakedown que subiram ao palco gigantesco cheios de energias e decididos a por-nos a mexer. Ainda com o recinto assim para o vazio, com as pessoas a entrarem a conta-gotas, o rock dos americanos foi de facto uma aposta para este início de noite, onde estiveram sempre a puxar por nós. Conclusão: um bom pré-aquecimento para os espetáculos que se seguiam.

Se os primeiros a atuarem nesta noite foram uma espécie de cântico de chamamento para o povo que estava meio perdido pelas imediações do Passeio Marítimo de Algés, atraindo-o para os seus lugares, com Mark Lanegan a coisa já não funcionou assim muito bem. Melodias diferentes, mais calmas que contrariava a vontade de explosão energética de todas aquelas quase 60 mil pessoas que estavam ali.

Depois de uma breve pausa, estava na hora do verdadeiro concerto, isto é, dos GnR subirem ao palco porque, afinal de contas, eles foram o motivo de tantos milhares de pessoas estarem ali. Com tudo escuro, surge o logo da banda acompanhado por sons de disparos. Não, não estávamos no meio da guerra, estávamos sim prestes a entrar numa máquina do tempo e viajar pelos maiores êxitos de sempre da banda.

Soa o jingle inicial dos Looney Tunes e este é o verdadeiro arranque para a dita viagem. A banda de Axl começou a subir ao palco e num movimento quase que ensaiado, há uma ascensão de telemóveis para registar este momento que dava o pontapé de saída daquele que será um dos concertos do ano.

Ao ver Axl e Slash é notória a satisfação dos fãs. A dupla consegue proporcionar momentos únicos, de cumplicidade, de partilha – quando não estão de costas voltadas por demais advertências. Depois de “It’s So Easy”, “Mr. Brownstone” e de um “Boa Noite” que introduz “Chinese Democracy”, o vocalista dirige-se ao público: “You know where you are?” (Sabem onde estão?), introduzindo assim o tema que se seguia “Welcome to the Jungle”, umas das canções de maior sucesso da banda que fez o público explodir de alegria, saltando ao mesmo tempo que formavam um coro fora de série.

Durante todo o concerto os fãs foram acompanhando Axl nas vozes sem nunca mostrar sinais de cansaço ou abrandamento. Durante “Live and Let Die”, todos levantaram as mãos e cantaram o refrão com uma intensidade única e, para prazer do público, durante o solo, Slash fazia sons ao microfone para acompanhar os sons produzidos pela sua guitarra.

Os Guns N’ Roses presentearam-nos ainda com uma homenagem a Chris Cornell – vocalista dos Soundgarden que faleceu no passado dia 18 de maio – ao interpretarem “Black Hole Sun” e de certeza que Cornell, esteja onde estiver, não ficou indiferente a este tributo tal como o público que aplaudiu e mostrou o seu apreço de todas as formas possíveis e imaginárias.

Já todos conhecíamos os músicos em palco mas Axl não deixou de nos apresentar uma outra vez. Ao ouvi-lo pronunciar afincadamente e com mais ênfase  Slash, os fãs não se contiveram e explodiram de alegria e o guitarrista deu-nos de bandeja dois solos irrepreensíveis:  “Johnny Be Goode” e o mítico tema do filme “O Padrinho”, “Speak Softly Love”, para depois dar início a “Sweet Child O’ Mind”.

Axl senta se ao piano e dirige se ao público “I can go on all night if you want” (Consigo aguentar toda a noite se quiserem), recebendo uma resposta positiva do público, começando a tocar “November Rain”, mas não sem antes de nos brindar com uma versão de “Wish You Were Here”, um original dos Pink Floyd, onde Fortus e Slash estão numa espécie de despique, numa brincadeira que duraria até à morte, segundo o próprio Rose. Seguiu-se “Knockin’ on Heaven’s Door” e a primeira parte do concerto termina com “Nightrain” e com um público que não mostrava sinais de fadiga.

A banda retirou-se do palco, mas o público pede por mais e mais e o seu desejo é atendido. “Patience” abre o encore, seguida de “There was Time” mas quando se começa a ouvir os primeiros acordes de “Paradise City”, as pessoas não contêm as emoções até porque já havia quem estivesse a fazer beicinho porque esta canção poderia ter ficado de fora do alinhamento desta noite mas não, foi mesmo só para nos deixar ansiosos até ao final.

O concerto estava mesmo a terminar e os GnR proporcionaram-nos uma saída do Passeio Marítimo de Algés ao som de “You Know My Name”, uma canção escrita por Chris Cornell para o filme “007 – Casino Royale” que acabou numa explosão de confetes.

Em suma, tivemos quase três horas de um concerto onde o som estava limpo, cuidado, com os Guns N’ Roses no seu esplendor e a mostrar que estão aqui para ficar. Difícil? Nem pensar nisso! Afinal de contas (felizmente), muitos destes êxitos têm vindo a passar de geração para geração, propagando assim o legado da banda de Los Angeles.


Texto: Bruno Ferreira

Comentários