Os GNR comemoraram ontem os 30 anos de “Psicopátria” no Teatro Rivoli, no Porto. A primeira parte do concerto ficou a cargo dos Lobos que aqueceram todos os presentes para o que aí vinha.

Com uma casa completamente esgotada para assistir a um dos melhores espetáculos de sempre, os Lobos subiram ao palco do Teatro Rivoli, no Porto, e atuaram perante uma plateia sedenta de “Psicopátria“.

Para eles foi uma grande honra serem convidados para esta festa até porque partilhavam uma obsessão com o público: Os GNR. Um concerto dedicado a Miguel Ribeiro que, mesmo com alguns percalços técnicos pelo meio não deixou ninguém indiferente à sua música.

Eram 22h45, as luzes apagam-se e os fãs começaram logo com aplausos e gritos, ansiosos para verem e ouvirem os GNR. O concerto começou pelo fim do disco com “To Miss“, com um palco vazio, apenas com o vídeo como fundo. Lentamente as luzes começam a acender-se e, num contra-luz espetacular, a banda entra em palco e Rui Reininho dá sinal de que é agora e já que vamos recuar até 1986: “Cá vamos” e assim foi.

Ouviu-se logo de seguida  “Pós-Modernos“, “Bellevue“, “O Paciente“, “Dá Fundo“, “Cerimónias” e, num ambiente intimista, Toli César Machado presenteia-nos com um solo ao piano de nos cortar a respiração. Estavam todos num silêncio profundo a ver e absorver o que ali se estava a passar e no final ainda teve direito a uma grande ovação. Este foi um álbum que marcou um vasto leque de gerações e continuará, certamente, a marcar outras tantas. Rui Reininho, com um look bastante descontraído, bem disposto deixou levar-se pela música assim como três jovens destemidas que largaram de imediato as cadeiras e balançaram o corpo ao som desta canção.

De repente  o comboio chega a “Coimbra B“, com um Reininho cheio de “swing” no corpo, com aquele humor que já lhe é tão característico e seguiu-se um dos temas mais badalados deste disco. Assim que soaram os primeiros acordes de “Efectivamente” as cadeiras ganharam molas e impulsionaram meia sala que se derreteram a dançar, a cantar e a saltar.

Como sempre, estavam todos bem afinadinhos, num coro quase irrepreensível, não houvessem uns quantos acanhados, com a letra toda na ponta da língua, numa euforia abismal.

Jorge Romão estava encarregue da animação. Sempre bem disposto, e com aquela energia contagiante sempre de um lado para o outro do palco, lá ia puxando pelo público, pedindo palmas e os fãs, como bons obedientes, esticavam logo os braços e batiam palmas ao compasso de cada canção.

Seguiu-se “Ao Soldado Desconhecido“, “Nova Gente” e, para terminar, “Choque Frontal“. O concerto tinha, supostamente, terminado. Afinal de contas, “Psicopátria” foi exibido “quase numa estreia mundial”, como gracejou Reininho, ali no palco do Rivoli.

Mas nada melhor do que nos trazerem ao presente com “Cadeira Elétrica” do último disco intitulado “Caixa Negra”. Foi neste momento que algumas pessoas “quebraram” as barreiras de segurança, deixaram tudo para trás e rumaram à frente do palco.

A idade passou-lhe pelo corpo mas não pela alma, não estivessem os GNR com o mesmo espírito, com a mesma qualidade com que nos presenteiam há já 35 anos.

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