Este sábado todos os caminhos foram dar incondicionalmente ao Pavilhão Multiusos de Gondomar. Porquê? Porque Diana Krall estava lá e ia-nos derreter com a sua voz e com o seu jazz. Se o fez? Absolutamente.

Ainda estava de dia quando as pessoas começaram a tomar conta do Pavilhão Multiusos de Gondomar para assistir ao concerto de Diana Krall. Cá fora, haviam as típicas barraquinhas dos cachorros, das hambúrgueres águas e refrescos e já havia quem fosse matando o “bichinho do estômago” antes do espetáculo.

Já lá dentro, as pessoas que chegavam em cima da hora já quase que corriam para os seus lugares para não perderem um único minuto do concerto (se bem que houve um outro que chegou fora de horas). Com 15 minutos de atraso, as luzes do pavilhão apagam-se e os instrumentos, que estavam todos concentrados no centro de um palco ainda grande, iluminam-se e Diana Krall (voz e piano), Anthony Wilson (guitarra), Karriem Riggins (bateria) e Robert Hurst (violoncelo) entraram em palco acompanhados de grandes aplausos e sem grandes demoras tomaram conta dos seus instrumentos e deram início ao espetáculo com “Just Found Out About Love”.

Neste primeiro tema, houveram umas espécies de solos, onde cada músico deu o melhor de si (como em todo o concerto) e claro que foram sempre bem aplaudidos.

Seguiu-se “All or Nothing at All” e Diana confessa-nos que tem muitas canções reservadas esta noite para nós sobre o amor, arrematando com um “Espero que gostem”. Como é que podemos não gostar? Impossível. “Let’s Fall in Love” é o tema que melhor descreve o espetáculo deste sábado à noite. Porquê? Porque a cada canção apaixonávamo-nos. As variações de intensidade, de volume em cada tema percorria-nos o corpo até mesmo quando Diana estava em silêncio conseguíamos perceber e sentir a mensagem que nos queria transmitir. Na verdade, eram estes momentos de silêncio vocal que complementavam o que era cantado.

Ainda mal tinha começado “I’ve Got You Under My Skin” e já o público aplaudia e um ou outro mais “rebelde” soltou um grito de satisfação mas de forma muito rápida. Todos os que ali estavam era para ouvir Diana e os restantes músicos, não para se porem com manifestações e “poluírem” o espetáculo, até porque a banda não parava nem por um minuto a não ser nos finais das canções, onde permitiam tais ovações.

Séria, como se pensativa estivesse, compenetrada no que cantava, no que tocava, quase sem nunca nos encarar foi a posição tomada por Diana Krall. Parecia não ter muito jeito par as palavras, para se dirigir a nós, só queria estar ali a fazer o que mais gosta ao mesmo tempo que nos deliciava tema atrás de tema.

As variações de luzes, os efeitos produzidos nas telas do fundo e laterais, levavam-nos a viajar por imaginário alternativo. Não, não estávamos sobre o efeito de drogas de recriação, não estávamos de todo a alucinar mas sim a absorver a música daquelas quatro pessoas que estavam em palco.

A dada altura, a pianista diz-nos que umas vezes rege-se por uma setlist e noutras não e em tom de brincadeira, diz-nos que não vai falar mais porque senão fica sem nada para cantar. Foi assim que nos introduziu “A Night We Call it a Day”, com um grande solo seu no início que nos leva a fechar os olhos e ficar ali, alerta, de ouvidos bem atentos.

A bateria que na maior parte das bandas tem sempre um som estridente, aqui era quase como que um apontamento ao mesmo tempo que o piano se fundia com guitarra.

Se este espetáculo nos parecia ensaiado? De todo. A música saía-lhes da alma, o corpo movimentava-se naturalmente, seguindo e sentido as melodias. Nós também não resistimos e desde logo nos deixámos contagiar e batíamos o pézinho e abanávamos a cabeça ao compasso da canção sem nunca tirar os olhos do palco. Até nos conseguíamos abstrair das desconfortáveis cadeiras em que nos sentaram.

No inicio do concerto não se percebia porque é que os instrumentos e músicos estavam quase “encavalitados” uns em cima dos outros. A esta altura do espetáculo já se sabia a razão. Todos eles têm uma cumplicidade fantástica, apoiam-se uns nos outros, não funcionam uns sem os outros. Este sábado não foi dia de Diana Krall mas sim de Diana Krall, Anthony Wilson, Karriem Riggins e Robert Hurst. Eles sim formam um todo, um todo onde cada elemento tem relevância igual ao outro, protagonismos iguais.

“Esta é uma das minhas canções favoritas de sempre”, é assim que nos anuncia “How Deep is the Ocean” e lá nos foi dando música até “Deed I Do” que encerrou a primeira parte do concerto. Uma casa bem composta que se despediu (por pouco tempo) dos músicos com ovações de pé.

De volta ao palco para o encore, diz-nos que nunca sabe começar esta canção e já a tocou tantas vezes e agradece aos seus companheiros com um “ainda bem que os tenho comigo”. Lá arrancou com “Boulevard of Broken Dreams” e numa pausa a plateia não resistiu em tornar o espetáculo numa espécie de discos pedidos. Lá ao fundo, alguém grita “The Look of Love” e Diana retorquiu com um “já que pediram…”. Sim, fez-nos a vontade.

“This Dream of You” deu por terminado o espetáculo. Diana, se gostas de voltar ao Porto, acredita que nós também gostamos muito de receber.

Diana-Krall

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Texto: Mónica Ferreira
Fotografias: Bruno Ferreira

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