David Fonseca juntou-se à Associação CAIS e trouxe até à Casa da Música, esta quinta-feira, a “Hit Parade”. Um espetáculo onde as pilhas Duracel eram quase obrigatórias.

David Fonseca subiu ao palco da Sala 2 da Casa da Música para um concerto que, além de brotar energia por todos os lados, tinha uma razão muito especial: ajudar a Associação CAIS.

Às 18h desta quinta-feira, aos poucos e poucos, os fãs começaram a chegar à Casa da Música afim de conseguirem garantir um bom lugar na plateia. Sendo este um concerto em pé, com um palco pequeno, o que mais queriam era estar bem próximo de David Fonseca.

Pouco depois da hora marcada, David Fonseca entra em palco e sai-se com um “Boa noite Porto”. Claro que todos começaram aos gritos e aos aplausos pois sabiam que daqui só iria sair coisa boa (e saiu mesmo). “Rocket Man” foi o motor de arranque deste espetáculo; um tema de Elton John que nos é tão conhecido na voz de David, numa versão bem mais mexida que a original.

Everybody Gotta Learn Something” de The Korgis, foi o tema que seguiu. Com o palco iluminado em tons de laranja e amarelo, a melancolia da canção tomou conta de todos. Embarcados nesta viagem, neste regresso ao passado, do nada David troca o violão pela guitarra e somos depressa levados a “A Cry 4 Love“, em non stop, numa espécie de medley para nos pôr em grande euforia.

Estava na hora do leiriense fazer uma revelação: assumiu-se como “uma fã histérica”, aquando do concerto de Ryan Adams. “Two“, foi a terceira canção do alinhamento deste espetáculo.

Kiss me, oh Kiss me“, ecoou pela Sala 2 da Casa da Música e, aos primeiros acordes, a plateia assumiu o papel de “fãs histéricas” e acompanhou David neste tema, emprestando as suas vozes em alguns momentos em que a banda acalmou as batidas para que se ouvisse, em alto e bom som, o público, algo muito digno de coro de igreja em bom.

Uma centena e meia de canções foi a seleção que fez para este espetáculo, todas elas com uma influência direta no seu percurso. Claro que era um exagero de canções para um concerto que começou pouco depois das 10 da noite mas é quase certo que os que lá estavam não se importariam de levar com David Fonseca a noite toda, afinal de contas ele parece ser movido a pilhas Duracell.

Ao som de David e a sua banda recuámos até 1964 ao som de “All Day and All Of The Night” dos The Kinks. Neste momento abre-se um caminho pelo meio do público e David vem até nós! Em véspera de 13 de maio, para muitos quase que foi a aparição de Nossa Senhora de Fátima, mas não, era mesmo o seu ídolo. Cantou e encantou todos os presentes que respeitaram o espaço do artista, deixando-o à larga mas os telemóveis apareceram todos para registar este momento.

David retorna a casa, diga-se ao palco, e segue-se “Stop 4 a Minute“. Óbvio que ninguém parou nem por um minuto ou um segundo sequer. Sempre com o diabo no corpo, que é como quem diz: a música, as letras na cabeça e na ponta da língua, o público foi acompanhando David Fonseca em cada investida musical.

Futuro Eu” numa espécie de remix com “Let’s Dance” do mítico camaleão David Bowie, um casamento perfeito destes dois temas, em plena harmonia, foi mesmo caso para dizer Bowie no Céu, David na Terra. Aqui, mais uma vez é mostrada a generosidade e o carinho que tem pelos fãs. Chega-se bem à primeira fila e vira o microfone para um moço que completa a letra do primeiro single do seu último disco.

“A próxima que se segue como não tem refrão fica para vocês”, foi assim que introduziu “Lithium” dos Nirvana. Como obedientes que são, os fiéis seguidores cantaram o refrão desta canção sem desafinar ou falhar. “Let’s Stick Together” de Bryan Ferry e “I’m on Fire” de Bruce Springsteen, com quem passou muitas horas na estrada; isto é, com as suas canções, foram os temas que se seguiram.

Depois de incendiar a Casa da Música, e com o espetáculo a meio, era altura de “Chama-me que eu vou“. Ele chamou e todos foram até ao concerto promovido pela Associação CAIS que trouxe David Fonseca à bela da Invicta.

Do nada ficamos às escuras e eis que David aparece de telefone na mão, o suficiente para sabermos que iríamos ouvir “Video Killed The Radio Star“. “Está sim Porto?” e desatou tudo aos gritos, aos saltos, aos aplausos e a dançar. Neste momento alguns de nós sentimo-nos verdadeiros condutores do GTA Vice City, um videojogo que tinha este tema dos The Buggles como banda sonora. “The 80’s” foi a canção que fez parte desta mistura de sons e que fechou mais este grande momento.

What Life is For” foi a verdadeira festa do paraquedas. Na apresentação do disco “Futuro Eu”, David teve a ideia de levar para os concertos um paraquedas que percorria o público, ou melhor, que o público fazia esforçar pelas suas mãos e, como correu tão bem esta experiência, porque não repeti-la?

Seguiu-se “Electric Dreams“, cujo o vídeo o intrigava porque falava de um computador que estava triste. “Muita droga se fumou nos anos 80”, disse-nos com um sorriso nos lábios e muitos foram aqueles que anuíram com a cabeça; misturado com “Little Respect“, fecharam a primeira parte do espetáculo.

Todos os músicos abandonaram o palco e foi de imediato que começaram os assobios com maior intensidade e um “só mais uma” aqui e acolá.

Como já o disse em concertos anteriores, encore há sempre, é uma coisa obrigatória, um acordo entre o público e o artista. A noite de quinta-feira fechou com “Once in a Lifetime” e não podia ter sido de melhor forma. Com David Fonseca a declamar este tema de Talking Heads, ao mesmo tempo que atirava para o público as folhas com este “poema”, este momento só foi possível ser vivido e sentido desta forma tão intensa porque o cantor impôs uma condição: “nada de telemóveis”. Todos consentiram, aceitaram esta regra de bom grado e recuámos ao tempo em que se iam a concertos e demais espetáculos apreciar o que ali se faziam nos palcos, e guardar na memória, no coração todos e mais alguns momentos melhores, mas sem dispositivos eletrónicos que nos fazem ver um grande espetáculo num visor tão pequeno.

David Fonseca esteve sempre com uma energia contagiante em palco, cativando tudo e todos, com aquele sorriso simpático e sincero a que sempre nos habituou nos seus concertos. Genica foi algo que não faltou a nenhum dos presentes, quer aos músicos quer aos espetadores.

A sala estava bem cheia de fãs. Fãs solidários que juntaram-se a esta causa com David Fonseca e uma coisa é certa: saímos todos de coração cheio, quer pela viagem que David nos levou, quer por estar a contribuir para uma causa nobre. Assim, ajudar não custa.

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