Conquistou-nos como Chet Faker e ainda causa alguma desconfiança em nome próprio, mas Portugal vai ter sempre espaço no coração para Nick Murphy.

Dois anos depois da última passagem por Portugal, Nick Murphy regressou com um novo disco, agora em nome próprio. É mais experimental e com mais camadas, é de um artista ainda a caminho de descobrir a sua identidade em palco.

Faltava mais de uma hora para o concerto e as filas e a ansiedade já cresciam ao redor do Coliseu do Porto. Contudo, quando às 21h Cleopold abriu a primeira parte, não teve direito a muitas euforias. O músico australiano deu um concerto morno. Ou seja, entrou e saiu de palco sem despertar grande interesse no público que ia chegando.

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Como um encantador de audiência, Nick Murphy chega e diz-nos “Vou tocar algumas músicas que fiz durante a minha curta existência no planeta terra” e arranca um silêncio a uma sala esgotada.

De guitarra ao centro ataca “Hear it Now”, canção que também abre o novo “Run Fast Sleep Naked”. Logo de seguida – e sem grandes pausas – puxa a fita atrás até um sempre bem presente passado como Chet Faker e lança (para um mar de telemóveis ao alto) um dos seus maiores sucessos, “Gold” e a super dançável “1998”. Respiramos um bocadinho com “Harry Takes Drugs on The Weekend”, mas de imediato volta a subir a intensidade com duas músicas tiradas de “Work” (EP feito em colaboração com Marcus Marr) “Trouble With Us e Birthday Card”, enérgicas e cheias de vida, conseguiram arrancar muita gente da plateia em pé para dançar. Nota máxima para as projeções vídeo em palco que estiveram sempre no ponto e foram o complemento perfeito.

A partir daqui o ritmo foi baixando progressivamente enquanto nos ia dando a conhecer algumas faixas do novo trabalho, carregadas de vários tipos de arranjos diferentes, desde um Jazz mais eletrónico, até a algo muito parecido a uma balada rock para chegarmos até dois dos momentos altos da noite.

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Uma belíssima e despida de grandes arranjos “I’m Into You”, com Nick sozinho e vulnerável ao piano a ser completamente abraçado por um coliseu cheio. Terminou com uma “Talk is Cheap” que teve direito a uma longa introdução ao piano, quase que espicaçando uma plateia que foi ao êxtase mal surgiram os primeiros sons de saxofone. Cantada do início ao fim a uma só voz num momento de perfeita união entre o artista e um público completamente rendido.

Saiu de palco debaixo de palmas e pés que batiam fervorosamente pedindo encore (e talvez mais de Chet Faker). Voltou rapidamente e sem grande esforço para trazer “Dangerous”, um Soul Jazz eletrónico cheio de sintetizadores e fechou com “Sanity”, faixa que nos deu a conhecer o novo álbum e que mostra um artista cheio de vontade de procurar e tentar coisas novas e diferentes sem nunca esconder ou esquecer o passado e as suas raízes.

Foi bom, mas saímos então com a sensação de que podia ter sido melhor e de que Chet Faker já conquistou o coração do público em Portugal, mas de que Nick Murphy ainda não o fez totalmente.


Texto: Mikael Gonçalves
Fotografias: Bruno Ferreira

SETLIST:

  • HEART IT NOW
  • GOLD
  • 1998
  • HARRY TAKES DRUGS ON THE WEEKEND
  • TROUBLE WITH US
  • BIRTHDAY CARD
  • YEAH I CARE
  • I´M INTO YOU
  • BELIEVE ME
  • NOVOCAINE & COCA COLA
  • TALK IS CHEAP

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  • DANGEROUS (encore)
  • SANITY (encore)
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