Nove anos depois da última passagem por Portugal (também no Campo Pequeno), Marilyn Manson regressou para apresentar o seu mais recente álbum, “Heaven Upside Down”.

Antes de Marilyn Manson subir ao palco do Campo Pequeno (Lisboa), DJ The Amazonica fez as honras da casa. Ele tentou aquecer os presentes ao som de vários temas rock e metal que passou, com algum hip-hop pelo caminho. Ouviram-se temas bem conhecidos de bandas como Nine Inch Nails, Slipknot, Deftones, Nirvana, Sepultura, Prodigy, AC/DC, Led Zeppelin, Black Sabbath, System Of A Down, Rage Against The Machine, entre outras.

Deu para entreter algumas pessoas que até cantaram alguns dos refrões, mas fica a sensação que teria resultado melhor uma (boa) banda, do que propriamente alguém a passar músicas de outros.

Todos estavam lá para ver Marilyn Manson e o que importava é que o concerto começasse rapidamente.

As poderosas “Irresponsible Hate Anthem” e “Angel With the Scabbed Wings” foram o motor de arranque deste espetáculo. Sabem sempre bem ouvir ao vivo mesmo que não sejam tocadas com a mesma intensidade de outrora. “Deep Six” é bem mais recente, mas soou poderosa e orelhuda ao vivo.

“The New Shit” deu início a um desfilar de clássicos com Manson agarrado a um urso de peluche, deitado no chão e sempre a cantar. Estar deitado foi uma constante durante todo o concerto. É sabido que sempre foi irreverente, mas esta postura pareceu exagerada e até mesmo algo displicente. Seria cansaço?

Marilyn Manson abusou também do número de vezes que atirou o microfone ao chão. Contudo, o público não pareceu importar-se com tais excessos. Afinal de contas, o que interessava era rever Manson e recordar com nostalgia as canções e o artista que marcou uma geração.

Neste sentido, a missão foi cumprida com muitos temas icónicos a serem tocados pelos músicos que compõem a banda atualmente.

Em “Mobscene” – uma das melhores da noite – o público correspondeu e Marilyn Manson afirmou adorar o público e que sentiu a sua falta. Em “Kill4 Me”, um dos dois temas tocados do novo álbum, subiram ao palco três fanáticas da banda, que dançaram ao som do mesmo.

Após um pequeno cheirinho de “I Don’t Like The Drugs (But The Drugs Like Me)”, chegou então a vez de “Dope Show”. Levou-nos até ao  conhecido álbum “Mechanical Animals”. “Sweet Dreams”, célebre cover de Eurythmics e primeiro grande êxito de Marilyn Manson, foi a mais cantada da noite, com o público que se encontrava sentado a levantar-se em massa.

“Say10” tem um excelente refrão para ser cantado ao vivo.

Aproximava-se o final do concerto e Marilyn Manson subiu ao habitual palanque para cantar a inevitável “Antichrist Superstar (não é que até aí se deitou por algum tempo?).

A nova versãp de “Cry Little Sister” ficou guardada para o fim, mas não superou as expectativas. A emblemática “The Beautiful People” emendou a anterior e “Coma White” até terminou em bom plano.

Este foi um concerto que ficou então um pouco aquém das expectativas. Terá sido um espetáculo suficientemente atrativo para uma boa parte dos fãs mais acérrimos de Marilyn Manson. Contudo, a voz do polémico cantor já teve melhores dias. O som da sala também não ajudou e faltaram mais alguns dos clássicos.

A sala estava praticamente cheia. Isto mostra que os que seguiram este nome incontornável da música pesada dos anos 1990/2000, continuam fiéis.


Texto: Mário Rodrigues
Fotografia: Nuno Conceição | Everything is New

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