O Coliseu do Porto abriu-se para mais uma edição do festival “Às vezes o Amor” para receber os Resistência. Um dia de S. Valentim chuvoso, com a cidade Invicta a precisar de animação depois do desaire futebolístico.

Muito espaço vazio na plateia em pé, algo que não pode ser surpresa dado o elevado preço dos bilhetes. Ao som de “Mano a Mano” arranca mais um concerto da Resistência, num 2018 que segundo a banda será um ano com muitas datas na agenda. E claro, segue “Nasce Selvagem” para aquecer as vozes do público e até a voz de Tim, afectado pela rouquidão. Os dois temas que fazem o clássico início de concerto da Resistência!

A potência de “Fado”, a introspecção “No Meu Quarto” e a alegria de “Vai Sem Medo” marcam os momentos seguintes até que chegamos a “Cantiga de Amor”, tema dos Rádio Macau, onde no refrão final Olavo Bilac cativa o público a erguer os braços. Este foi um dos primeiros momentos especiais da noite.

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O original de Jorge Palma “A Gente Vai Continuar” é o tema que se segue. A primeira das quatro novas canções preparadas pela Resistência no último ano. Avançando um pouco no tempo, chegamos a “Liberdade”, o enormíssimo tema original da Resistência que é peça fundamental de qualquer concerto deste grupo.

Alguma agitação em palco, com Tim a hesitar para entrar na música e depois dialogar com Miguel Ângelo e Olavo Bilac já depois dos primeiros acordes. Isto é algo pouco habitual num tema tão pensativo e tão profundo. Será que Tim iria conseguir executar a “sua” memorável estrofe? Pois bem, a verdade é que a encarou de frente e safou-se bem melhor do que o esperado, exceptuando um momento em que deu um “tiro ao lado”.

“A Resistência começou por ser um tributo a nós próprios, às nossas bandocas” – Tim

Com um novo álbum pensado para breve, segue “Se Te Amo”, um original da Quinta do Bill. Tal como nos restantes novos temas, nunca havia sido escolhidos para o repertório do grupo. Mas antes, ao apresentar o tema, Tim provoca o público puxando pelos “Os Filhos da Nação”, algo que na cidade do Porto rapidamente se transforma em “Os Filhos do Dragão”. Talvez o dia não fosse o mais indicado para os corações azuis e brancos…

Os telemóveis erguem-se para a primeira música do reportório dos Xutos & Pontapés, “Circo de Feras”. Segue-se “Só No Mar”, dos Heróis do Mar, que na Resistência tem um momento de liberdade criativa para os enormes músicos Alexandre Frazão e José Salgueiro. Como sempre, proporcionaram uns minutos muito especiais.

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Em estreia absoluta chega-nos “O Sopro do Coração”, tema criado pelos Clã. A música passa um pouco despercebida. Talvez se note que ainda não está em “ponto de rebuçado”. Especialmente comparando com “1 Lugar ao Sol”. Miguel Ângelo aproveita para registar em directo para as redes sociais as emoções do público portuense.

“A Resistência começou por ser um tributo a nós próprios, às nossas bandocas”, diz Tim com alguma piada, antes de se referir a um autor que foi uma grande referência para todos os autores integrantes da Resistência: José Afonso. “Chamaram-me Cigano” não deixa ninguém indiferente, de tanta animação e tanta alegria que carrega.

O concerto fecha-se pela primeira vez com “Não Sou o Único”, um tema cuja versão da Resistência vingou, escrito pelo eterno Zé Pedro.

Até ao final destaca-se ainda “Sete Naves”, tocada no início do único encore, um original dos GNR. É uma dedicatória de Miguel Ângelo: “Rui Reininho, estás aí? Esta é para ti!”. Naturalmente o concerto fecha com “Nasce Selvagem”, com a bandeira portuguesa levada ao vento por Olavo Bilac e José Salgueiro, já com todos os músicos a tocar de pé.

Um concerto clássico da Resistência, com direito aos novos temas que integrarão um futuro disco, onde o público portuense foi brindado com muita boa disposição em mais uma homenagem à música portuguesa.


Texto: Pedro Portela Beires
Fotografias: Júlia Oliveira

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