Os Anaquim rumaram à cidade Invicta na passada quinta-feira para apresentarem o seu novo disco, intitulado “Quarto de Anaquim”.

O palco da Sala 2 da Casa da Música transformou-se então no “Quarto de Anaquim”, o novo álbum da banda. Duas paredes a erguerem-se de cada um dos lados e uma cama ao centro, foi este o cenário trazido até à cidade do Porto.

A boa disposição estava instalada a partir do momento que os Anaquim pisaram o palco. O concerto arrancou com “Relógio”. Estava claro que se um dia quiséssemos pertencer à banda de Coimbra, bastar-nos-ia vestir uma camisola às riscas, calçar um par de All-Star e ter uma inigualável barba para sermos incluídos no grupo. Seguiu-se “Espelho Meu”.

Em noite de estreia para os cinco elementos da banda, o diálogo com o público disfarçou bem o nervosismo (isto se ele chegou de facto a existir), à medida que faziam soar no público várias gargalhadas. Uma delas provocada pela ambição do grupo em não querer “ficar só pelo quarto” e expandir-se também à cozinha com “5 Minutos”. Tema que levou o baterista, João Santiago, a improvisar um instrumento de percussão composto por utensílios de pastelaria que viria a ser tocado com dedais nas pontas dos dedos.

Fotografia de Nuno Trindade

“Chama-me Vida”, música que pertence ao primeiro álbum, conta a história de “uma miúda especial que tem o vício de espalhar coisas boas pelo mundo”. Ou então, uma viagem ao sul de França proporcionou “uma versão do fado das mariquinhas que não correu muito bem”. Mote para a criação do tema “O Fado Fugiu De Casa”, que “fala da aventura que seria de Portugal sem o fado”, acrescentou Rebola.

A maior parte dos temas foram introduzidos com uma pequena história.

O concerto contou com convidados, desta vez instrumentais, para surpresa do público. Bruno Ribeiro subiu então ao palco para o vibrafone, com quem cantaram “As Vidas Dos Outros”. Como banda simpática que são, tivemos então também a sorte de ouvir Paulo Bernardino, no clarinete, e João Seco, no trombone, com “Penso De Mais”.

Fizeram-se então ainda ouvir canções como “Bomba” e “Isto Está Feito Uma Selva”. O fim começou a aproximar-se com os primeiros acordes de “Balalaikas”, capazes de acordar quem se começava a render ao sono. Seguiu-se “Meio Caminho Andado”, um dos temas de lançamento do novo álbum.

A plateia tanto vibrava com “Optimista” como se deixava cair nas melodias de “Tenho O Amor Guardado Numa Caixa”. Quase como se aquele concerto se tratasse de uma feira popular. O ambiente quente e repleto de animação criado naquela pequena sala fazia com que o público quisesse à força toda comprar mais uma volta naquela roda gigante de boa disposição. Quem lá esteve, creio que não achará estranho o que acabou de ler.

De mãos levantadas e numa tentativa de um aplauso coletivo, despedimo-nos então de Anaquim com “Tom Sawyer” e “Livro De Reclamações”. No entanto, não houve nada a reclamar.


Texto: Rita Pereira
Fotografias: Nuno Trindade

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