“A Idade da Pedra” é o novo filme de animação liderado por Nick Park. Dez anos depois do lançamento da última curta-metragem, a mais recente aventura dos Estúdios Aardman chega-nos com uma receita tipicamente britânica – e o regresso aos métodos tradicionais.

Deixando para trás experiências com mais efeitos especiais, como “Piratas!” e com uma perfeita harmonia entre a tecnologia e a plasticina, a “Idade da Pedra” não é uma completa surpresa, mas vale a pena. No início do filme, após um pequeno prólogo, é-nos apresentado Dug (Eddie Redmayne). É o cómico e desengonçado protagonista, o seu javali de estimação e a sua tribo caçadora de coelhos.

Como na maioria dos filmes para crianças, Dug sonha com algo mais. É munido dessa vontade de mudança. É por isso que propõe à sua tribo que comecem a caçar mamutes.

Relembrado pelo Chefe Bobnar (Timothy Spall), com a ajuda de algumas pinturas rupestres – é tradição dos seus antepassados caçar presas de “pequeno porte” – Dug desanima-se com a ideia. A vida da tribo no vale é pacífica, até à chegada de Lord Nooth (Tom Hiddleston). Este nobre francês, arrogante e de mau feitio, faz-se acompanhar de um pequeno exército que expulsa a tribo das suas casas. Cegado pela ganância e o desejo de explorar bronze, Nooth é um vilão que enche o ecrã.

Num conjunto de peripécias, Dug acaba na cidade do bronze. É lá que descobre o futebol. Ainda que sem qualquer talento para o jogo “sagrado”, desafia a imbatível equipa da Idade do Bronze. Contudo, exige algumas condições: caso a sua tribo vença o jogo, poderá voltar ao vale. Mas, caso contrário, irá trabalhar nas minas. É então que surge Goona (Maisie Williams), a rapariga que não pode integrar a equipa da Idade do Bronze por ser rapariga. É Goona que ajuda a treinar a equipa da Idade da Pedra. A jovem acaba por ser revelar essencial para o desfecho desta aventura.

Uma aventura eecheada de trocadilhos deliciosos, a que já estamos habituados.

A estrutura da narrativa é, porém, algo familiar: possui os contornos de qualquer outra longa-metragem de desporto. Mas é a doçura e a cativação da animação que nos prende, assim como o extraordinário voice acting e a mistura certa de humor, mesmo quando este é simples e ridículo.

A acrescentar a tudo isto é ainda engraçado notar que Wallace e Gromit assistem à derradeira partida no meio da multidão ou tentar perceber o impacto do humor britânico, como os sketches dos Monthy Python, no resultado final d’”A Idade da Pedra”.

Melhor que isso, talvez a mensagem. Simples e direta, relembra-nos que a coexistência pacífica é importante, que a simpatia e a bondade para com o próximo são um fator distintivo e que a ganância não deve reger ninguém. Um filme delicioso com uma estética apetecível e gargalhadas garantidas.


Texto: Raquel Cordeiro

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