Whitney e Angel Olsen vieram até ao NOS Primavera Sound 2017 para encher o Parque da Cidade de amor, rock-indie e folk-rock.

O sol brilhava lá no alto já a ameaçar ir embora quando os Whitney subiram ao Palco Super Bock. Eles, que foram a grande revelação do Primavera Club em 2016, fizeram o NOS Primavera Sound recuar algures até à década de 70 e deram-nos, com amor, o seu rock-indie.

No ano passado passaram por Paredes de Coura e Lisboa e conquistaram. O que fizeram esta sexta-feira? O mesmo. Max Kakacek e Julien Ehrlich, os fundadores deste projeto, fizeram renascer “Light Upon The Lake” com “Golden Days” e “No Woman” – esta última ficou guardada para o final.

Não tinham dormido nada a noite passada. Passaram-na entre aeroportos e céus para cá estarem a horas. Eles já têm os seus fãs, sabem quem gosta deles e nós achamos muita piada a estes miúdos de Chicago.

“Dave’s Song” fez parte do alinhamento deste concerto, que duraria cerca de 50 minutos, mas foi com “Polly” que agarraram o Primavera. “Oh, no, no, no, no/ If only we were young/ You’d make me feel hung up”, e os jovens, que compunham a grande maioria do público, fechavam os olhos, absorviam o sol quente deste final de tarde, cantavam e sentiam cada palavra. Curioso, não é?

Vocalista e baterista, Ehrlich desabafou. Contou-nos que adoram o Porto mas que ainda assim, o fraquinho que sentem por Lisboa é ligeiramente maior. A Invicta não se importou. Ou se calhar até sim mas perdoou. Anda cá mais umas vezes e não vais conseguir decidir qual a cidade que preferes.

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Vamos jantar? Não, ainda é cedo. Ainda há Angel Olsen ali no palco principal. A sua banda surge-nos em palco toda vestida de igual e a menina Olsen aparece-nos envergonhada, de vestido verde, de sorriso de orelha a orelha.

Com apenas 30 anos, considerada a senhora do folk-rock contemporâneo, trouxe-nos “My Woman”, editado no ano passado, e mais uma vez deu provas do seu aparelho vocal. O público reconhece o talento, aprecia as obras e brinda-as com aplausos e voilà: “You make me blush”. Não vale a pena. As verdades são para serem ditas ou pelo menos demonstradas.

O por do sol deu um toque fino e requintado a este concerto e a cantautora fez-lhe o mesmo. O casamento perfeito entre a melódica voz de Olsen e aqueles raios de sol que douram toda esta envolvência.

Canta-nos “You could end this pain right here”. Ginga, funde-se com a guitarra e transmite-nos toda uma dor interior, uma preocupação, um desespero, uma desilusão. Pode não haver espaço para estas coisas dentro dela mas faz-nos realçar, recuar, o que seja, até estes sentimentos.

“Está um dia fantástico. É tão bom cá estar”, diz-nos entre sorrisos para de seguida nos brindar com a frágil “Sister”. Angel não tem só a voz. Tem a intensidade, tem a expressão, tem a revelação. Ela faz-nos sentir mesmo que não queiramos, mesmo que estejamos deitados a aproveitar os últimos minutinhos de sol. Ela sabe conquistar-nos. Ela sabe levar-nos e nós vamos. Sem medos, sem dó nem piedade.

O concerto estava na reta final e Olsen pergunta-nos se pode tocar mais duas. Podes sim. Mais duas, mais três, mais quatro, mais aquelas todas que quiseres e te deixarem. Nós queremos, nós precisamos. Sabes porquê? Porque és a banda sonora ideal para este final de tarde solarengo no Parque da Cidade.

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Texto: Mónica Ferreira
Fotografias: Bruno Ferreira

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