Espólios, de Joana Craveiro, encerra uma trilogia de lugares e afetos e reflete sobre a humanidade partilhada e a cultura do materialismo. O espetáculo em estreia dia 5 de maio, com partida do Teatro Carlos Alberto (TeCA).

Há uma frase que diz que a casa é o sítio onde o coração habita. Em Espólios, de Joana Craveiro, o Teatro do Vestido concorda que os lares são lugares especiais de intimidade, de partilha, de acumulação e despojamento, de relações que combinam afeto, beleza, esperança, nostalgia e amor.

Para Joana Craveiro, Espólios reflete também sobre a nossa humanidade partilhada e “sobre desafiar o pior que o materialismo parece ter para revelar outras camadas da chamada cultura material, que é parte intrínseca da nossa sociedade”. A peça foi inspirada no estudo Stuff de Daniel Miller que acredita que “as coisas fazem-nos, tanto quanto nós fazemos as coisas”. Segundo o antropólogo inglês, os objetos, apesar de inanimados, conseguem falar e contar histórias sobre os seus “donos”.

Daniel Miller diz que as casas são locais de solidão onde cada pessoa se examina e se enfrenta a si mesma, e, portanto, tornam-se representações dos nossos medos, frustrações, mas também dos nossos sonhos. Espólios encerra, assim, a trilogia iniciada em 2012 pelo Teatro do Vestido com Esta é a minha cidade e eu quero viver nela, peça que percorreu as ruas do Porto, e continuada em 2014, com Até comprava o teu amor, uma viagem por quartos vazios, cheios de possibilidades, confissões e memórias.

Espólios

Um espetáculo, sete casas particulares para percorrer

Espólios tem início no Teatro Carlos Alberto, às 20h30, com saída prevista às 20h45 para as sete casas particulares dispostas ao longo da Rua da Firmeza, Rua João das Regras, Rua D. João V e Rua do Bolhão. Apesar da maior parte do espetáculo ser passado no interior das moradias, há, ainda, uma parte que tem lugar nas ruas, em percursos que, para Joana Craveiro, “são parte intrínseca desta descoberta”. Espólios é uma coprodução Teatro do Vestido e Teatro Nacional São João e está em cena até dia 15 de maio, de quarta-feira a domingo. A peça tem duração de duas horas e meia e tem o preço de dez euros.

Durante a apresentação do espetáculo, o centro de documentação do TNSJ, no Mosteiro de São Bento da Vitória (MSBV), acolhe o lançamento do livro Até comprava o teu amor (mas não sei em que moeda se faz esta transacção). A obra foi escrita por Joana Craveiro, em colaboração com os intérpretes do espetáculo com o mesmo nome, e conta com fotografias e ilustrações de João Tuna. O evento acontece no dia 11 de maio, às 18h00, e conta com a presença da encenadora, Jorge Louraço Figueira e Mónica Guerreiro. A entrada é gratuita.

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