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Salomé Lamas apresenta obras inéditas em exposição na Solar Galeria de Arte Cinemática

Salomé Lamas
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A  exposição “Salomé Lamas: Solo” é inaugurada na Solar Galeria de Arte Cinemática, em Vila do conde, no próximo sábado, 14 de outubro.

A exposição “Salomé Lamas: Solo”, composta por filmes, vídeo instalações e instalações sonoras, incluindo obras inéditas. A abertura contará com um concerto de Filipe Felizardo, compositor da banda sonora de alguns trabalhos de Salomé Lamas.

Realizadora e artista plástica, Salomé Lamas é um dos nomes mais relevantes e promissores do panorama artístico nacional, não só pelo extenso currículo face à idade, mas também pelas características dos seus trabalhos. As suas obras desafiam a metodologia convencional de produção cinematográfica e de expressão estética, explorando novos caminhos. O resultando são trabalhos híbridos que se situam entre o documentário e a ficção, as artes plásticas e o cinema.

Os projetos de Salomé Lamas desenvolvem-se em torno da relação intrínseca entre narrativa, memória e história, utilizando a imagem em movimento para explorar o traumaticamente reprimido, o aparentemente irrepresentável ou o historicamente invisível, desde os horrores da violência colonial até às paisagens do capital global. Em vez de se colocar numa situação periférica, algures entre o cinema e as artes visuais, ficção e documentário, Salomé Lamas transforma-os numa linguagem própria, desafiando, também, a divisão entre géneros e modos de exibição.

Grande parte das suas obras resultam de uma viagem a uma realidade desconhecida, que a realizadora ocupa conscientemente como um corpo estranho que choca contra a envolvente, desencadeando o drama e esperando pacientemente que a realidade se torne extraordinária. São filmes destemidos, tanto quanto aos riscos formais como narrativos que assumem, e que evidenciam a sua performance física, quando vemos a realizadora amarrada, pendurada, a cair ou a sentar-se silenciosamente atrás da câmara.

Na Solar Galeria de Arte Cinemática, Salomé Lamas apresenta, até 25 de novembro, um trabalho eclético composto por filmes, vídeo instalações e instalações sonoras, incluindo obras inéditas. É o caso de Ubi Sunt II e Ubi Sunt III que integram um tríptico que será exposto, pela primeira vez, na sua totalidade. O trabalho parte de Ubi Sunt I, curta-metragem produzida em 2016 a convite do programa Cultura em Expansão da Câmara Municipal do Porto, que explora o tecido humano e urbano de uma cidade em expansão. O filme é uma aliteração das vídeo-instalações Ubi Sunt II e III.

Em Horizon – NoziroH, também em estreia, o realizador brasileiro Gregorio Graziosi espelha matematicamente e rigorosamente A Torre (2015). Aqui, a floresta é substituída pelo urbanismo desconcertante de São Paulo e a figura humana pela figura de uma estátua equestre do Duque de Caxias, por Victor Brecheret.

Produzido para a exposição na Solar, Autorretrato (2017) é composto por um díptico de duas gravuras concebidas por Salomé Lamas derivadas de materiais recolhidos na produção de Extinção. Replicam o visto de jornalista emitido pelas autoridades da Transnístria, enclave pró-russo na Moldávia, que autoproclamou um estatuto de independência rejeitado pela política internacional; e a transcrição de diálogos de um encontro da equipa com o KGB, que culmina num interrogatório.

Por sua vez, VHS – Video Home System (2010-2012) sugere uma autorrepresentação dissimulada, com uma nota crítica à produção que trabalha a catarse do autor. À mesa da cozinha, duas mulheres íntimas, de vozes e fisionomia idênticas, utilizam os brutos de uma cassete de VHS de 1995, como pretexto para discutirem as forças de poder, afeto e expectativa impressas no passado, reconhecidas no presente e projetadas no futuro.

Na instalação Eldorado XXI é referenciado Mount Ananea através do revestimento da sala em brita – semelhante aos despojos extraídos do interior das minas da região onde foi produzido, e reapresentando a edição de vinil que contou com o desenho de som de Bruno Moreira, a música de Norberto Lobo e João Lobo. O que o vinil permite escutar ressoa de forma evidente com o desenho de som de Miguel Martins para Eldorado XXI.

Terra de Ninguém (2012) repete a instalação no espaço que havia experimentado em 2015 em Serralves. Na cave da Solar, o desconforto dos conteúdos apresentados, o dispositivo e a duração são extremados pelas características arquitetónicas claustrofóbicas associadas à humidade.

Salomé Lamas (1987, Lisboa) estudou cinema em Lisboa e Praga, Artes Visuais MFA em Amsterdão e é doutoranda em Arte Contemporânea na Universidade de Coimbra. O seu trabalho já foi mostrado em Portugal e no estrangeiro, tanto em prestigiados espaços dedicados à arte, como em festivais de cinema. Colabora regularmente com a produtora O Som e a Fúria e é representada pela Galeria Miguel Nabinho – Lisboa 20.

Em simultâneo, no espaço CAVE, dedicado a autores emergentes, Mariana Silva expõe “P/p”, uma instalação vídeo que justapõe uma pulseira da era colonial, que historicamente terá sido usada como pagamento na compra de escravos, com várias correntes, consideradas joias.

Mariana Silva (1983, Lisboa) é Licenciada pela Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa. Foi vencedora do prémio EDP Novos Artistas 2015 (Lisboa) e BES Revelação 2008 (Porto). Esteve em residência na Triangle (2016), Nova Iorque; Gasworks, Londres (2016); e ISCP, Nova Iorque (2009).

A inauguração da exposição será seguida de um concerto de Filipe Felizardo, às 17:30, músico e artista visual que se dedica à composição para guitarra elétrica, responsável por algumas das bandas sonoras das obras de Salomé Lamas. Das suas colaborações destacam-se também trabalhos com Norberto Lobo, Gabriel Ferrandini, Margarida Garcia e David Maranha, e a composição de bandas sonoras para António Júlio Duarte e Marco Martins. A suas performances têm sido apresentadas em Portugal e na Europa desde 2014. Neste momento, prepara o seu próximo álbum, enquanto realiza uma residência artística na Galeria Zé Dos Bois, numa série de concertos que ampliam os seus temas para formato de banda.

A Solar Galeria de Arte Cinemática é uma estrutura financiada pela Câmara Municipal de Vila do Conde, pela DGArtes – Direção Geral das Artes e pelo Governo de Portugal.

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