Ryuichi Sakamoto prepara-se para lançar “async”, o seu primeiro álbum de estúdio. O disco chega às lojas no próximo dia 28 de abril.

Um dos fundadores da Yellow Magic Orchestra e vencedor do Óscar pelo seu trabalho na banda-sonora de “O Último Imperador”, Ryuichi Sakamoto é um dos artistas mais inovadores a emergir desde finais dos anos 1970. Aclamado pelos seus colegas músicos, tem criado intrigantes encontros musicais com artistas como David Sylvian, Iggy Pop, Tony Williams, Bootsy Collins, Jaques Morelenbaum e muitos outros.

“async” é o primeiro álbum de estúdio de Ryuichi Sakamoto em oito anos. É o seu disco mais pessoal, sucedendo a uma longa luta contra o cancro da qual Sakamoto emergiu com uma energia criativa renovada e apaixonada.

“Que tipo de sons/música quero eu ouvir?” “async” é a resposta a esta pergunta que Sakamoto se fez a si próprio ao longo dos últimos anos. Este é o álbum do qual está mais orgulhoso, sintetizando todos os seus interesses musicais e sonoros. Esta é uma viagem pelos sintetizadores analógicos, pelos sons de coisas e de sítios, por uma banda-sonora imaginária para um filme de Andrei Tarkovski, e por muitas outras surpresas musicais.

Enquanto compositor, intérprete, produtor e ambientalista, poucos artistas têm um currículo e uma legião de admiradores tão diversificados como Ryuichi Sakamoto. O seu trabalho tem abrangido vastos territórios musicais: de pioneiro da música electrónica com os Yellow Magic Orchestra a artesão de álbuns rock de inspiração global e  compositor clássico, passando por uma série de colaborações ambientais/minimalistas e mais de 30 banda-sonoras para cinema. O seu trabalho tem sido reconhecido por inúmeras honrarias e galardões, incluindo um Óscar, dois Globos de Ouro, um Grammy, a  Ordem do Cavaleiro Admissão do governo brasileiro e a Ordem das Artes e Letras do governo francês.

Nascido em Tóquio, Sakamoto começou a ter lições de piano aos três anos de idade. A início admirador de Beethoven, deixou-se rapidamente enfeitiçar pelo rock inglês – o primeiro disco que comprou foi “Tell Me” dos Rolling Stones – e em seguida pelo impressionismo francês. “O meu herói era Debussy,” diz, reconhecendo que a sua nova música transporta ainda ecos desse seu ídolo da adolescência. “A música asiática influenciou profundamente Debussy, e Debussy influenciou-me profundamente a mim. A música dá assim a volta ao mundo e dá um círculo completo.”

Após ter completado os seus estudos de música na Universidade Nacional de Belas Artes e Música de Tóquio, Sakamoto embarcou numa carreira a solo como compositor e intérprete, até o seu trabalho chamar a atenção de Haruomi Hosono. Com Hosono e Yukihiro Takashi, Sakamoto formou a Yellow Magic Orchestra, um grupo electrónico que desafiou as fronteiras dos géneros e o lançaria para o estrelato internacional. Os nove álbuns da Yellow Magic Orchestra estiveram na linha da frente da música electrónica e valeram-lhe milhões de fãs em todo o mundo.

Enquanto a Yellow Magic Orchestra conquistava o globo, Sakamoto continuava a editar discos a solo como “The Thousand Knives of Ryuichi Sakamoto”, e avançou para a fase seguinte da sua carreira quando Nagisa Oshima o convidou para entrar numa longa-metragem ao lado de David Bowie. Sakamoto aceitou ser actor no projecto com a condição de poder escrever a música do filme, e a banda-sonora de Feliz Natal, Mr. Lawrence tornou-se um clássico ao mesmo nível do filme de 1983. Seguiram-se inúmeras bandas-sonoras para filmes como O Último Imperador de Bernardo Bertolucci ou Saltos Altos de Pedro Almodóvar.

Desenhando canais de cultura e história por todo o mundo, Sakamoto escreveu música inspirada pelas tradições de Okinawa, da Indonésia e do Brasil, colaborando no processo com Bowie, David Sylvian, o dramaturgo e encenador Robert Wilson, o escritor William S. Burroughs, o tenor Jose Carreras e Sua Santidade o Dalai Lama, entre muitos outros. Escreveu igualmente música para os Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 e para o 400º aniversário da cidade alemã de Mannheim.

Desde meados dos anos 1990, Sakamoto tem dedicado muito do seu tempo a causas ambientais e pacifistas. A sua ópera de 1999 “LIFE” explorava as dinâmicas gémeas do século XX – GUERRA e Massacre, Ciência e Tecnologia, terminando numa nota de esperança e Salvação. Em 2006 Sakamoto lançou a campanha Stop Rokkasho, para travar a construção de instalações de processamento nuclear no norte do Japão. Em 2007 fundou a iniciativa ecológica more trees, que contribui para a compensação da libertação de carbono através da reflorestação. Desde o 11 de Março no Japão que Sakamoto tem defendido a ajuda às vítimas do terramoto, tsunami e catástrofe nuclear de Fukushima. Fundou as organizações de beneficência kizunaworld, LIFE311 e a Orquestra Juvenil de Tohoku, e organiza um festival anual, NO NUKES, que tem contado com a presença de inúmeros artistas japoneses de primeira grandeza bem como a Yellow Magic Orchestra e os Kraftwerk. Os seus esforços pretendem consciencializar o público sobre os perigos desnecessários da energia nuclear.

Em 2014, Sakamoto foi obrigado a fazer a primeira pausa longa da sua carreira, ao ser diagnosticado com cancro da garganta. O longo descanso e os cuidados médicos de primeira água permitiram-no regressar ao trabalho pouco mais de um ano depois, e fechou 2015 com as bandas-sonoras para The Revenant de Alejandro González Iñárritu, em colaboração com Alva Noto, e Nagasaki: Memories of My Son de Yoji Yamada.

Continuando a escrever para cinema – um processo que define como um desafio único e entusiasmante por oposição ao “universo íntimo e fechado” das suas composições a solo – Sakamoto tem colaborado recentemente com os artistas electrónicos Alva Noto, Christian Fennesz, Christopher Willits e Taylor Deupree. Por contraste com as sonoridades pop que o tornaram mundialmente conhecido, Sakamoto tem-se concentrado progressivamente mais no significado da música sem palavras. Na sua resposta ao consumismo do século XXI, o seu dinamismo politicamente consciente apenas cimenta a sua reputação como homem da renascença.

 

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