Esta quarta-feira as portas do Teatro Rivoli abriram-se para fazer história. O teatro foi invadido por metaleiros para assistirem aos concertos de Redemptus, Equaleft e Tarantula. Os espetáculos estão inseridos no ciclo “Porto Best Of” com curadoria de Miguel Guedes.

Pois bem, a noite desta quarta-feira foi tudo menos comum. Pelas 21h já a frente do Teatro Rivoli, no Porto, se enchia de gente vestida a rigor de vestes negras, cabelos compridos, pretos, vermelhos, azuis, camisolas alusivas a bandas bastante conhecidas do panorama musical do heavy metal, tudo apostos para receber esta espécie de “Divina Comédia”.

Quem passava por lá ficava a mirar aquelas gentes e questionava-se sobre o que se ia lá passar. Mal sabiam eles que se estava prestes a fazer história. Isto porque o Rivoli de facto abriu as suas portas mas para uma noite dedicada inteiramente ao Metal e para gente sentada. Ou seja, iríamos assistir a três concertos, no teatro e curtir ao máximo sentadinhos. Só faltava mesmo ser numa matiné de domingo, para ser ainda mais bizarro mas ao mesmo tempo mais fantástico.

A noite teve como ponto de partida o “Inferno” com a atuação dos Redemptus. Com pouca luz, numa sala que estava prestes a incubar o doom e o slugde, os nortenhos trouxeram até a esta mui nobre sala da Invicta o seu disco de estreia, “We All Die The Same”, onde declamaram a podridão da existência humana. Para uns imperceptível o que cantavam dramaticamente, para outros, uma interiorização de todas as palavras, sentindo cada batida.

redemptus

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Com os Equaleft começámos a sair do “Inferno” e estacionámos durante cerca de uma hora no “Purgatório”. O Rivoli ficou ligeiramente mais claro ao mesmo tempo que a sala começou a ficar mais agitada, ou não tivesse o frontman da banda de groove metal, Miguel Inglês, puxado por nós durante toda a atuação. Com mais de uma década de carreira, consegue-se perceber porque é que levam atrás de si, para onde quer que vão, uma legião de fãs. Não, não é por causa dos húngaros (ou não só), mas sim pela energia que brotam em todos os momentos, que mesmo estando sentados, não deixa de se apoderar do nosso corpo.

equaleft

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Finalmente chegámos ao “Paraíso”. Com o Rivoli bastante mais iluminado, os Tarantula subiram ao palco para nos bombardearem com o velhinho Heavy Metal do seu primeiro disco, homónimo. Durante um desfilar de grandes sucessos, de marcos na história da música portuguesa deste género, os ânimos foram aumentando, descolando um ou outro fã mais emotivo das cadeiras. No final, os cabeças de cartaz desta sessão do Porto Best Of, saíram de palco e as cortinas fecharam-se. De imediato as portas da sala abriram-se mas ninguém arredou pé. Os metaleiros estavam sedentos de mais Tarantula e não descansaram enquanto o grupo gaiense não tornou a tomar conta do palco.

tarantula

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Quarta-feira, dia 19 de outubro de 2016, Teatro Rivoli (Porto), Metal, uma noite em que vai ficar para a história de todo o sempre e, oxalá, se repitam mais noites destas.


Texto: Mónica Ferreira

Fotografias: Bruno Ferreira

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