Com um novo disco na algibeira, PJ Harvey apoderou-se do Palco NOS por volta das 22h35 desta sexta-feira, dia 10, de saxofone em punho e pronta para deixar tudo todos rendidos, o que não seria tarefa fácil tendo em conta que sucedeu a Brian Wilson e o famoso “Pet Sounds”.

O concerto abriu em velocidade cruzeiro com cinco temas de “The Hope Six Demolition Project”, o último disco da artista britânica, saltando apenas “Near the Memorials to Vietnam and Licoln”. Mas nem só de canções mais recentes se fez a festa. Polly Jean Harvey trouxe até à Invicta outros grandes êxitos como “Let England Shake” que é quase como uma base do novo trabalho da britânica.

Acompanhada por oito músicos, da qual fazem parte John Parish e Mick Harvey, disposta quase como se tratasse de um concerto orquestral, com o som erudita do violino e o bater mais agressivo de um bombo, fizeram-nos deixar levar pelas sonoridades melódicas logo em “Chain of Keys”.

Para o final do espetáculo, PJ Harvey guardou temas como “To Bring You My Love”, “50ft Queenie” – que transformou a outrora “orquestra” numa autêntica banda de rock – e “Down by the Water”, sucessos mais antigos que estavam bastante frescos na memória do público.

A artista não necessitou de recorrer à guitarra para levantar os ânimos. Num concerto que começou desde cedo a prometer um misto de emoções, com a cantora a dar entender através da sua música que “isto” era para ser sentido, mostrou-nos que é possível ser-se versátil num festival. Porquê? Porque se numa altura nos põe a cantar a plenos pulmões “The Orange Monkey”, noutro momento põe-nos quase deitados na relva a sentir cada palavra, cada batida da mítica “Dolar, Dollar”.

Um concerto pouco enquadrado em festivais mas com o todo o espírito primaveril que o NOS Primavera Sound mantém desde a primeira edição e a verdade é que conseguiu manter todos sem arredar pé do Palco NOS.

Texto: Mónica Ferreira
Fotografia: Hugo Lima – NOS Primavera Sound

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