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“Oh My My” quem são os OneRepublic?

OneRepublic
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– 3.5

Os OneRepublic lançaram no início do mês de outubro “Oh My My”, o seu quarto disco de estúdio após dois anos de pausa. Este novo trabalho combina diferentes géneros musicais que nos faz questionar quanto à identidade da banda.

Dois anos após “Native”, os OneRepublic estão de volta com um disco completamente diferente do que nos têm apresentado até então. “Oh My My” é o álbum em que não há uma identidade definida nem se segue pelos padrões já criados pela banda, abrangendo diferentes géneros.

Let’s Hurt Tonight” abre o disco com um acústico, com uma percussão leve e à medida que a canção avança vão sendo introduzidos novos instrumentos e linhas de voz. É no refrão que este tema atinge o seu auge com Ryan Tedder a dar o melhor de si e a explorar bem o seu aparelho vocal. É a típica faixa de abertura de um disco dos OneRepublic mas que não mostra de todo em que consiste este LP.

Assim que ouvimos os primeiros acordes de guitarra de “Future Looks Good“, assalta-nos logo à memória o mítico tema dos System of a Down, “Chop Suey” enquanto que, mais à frente, o piano lembra-nos toda a estrutura dos Coldplay. É uma canção feita para respirar, leve, onde o instrumental assume o papel principal acabando por abafar um pouco a voz e desconcentrar-nos da mensagem que Tedder nos quer passar.

Oh My My“, tema que empresta o título ao álbum, agarra-nos logo no início com uma batida crescente de baixo um tanto ou quanto “groovy”. Aqui, os OneRepublic juntaram-se ao duo francês Cassius para dar aquele toque mais eletrónico, que se estende às duas canções que se seguem: “Kids” e “Dream“. A mistura de elementos eletrónicos não é algo comum nas criações dos americanos mas estão a começar a introduzi-los aos poucos e poucos.

É com estas três faixas que nos apercebemos que não conseguimos prever o que vem a seguir, só que será algo novo e que pode, ou não, nos surpreender.

Choker” contrasta com o que ouvimos até então. Simples no início, focada apenas na voz de Tedder e no piano, assim que chegamos ao refrão junta-se um coro que traz o espírito gospel ao tema. Toda uma harmonia sonora, uma paz que é libertada através das batidas, contrasta com aquilo que nos é cantado, isto porque a letra fala-nos da perda de alguém e a dor associada a isso. Daqui a nada esta faixa será transformada num hit ou não estivesse repleta de toda uma carga emocional com a qual as pessoas se identificam e transportam para si.

A.I.“, aka “Artificial Intelligence” (Inteligência Artificial), com a colaboração de Peter Gabriel dá-nos durante cerca de cinco minutos com misturas eletrónicas embrulhadas em batidas techno, tudo criado em computador, o que nos leva ao princípio da Inteligência Artificial.

As duas canções que se seguem apoiam-se em diferentes estilos e técnicas de música alternativa. “Better” prima pelo staccato enquanto Tedder nos atira com a letra a uma velocidade cruzeiro em momentos onde o hip-hop se funde com o resto, muito ao estilo de Twenty One Pilots.

Já em “Born“, temos um início instrumental crescente com a voz lá muito ao fundo e momentos depois toma corpo e assume uma posição mais dominante na canção. Uma faixa que mescla o alternativo com a pop-rock que resulta numa boa preparação para o tema que se segue.

Fingertips” começa com um sóbrio solo de guitarra e desde logo que nos percebemos que há algo de diferente do resto do disco. O instrumental deixa de ter tanta relevância , está mais baixo, deixando-nos em alerta para a mensagem que Ryan quer passar. Canta na sua maioria em falsetto ainda que com alguma manipulação, quase como um desabafo, um sufoco, esta é “A” balada de “Oh My My”.

Human” e “Lift Me Up” são bastante semelhantes: otimistas e repetitivas mas que nos fazem desligar das letras cativantes e focar mais no instrumental. Pronto, está assumido. Os OneRepublic vão mudar e querem que a nossa atenção esteja centrada nas batidas e não nas letras.

Santigold, produtor e cantor, colabora em “NbHD” (Neighborhood), com batidas fortes que transformam esta canção num tema para ser dançado do início ao fim, ainda que envolto em alguma melancolia.

Wherever I Go” e “All These Things” não trazem nada de novo a este disco até porque são bastante semelhantes a outras de registos passados como a “Preacher”. Colocadas no meio do nada, mas estrategicamente no fim para que nos deixem ainda com o bichinho de que os antiguinhos OneRepublic ainda sabem como é que nós os conhecemos.

Este LP fecha alegremente com “Heaven“. Este tema sela o ciclo que “Let’s Hurt Tonight” abriu deixando-nos com o apetite aguçado para saber o que vem aí nos próximos trabalhos.

Em “Oh My My” os OneRepublic não tiveram medo de arriscar e apresentaram-nos de facto algo novo e diferente do que têm feito ao longo dos últimos anos. Optaram por não ficarem confinados à linha da pop-rock dos três álbuns anteriores mas souberam muito bem fazer esta transformação, este lançamento em novos mares porque nunca perderam o seu cunho ao longo destas 16 faixas. A identidade que definiram para eles próprios em “Native” e “Waking Up” levou com uma borracha por cima e estão a redefinir-se.

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