A noite prometia humor e gargalhadas com fartura: o elenco da peça de teatro “Absolutamente Fabulosos” não deixava margem para dúvidas. Luís Aleluia, Noémia Costa e Joana Figueira, e ainda Nietzsche, Séneca e Sócrates (o grego).

Rir é o melhor remédio, já diz o povo. Certamente que Bergson teria algo a dizer sobre isso, bem como outros filósofos que trataram de questões relacionadas com o humor e o riso. Muitas vezes são os próprios filósofos a ser alvo do humor e a provocar o riso, tendo em conta que muitas vezes são protagonistas de vidas aparentemente estranhas e fora da norma.

Absolutamente fabulosos é uma peça que nasce de uma ideia original de Noémia Costa, tendo sido escrita por Roberto Pereira e encenada por Beto Coville. As personagens em palco são duas actrizes sem trabalho, em crise e que têm que conviver com o humor e o sarcasmo do mordomo da casa de uma delas. Há ainda um agente cheio de truques na manga para roubar… o coração das actrizes.

As peripécias são muitas e o humor é simples, inteligente e actual. Pisca-se o olho à realidade e mantém-se o espírito positivo e de “vamos lá arregaçar as mangas” – afinal, o português é especialista no desenrascanço. Tenho para mim que este deveria até ser elevado a categoria filosófica. Quem sabe um dia?

Há lugar para a referência a alguns filósofos, bem como a um verso de Toy – quem diria que Nietzsche iria pisar os palcos do Teatro Armando Cortez? E Séneca? Desta forma, o autor do texto, Roberto Ferreira, sorri à filosofia e aproxima-a das pessoas que vão escolher as quintas, sextas, sábados e domingos, até dia 3 de janeiro, para ir até ao Teatro Armando Cortez.

O teatro tem raízes gregas – alguns dos primeiros filósofos foram autores de tragédias e comédias. Nietzsche – filósofo alemão citado na peça – dedicou várias páginas do seu trabalho ao estudo da tragédia grega. Imaginando que Friedrich tinha oportunidade de ir até à Casa do Artista, imagino que se iria embriagar do espírito dionisíaco da peça, que pratica o dizer sim à vida, “mesmo nos seus mais estranhos e mais duros problemas” [in O Crepúsculo dos Ídolos, de Nietzsche].

Filosofias à parte – ou talvez não – a peça Absolutamente fabulosos está em cena e aconselha-se. Vivamente!

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