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“O Misantropo”: uma pista de dança para todos os vícios

Misantropo
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A partir do texto de Molière e com encenação de Nuno Cardoso, “O Misantropo” faz uma sátira ao poder e à sociedade em modo “Saturday Night Fever”. A peça estreia esta quinta-feira, dia 7 de abril, no Teatro Nacional São João.

Alceste (Luís Araújo), o herói monomaníaco, é um homem zangado com o mundo, cansado e mal-humorado: uma personagem mimalha e birrenta que acha que tem sempre razão. Odeia e censura todos os homens com uma profunda sinceridade, mas, ao mesmo tempo, é apaixonado por Celimena (Joana Carvalho), a coquete libertária e maldizente. O Misantropo, de Molière, com encenação de Nuno Cardoso – cuja direção em Demónios foi recentemente distinguida pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) como o melhor espetáculo de teatro de 2015 – estreia-se amanhã, quinta-feira, dia 7 de abril, no Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto.

Em O Misantropo, o dramaturgo francês coloca em movimento a sátira e a crítica social ao absolutismo de Luís XIV e à anuência da corte perante as decisões do Rei-Sol, expondo diferentes relações de poder e jogos de enganos. Segundo o encenador, esta poderia até ser uma peça feminista já que Celimena é brilhante, espirituosa, mordaz e certeira e, a certo momento, pensa: “se conseguir possuir toda a gente, ninguém me possui a mim”.

Na versão de Nuno Cardoso, que conta com uma nova tradução de Alexandra Moreira da Silva, o salão seiscentista de Celimena é recriado como uma pista de dança retro, um espaço de festa, mas também de solidão, e que representa o desejo de dançar e de ter prazer. Ao mesmo tempo, o público é convocado a estar em cena através de um cenário bifrontal que foge para lá da boca de cena e que, segundo o encenador, “funciona tanto como uma pista de dança em que os atores podem entrar nesse registo de prazer como um sítio quase clínico para a anatomia de um texto”.

Para Nuno Cardoso, o desafio de encenar O Misantropo centra-se, assim, no facto de este ser um texto “menos acessível” e mais “difícil de catalogar, de ensaiar, de reproduzir” e que apresenta “criaturas feias” quase impossíveis de serem salvas. A obra prima de Molière, que este ano celebra 350 anos, vai estar em cena até dia 24 de abril: na quarta-feira, às 19h00, de quinta-feira a sábado, às 21h00, e no domingo, às 16h00. O espetáculo é uma coprodução Ao Cabo Teatro, São Luiz Teatro Municipal, Centro Cultural Vila Flor, Teatro Viriato e TNSJ e é legendado em inglês. Os bilhetes podem ser adquiridos entre os 7,50 euros e os 16 euros.

O mundo “estranho e louco” de Dostoiévski

Durante a apresentação de O Misantropo, o Salão Nobre do Teatro Nacional São João acolhe Subterrâneo: O fim dos fins é não fazer nada, a partir de Cadernos de Subterrâneo de Fiódor Dostoiévski. Neste espetáculo – estreado com grande sucesso no início deste ano –, os papéis de Nuno Cardoso e Luís Araújo invertem-se, cabendo a interpretação do monólogo ao encenador do texto de Molière.

Subterrâneo: O fim dos fins é não fazer nada oferece ao palco a voz de um homem acossado, doente, mau e antipático, que reinventa constantemente um monólogo em falsos diálogos com intercolutores imaginários. O texto do romancista russo conseguiu, segundo George Steiner, “dramatizar numa só voz o caos babélico da consciência humana”. O espetáculo está em cena de 14 a 23 de abril, de quinta-feira a sábado, às 19h00, e os bilhetes custam cinco euros.

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