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O eterno retorno do regresso ao futuro

Futuro
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Na semana passada assinalou-se o dia 21 de Outubro de 2015. E não, não era o dia da Sónia, da Hermengarda, do Ivan ou do Frederico. Falamos do dia em que Marty Mcfly e Doc Brown chegaram ao futuro, numa aventura que resultou no saudoso filme Back to the future II, dos saudosos anos 80.

Vinte e seis anos depois do filme e da épica aventura de Marty e Doc, é inevitável (pelo menos para mim e para as duas pessoas que estão a ler este texto agora) não pensar em Friedrich Nietzsche e no seu eterno retorno.  O filósofo alemão, dotado de um bigode farto, deixou-nos esta ideia n’A Gaia Ciência – e que nos sugere que a vida, a nossa, a de todos os dias, possa acontecer uma e outra vez,  com a ordem que lhe conhecemos, de forma contínua; pela eternidade fora.

Ora, isso significa que Marty e Doc estão condenados, sempre, uma e outra vez, a viajar do passado para um futuro que, no fundo, já é passado. E terão, ainda, que lidar com a (des)ilusão de haver estradas, por exemplo. Por falar nisso, já imaginaram o que é imaginar que uma estrada como a A8 se vai repetir pela eternidade fora, em toda as suas imperfeições, perigos e custos de portagens?  Valha-nos o hoverboard, certo? Ah! E os ténis!

Na internet – esse espaço que acontece um pouco por todo o lado – não se falou noutra coisa a não ser daquilo que o filme previa, como se o argumento fosse uma espécie de bola de cristal ou senhora de índole duvidosa que lança cartas na televisão. Afinal, o futuro passou a ser agora e num instante virou passado. E nós, qual Marty e Doc, olhamos à nossa volta e lamentamos que tudo isto se vá repetir assim, tal-e-qualmente. Eterno retorno.

No filme, as duas personagens  levaram a cabo a viagem de forma a impedir que o filho de Marty fosse preso.  Fazia-lhes falta o super-homem nietzschiano para resolver o assunto de forma mais eficaz. Ainda assim, tudo irá repetir-se uma, e outra vez, num futuro condenado a ser passado e um passado condenado a ser futuro. Confusos?

Muito, aposto. Agora imaginem como não estou eu, só de pensar que o processo de escrita deste texto se vai repetir uma e outra vez, pela eternidade fora. Quem mandou ter a ideia de olhar filosoficamente aquilo que nos rodeia e colocar isso em texto? Será que dá para fazer rewind e voltar atrás no tempo? Onde é que está o botãozinho, hein?

E vocês? Já imaginaram que também estão condenados a passar pela leitura do texto uma e outra vez, pela eternidade fora? Há-de haver coisas mais interessantes para ler, não acham? Vá, bilhete na mão, prego a fundo no DeLorean das vossas vidas e aproveitem o presente da melhor forma possível. Pelo sim, pelo não, evitem a A8 e acertem o relógio do carro com o horário de inverno só para evitar o pânico de “como assim já são quase 19h?”.

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