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Ney Matogrosso desfila pelo Coliseu do Porto

Ney Matogrosso
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Este domingo, Ney Matogrosso não andou – cantou e desfilou ao mesmo tempo que transformou o Coliseu do Porto num autêntico cabaré e numa parada carnavalesca brasileira.

Foi em 1983 que Ney Matogrosso pisou os palcos lusos e nunca mais de cá saiu. Quem tem acompanhado alguns dos espetáculos consegue perceber o porquê de nós o querermos por cá, isto porque a cada espetáculo há uma lufada de ar fresco, algo novo, sem cair na monotonia e nunca nos traz “mais do mesmo”. Ainda nem eram 21h e a fila já se estendia pela Rua Passos Manuel acima, tudo para assistirem ao espetáculo. Umas filas repletas de gente mais velha, alguns acompanhados pelos filhos, mais jovens mas que já têm alguma da cultura musical dos pais bastante implícita neles.

Com cerca de 15 minutos de atraso, Ney sobe ao palco do Coliseu e dá início ao espetáculo com “Rua da Passagem (Trânsito)“, em jeito de “Incêndio” desta “Vida Louca, Vida Breve” que se ia ali viver, avisa-nos que vai “ali tirar uma roupinha”, isto depois de saudar o Coliseu. Ficou tudo em alvoroço, aos assobios, aplausos, enquanto ele despe, de forma provocadora, aquela espécie de casaco repleto de penas negras. Com o samba “Roendo as Unhas” prepara-se para acalmar os ânimos com a melancólica “Noite Torta” – que teve tudo de direita, extravagante e cheia de glamour da “diva” que estava ali a brindar-nos com os seus êxitos de “Atento aos Sinais”.

Acompanhado por Sacha Amback (direcção musical e teclados), Marcos Suzano e Felipe Roseno (percussões), Dunga (baixo), André Vale (guitarras), Aquiles Moraes (trompete) e Everson Moraes (trombone), um septeto que o acompanha há já muitos anos, sendo uma mais valia para o espetáculo, Ney optou por interagir com o público maioritariamente apenas através das suas canções.

Seguiu-se “A Ilusão da Casa” e de uma forma bastante sensual e provocadora, o artista deixa as vestes pretas e enche-se de tons prateados, num “strip” com grande tensão sexual, sentado numa cadeira com as costas altas, toda ela coberta de espelhos, fazendo transparecer cada zona corporal de Ney, com uma luz que realça apenas os seus contornos e torna a desfilar pelo palco, desta vez com os ritmos quentes africanos de “Two Naira Fifty Kobo“, ao mesmo tempo que passam vídeos no fundo do palco alusivos a África, índios da Amazónia, mulheres e crianças com expressões de felicidade estampadas nos rostos. Podia-se dizer que Ney estava à espera do “Freguês da Meia Noite” mas não seria verdade até porque nós, os fregueses das 21jh30 é que estávamos à espera dele, do seu espetáculo do seu desfile  Não, ele não espera, não esperou, atirou-nos logo com o melhor dele: a sua voz.

A meio de “Isso Não Vai Ficar Assim” desce até às escadas em frente ao palco e senta-se lá e encara as primeiras filas ao mesmo tempo que vai cantando, como se nos estivesse a dedicar esta canção, mas afinal era mais um aviso para o que havia, para o que foi guardado carinhosamente para o encore. Mas já lá vamos.

Pronomes“, “Não Consigo” e “Tupi Fusão“, que nos mostra o ponto de vista dos índios aquando a chegada dos portugueses ao Brasil, fizeram também parte do alinhamento. Antes de iniciar “Samba do Blackberry“, alerta-nos que o espetáculo está na sua reta final. Entre onomatopeias de desapreço, de desconsolo porque ainda nos sabe a pouco. é que nos apercebemos que já vamos em quase uma hora de concerto. Pois é, parece que foi ainda há pouco que tudo começou mas já cá cantam 13 canções.

A primeira parte do concerto termina com “Todo Mundo o Tempo Todo“, o final dito perfeito para esta noite de outono. Ney e os músicos saem de palco e, ao contrário do que é habitual, a banda é apresentada em silêncio, com a fotografia, nome e instrumento de cada um deles. Voltaram para um encore de quatro canções, começando com “Amor“, que nos faz recuar aos “Secos & Molhados”, passando por “Poema” e é com “Ex-Amor“, um samba de Martinho da Vila, que se instaura o caos. Com Ney a desfilar pelo corredor central do Coliseu do Porto, todos de pé a sambar ao som deste tema e a cantar, parecia que estávamos numa parada carnavalesca brasileira.

Beijos de Ímã”  dá por encerrado o espetáculo, e porque isto vê nos nossos olhos que queremos mais, fez-nos a vontade mas não antes de nos avisar que “só mais uma é o que posso fazer”.

Cerca de uma hora e meia de concerto, onde o disco “Atento aos Sinais” é recriado, num ambiente de diversão. Um espetáculo que nos leva diretamente para uma espécie de cabaré com a música ao vivo de Ney Matogrosso, nome que adotou quando , onde os jogos de luzes nos provocam sensações, libertam-nos as emoções.

Ney Matogrosso segue para Lisboa, onde atua nos dias 4 e 5 de outubro no Casino Estoril.

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Para acederes à galeria completa clica aqui.


Texto: Mónica Ferreira

Fotografias: Bruno Ferreira

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