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Metallica: “Hardwired… to self-destruct”, ser ou não ser, eis a questão

Metallica
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– 3.5

“Hardwired… to self-destruct”  é o mais recente disco dos Metallica lançado em novembro passado. Um novo trabalho com um Hetfield em forma, que dá aquela chapada de luva branca a todos aqueles que duvidaram das suas capacidades vocais.

O primeiro disco arranca com “Hardwired“, uma conjunção da caixa de bateria com guitarras cavalgantes que sempre funcionaram em harmonia nos Metallica. Um tema poderoso e conciso, alimentado pela bateria de Lars Ulrich do princípio ao fim. Assim que o ouvimos pela primeira vez, entramos numa cápsula do tempo e recuamos até à época de glória do Trash, ao mesmo tempo que nos prepara para os riffs de James Hetfield embalados na voz rouca e “irritada” que nos lança um alerta: “We’re so fucked/Shit out of luck/Hardwired to sefl destruct”. Esta faixa, repleta de energia, tem um “je nes sais quai” de punk e um gostinho de Motörhead.

É canção mais curta desta espécie de coletânea. São cerca de três minutos de peso e agressividade sem um único solo explícito mas que não incomoda nada. Este foi um dos primeiros três a serem revelados ao público e, ao lado de “Moth Into Flame” e “Atlas Rise!”, que resume melhor o álbum.

Segue-se “Atlas Rise!“, outro registo que podia muito bem pertencer ao trabalhos passados da banda. Tem bons riffs e evolução. Começa com uma boa e deliciosa dose clássica de Heavy Metal que certamente agradou aos fãs de longa data. e é complementada com um refrão e melodias de guitarra muito ao jeito de Iron Maiden.

Now That We’re Dead“, o terceiro tema do alinhamento deste primeiro CD, é a primeira novidade visto não ter sido apresentada antecipadamente ao público como sngle. Abre com um riff bastante pesado, com um cheirinho de Rock, e vai em crescendo até um refrão onde Hetfield brilha.

Dotada de arranjos de guitarra e bateria subtis que dão uma força neste tema que tem o baixo bastante presente. O casamento entre a voz e a guitarra é giro, até porque Kirk volta a um tom que lhe é notoriamente mais confortável. Aqui, uma vez mais, o instrumental, apesar de ter algumas passagens interessantes, vem um pouco abaixo porque Hammett tende a abusar dos “wah-wah”. Até pode ser a forma que encontrou para disfarçar uma certa falta de profundidade nas notas mas, isto associado a todos uns sete minutos, acaba por se tornar algo chato.

Moth into Flame“, para mim o melhor dos três singles de avanço deste novo trabalho. Com um refrão à altura do auge dos seus grandes clássicos e um imediato que tinha vindo a ser perdido. Este tema está completamente embebido nos ingredientes secretos que deram origem aos Metallica: boas guitarras, riffs potentes e um groove sólido. Os versos são em crescendo e inclui um lead de guitarra de Kirk que serve muito bem de prequela a um dos refrões que já fizeram há bastante tempo.

Hetfield alterna entre o seu timbre rouco e a sua voz mais melódica muito bem e Hammett não complica muito a sua vida, apostando em arranjos simples mas bastante eficazes.

O tema que se segue traz-nos à memória “Load” e “Reload”. Ainda que mais semelhante a “Sad But True” (“Black Album” – 1991) ou “The Thing That Slhoud Not Be” (“Master of Puppets” – 1986), em “Dream no More” temos os Metallica a porem o pé no travão, a diminuir a velocidade e assim a apostar em sonoridades mais pesadas e clássicas, muito ao jeito de Black Sabbath ou até Led Zeppelin.

Este tema começa com uma sucessão de guitarras que cria desde logo uma atmosfera sombria e escura, com um refrão melódico que nos capta a atenção. Uma voz dobrada com bastante carácter, um tanto ou quanto arrojada para o pouco que os Metallica decidiram arriscar.

Halo On Fire” encerra o primeiro capítulo de “Hardwired… to Self-Destruct”. Aqui brincam com a sua velha fórmula de fazer música que se inicia como uma balada mas que depois sofre diversas transformações ao longo de todos uns oito minutos e pouco, para terminar como uma verdadeira chibatada. Ao contrário da faixa de abertura, esta é a canção mais longa do disco, tem boa dinâmica, com boas mudanças de ritmo e intensidade o que passa a ideia de uma banda que estava mesmo a esforçar-se musicalmente.

Até aqui o resultado é positivo e muito bem conseguido apesar da duração excessiva de algumas canções. No que diz respeito ao segundo capítulo de”Handwired… to Self-Destruct”, já não é bem assim. É um conjunto de “encher chouriços”, sem nada que justifique a duração dos temas mas vamos lá entrar nesta segunda parte do novo universo de Metallica.

Confusion” é a canção que mais se destaca deste segundo leque de seis temas. É bastante intensa mas não se perdia nada se se retirassem uns minutinhos apesar de ser ter um ritmo memorável. Robert Tujillo soa cada vez melhor a cada disco se bem que ser o baixista desta banda é um fardo a carregar ainda para mais na única canção onde os ex Suicidal Tendencies, Ozzy Osbourne entre outros, fizeram parte da composição deste tema.

Segue-se “ManUNKind” que começa também com uma linha de baixo bastante apelativa que raramente se ouvia. Este tema contém um dos riffs mais agressivos deste trabalho. É lento e deixa que Lars brinque um pouco e coloque diferentes variações por cima da mesma melodia nos mesmos tempos. Apesar de ter o cunho dos Metallica bastante explícito, é um tema que nos soa a algo fresco e distinto, com umas linhas de voz onde Hetfield se aventura por territórios novos mas que no final resulta em algo bom.

Esta canção poderia de facto ser melhor do que aquilo que é, ou não estivesse Kirk preso ao mesmo par de notas e isso acaba por prejudicar a parte instrumental. Não é preciso ser o melhor guitarrista do mundo para se ter mais criatividade, basta querer e trabalhar por isso mas parece que o senhor não estava muito afim.

Here Comes Revenge“, bem, pelo o título uma pessoa fica a pensar ” é desta vez que vai rebentar tudo”. Na verdade, recuperam o ritmo a tempo parcial e um ambiente a tender para o escuro e sinistro, onde são adicionados novos elementos e é onde a obra de Ulrich e Trujillo se destaca ao manter constante a tensão, abrindo caminho para o riff explosivo.

Esta é a parte mais pesada do álbum e por conseguinte a mais difícil, com temas como “Am I Savage?“, dotada de uma introdução com arpejos que acabam com uma bateria eletrética e destrutiva. Este é mais um exemplo onde parece que estamos perante um grupo de senhores que não conseguem desligar o piloto automático e navegam por mares arriscados. Contudo, este tema contém alguns riffs de guitarra interessantes no momento que antecede um refrão que não é mais do que um resumo mas que nos fica no ouvido.

A quinta canção do alinhamento deste segundo disco, “Murder One“, foi construída para homenagear Lemmy Kilmister (Motörhead). Contudo, fica um pouco aquém das expectativas. Aqui esperava-se que houvesse mais trabalho e mais empenho, que fosse produzido algo mais à altura do génio de “Ace of Spades”. O primeiro tema, “Hardwired”, seria mais digno de tal homenagem, até porque esta canção, apesar de ter um refrão cativante, soa-nos a algo de superficial, algo “só porque sim”.

Segue-se “Spit Out the Bone” que fecha este novo trabalho dos Metallica, traz-nos à memória “Kill Em All” e é um tema repleto de uma adrenalina que nos contagia durante os longos sete minutos. Aqui mostram-nos uns cinquentões que ainda respiram os seus vinte e poucos anos, quando construíam narrativas selvagens, energéticas. Oh “Black Album”, onde estás tu?

Olhando para ambas as partes de “Hardwired… to Self-Destruct” como um todo – como é suposto – é um trabalho notável, com um aumento a nível de produção. Mostra-nos que a voz de Hetfield nunca esteve em melhor forma ou não fosse ele uma das referências vocais no mundo do Metal. Contudo fica muito aquém das expectativas e deixa muito a desejar pelo facto das canções serem demasiado extensas sem qualquer necessidade.

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