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Matias Damásio veste Coliseu do Porto de África

Matias
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Depois de Lisboa foi a vez da Invicta se encher de ritmos quentes africanos, Matias Damásio passou pelo Coliseu do Porto este sábado, dia 20.

Matias Damásio, cantor africano que tem feito furor por onde passa, atuou este sábado perante um Coliseu do Porto bastante bem composto que se despiu de preconceitos e vestiu-se de África.

Depois de alguns minutos de atraso, as luzes do Coliseu do Porto apagaram-se, as cortinas abriram-se de desvendaram Matias Damásio e a sua banda. Depois de uma curta introdução, o espetáculo arrancou com “Vim Devolver”.

O cenário era simples: um palco cheio de músicos bem dispostos, um jogo de luzes de cores quentes, e uma placa com “Matias Damásio”. Sem grandes demoras ouviu-se “Porque” e eis que Matias Damásio se dirige pela primeira vez a nós. “Boa noite Porto! É um prazer muito, muito mas muito grande para mim estar aqui. É a minha estreia nesta sala”. No meio de aplausos e gritos de apreço, numa noite que se avizinhava quente e ritmada, o cantor diz-nos “Espero fazer desta uma noite memorável para todos nós. Divirtam-se!”.

Seguiu-se “Eis-me Aqui” e aqui pede-nos que levantemos os braços bem lá no alto e batamos palmas. O Coliseu não hesitou nem por um segundo e, sem demoras, cumpriu o que lhe havia sido pedido mesmo sendo este um concerto sentado.

Bandeiras e cachecóis de Angola estavam espalhados por toda a sala. Este que foi um país que albergou a guerra durante muitos anos, a qual obrigou o cantor a ir viver para uma outra cidade sozinho aos 12 anos porque o pai era militar. Matias recorda com tristeza tais tempos mas foram essas vivências que lhe deram a bagagem para escrever aquele que é considerado por muitos o hino de Angola, um tema com ao qual o país dá nome.

Se até então as pessoas tinham conseguido ficar coladas às cadeiras, com “Beijo Rainha” alguns corajosos levantaram-se e deram à anca ao som desta canção. Mais ou menos a meio, pergunta-nos se havia alguma “Carina” que queria dançar o Semba de Angola. E não é que havia mesmo? Primeiro uma jovem subiu ao palco e dançou com o angolano mas depois foi a vez de uma senhora, mais velha, acompanhar e mostrar os seus dotes de dançarina. Contudo, foi com “Matemática do Amor” que o Coliseu entrou no primeiro alvoroço. Vestidos de África, deixaram-se apoderar pelos ritmos quentes e acompanharam o cantor na voz formando um coro exímio ainda que meio acanhado. Para além de cantar, o que o povo mais queria mesmo era dançar. E assim foi.

Telemóveis e mais telemóveis, todos no ar para registar este momento, a letra estava na ponta da língua e as emoções estavam ao rubro mas mais ainda estava para vir.

Foram várias as mensagens que lhe foram enviadas para as suas redes sociais e pede desculpa por não se lembrar de todas mas realça que ele próprio as lê. De todas, saltou-lhe uma à vista: uma senhora a quem tinha sido diagnosticado um cancro e iria ser submetida a cirurgia. Não sabia se sobrevivia se não mas comprou os bilhetes em fevereiro. A verdade é que ainda cá está e subiu ao palco para levar duas beijocas de Matias Damásio ao mesmo tempo que o Coliseu se levantava em peso e aplaudiu de pé esta guerreira.

“O ritmo morre mas a poesia perdura”, e traz-nos “Meninos de Huambo”, um original de Paulo de Carvalho que levou o Coliseu, pela primeira vez, a cantar em uníssono ao lado de Matias.

Seguiu-se “Bomba” e com ele veio o primeiro convidado da noite: Calabeto. Ele que disse “Oh Matias, eu quero ir cantar para esse povo bonito do Porto”, estava ali à nossa frente e numa cumplicidade perfeita lá nos foram dando música até o protagonista ser surpreendido por Paula Homem que envergava o Disco de Ouro. Matias Damásio foi o primeiro artista que fez com que a Sony Music esperasse um ano para assinar contrato mas não há qualquer arrependimento da demora, os resultados estavam e estão à vista.

As emoções fortes não estavam guardadas só para nós, e em “Papa”, canção que dedica ao seu pai, muito em jeito de um pedido de perdão por ter sido injusto por não compreender o porquê de não ter uma vida melhor, de achar que o progenitor devia entregar-se mais ao trabalho quando na verdade já o fazia. Cantou e encantou toda a plateia, emocionou-se e dedicou-a a Raúl Damásio que estava na plateia a assistir ao espetáculo do seu filho.

A plateia estava rendida a este Tony Carreira angolano. De fato, de sorriso de orelha a orelha, acompanhado por 12 músicos, brindou-nos com “Loucos”. Como é que ficou o público? Exatamente, louco! Todos de pé a cantar e dançar, o Coliseu virou salão de baile em três tempos.

Outro tema que fez parte do alinhamento do concerto desta noite foi “Bouquet de Rosas”. Aqui, Matias Damásio desceu à plateia e pelas primeiras filas distribuiu rosas e recebeu ebijos, abraços e confissões ao ouvido das fãs mais ávidas. Laton, foi o segundo convidado de noite onde cantou lado de Matias “A Culpa É Dela”.

A primeira parte do espetáculo terminou com ” I Wanna Be Your Hero” e com todos a cantar novamente e a gravar a atuação com os telemóveis. Uma moda que infelizmente veio para ficar, onde as pessoas preferem assistir aos demais através de um minúsculo ecrã em vez de olharem para o cenário real.

Para o encore trouxe-nos novamente “Loucos” mas desta vez acompanhado por quatro meninas que cantaram ao lado do artista angolano. Despediu-se de nós com um “Muito obrigado Coliseu do Porto” e todos saíram de lá com o coração cheio depois de uma noite memorável como havia prometido logo no início.

Para acederes à galeria completa clica aqui.


Texto: Mónica Ferreira

Fotografias: Bruno Ferreira

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