Em tributo a Noémia Delgado , “Máscaras” é apresentado numa sessão organizada em colaboração com o São Luiz Teatro Municipal e o FIMFA Lx16 – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas, que decorre em Lisboa entre 5 e 22 de maio.

Noémia Delgado (1933-2016) acompanhou a última sessão de “Máscaras” na Cinemateca, em abril de 2014, no contexto de um Ciclo dedicado ao 25 de Abril (“25 de Abril, Sempre | Parte I. O Movimento das Coisas”). Anotadora e assistente de realização e montagem de uma série de cineastas do Cinema Novo Português, mas também de Manoel de Oliveira (“O Passado e o Presente”) ou Thomas Harlan (“Torre Bela”), Noémia Delgado assinou a realização de vários títulos, mas “Máscaras”, título de referência da filmografia portuguesa dos anos setenta, foi a sua única longa-metragem.

Noémia Delgado rodou “Máscaras” entre o Natal de 1974 e a quarta-feira de cinzas de 1975 em Varge, Grijó da Parada, Bemposta, Pondence, Rio de Onor e Bragança. Centrando-se nos caretos tradicionais de Trás-os-Montes, o filme regista os rituais seculares do “Ciclo de inverno”, associados ao solstício e à iniciação à idade adulta. Ao registar um conjunto de tradições, cujo significado e rigor na representação se estavam a diluir progressivamente no tempo, reencenando mesmo algumas delas, Noémia Delgado fará muito pela recuperação e revitalização dessas mesmas tradições das “terras de feição ainda arcaizante do Nordeste Trasmontano”, como introduz a voz de Alexandre O’Neill.

O FIMFA, que em edições anteriores tem apresentado filmes documentais que refletem a relação “entre a arte da marioneta e artistas de várias áreas, ou a relação entre a marioneta e o cinema”, mantém o propósito de revelar “o que de mais importante se tem realizado no campo das marionetas e formas animadas” e “continuar a ser um espaço de discussão, formação e de reflexão sobre o teatro de marionetas contemporâneo”.

“Máscaras” vai estar em exibição na Cinemateca Portuguesa, no próximo dia 16 de maio. A sessão tem início marcado para as 21h30, na Sala M. Félix Ribeiro.

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