Está aqui!
Home > Cultura > “Leituras no Mosteiro” abrem novo ano com a obra de Eugène Ionesco

“Leituras no Mosteiro” abrem novo ano com a obra de Eugène Ionesco

Leituras no Mosteiro
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someone

O texto escolhido para a primeira sessão de 2017 de “Leituras no Mosteiro” é “Rinoceronte” (1959) de Eugène Ionesco. O ciclo decorre no Mosteiro de São Bento da Vitória e tem entrada gratuita.

Eugène Ionesco foi um dos grandes renovadores do teatro ocidental no século XX, tendo desenvolvido um teatro de “paródia” onde ridicularizava as situações mais banais e retratava a solidão do ser humano e a sua insignificância. Agora, durante o primeiro trimestre de 2017, a obra do autor franco-romeno vai ser celebrada nas Leituras do Mosteiro, uma iniciativa promovida pelo Teatro Nacional São João (TNSJ). Rinoceronte (1959) é a primeira leitura informal e acontece na terça-feira, dia 17 de janeiro, no Centro de Documentação do TNSJ instalado no Mosteiro de São Bento da Vitória (MSBV), no Porto. O convidado da sessão é Júlio Gago, presidente da Assembleia Geral do Teatro Experimental do Porto, companhia que estreou esta obra em 1960 pelas mãos de António Pedro.

Rinoceronte conta-nos a história de uma cidade francesa em que todos os habitantes, de repente, se começam a transformar em rinocerontes numa espécie de metamorfose em massa. À exceção, claro, de Bérenger – personagem central descrita como agitada, paranoica e obsessiva e que é criticada por beber, estar sempre atrasada e ter um estilo de vida desleixado – que resiste a esta “rinocerite”. Esta obra, que chegou a ser incluída no estudo de Martin Esslin sobre o drama de vanguarda do pós-guerra, foi lida por muitos como uma crítica ao repentino surgimento do comunismo, fascismo e nazismo durante os eventos anteriores à Segunda Guerra Mundial.

Será a “rinocerite” uma “doença crónica” dos regimes totalitários ou uma metáfora do democrático conformismo contemporâneo? E Bérenger será um símbolo de resistência à desumanização ou o rosto amigável do monstro que habita em cada um de nós? Rinoceronte explora assim, ao longo de três atos, os temas da conformidade, mentalidade e movimentos em massa, filosofia e moralidade, apesar de Ionesco ter, com ironia e insolência, proposto uma leitura alternativa da obra: “Porque não tomar esta peça à letra, enquanto conto fantástico no qual se imaginariam cidades onde os homens se tornassem mesmo rinocerontes e não rinocerontes simbólicos?” A peça foi já alvo de inúmeras adaptações, tanto no teatro como no cinema, com Laurence Olivier, Michael Bates, Maggie Smith, Gene Wilder ou Benedict Cumberbatch nos papéis principais.

O ciclo dedicado a Eugène Ionesco continua com as leituras informais das peças curtas O Futuro está nos Ovos, O Mestre e A Menina Casadoira (1953), no dia 21 de fevereiro, e de Macbett (1972), no dia 21 de março. As Leituras no Mosteiro têm coordenação de Paula Braga e Nuno M Cardoso, acontecem sempre às 21h00 e têm entrada gratuita. A iniciativa é um ciclo de leituras informais que decorre num formato 3x3x3: à terceira terça-feira de cada mês do trimestre, o Centro de Documentação do TNSJ revisita a obra de um dramaturgo.

Comentários
Top

Este site utiliza cookies próprios e da Google para personalizar conteúdo e anúncios, funcionalidades de redes sociais e análise de tráfego. A informação contida nestes cookies pode ser partilhada com os nossos parceiros fornecedores das funcionalidades descritas atrás. Ao navegar neste site, estará a consentir a utilização destes cookies. Saiba mais sobre o uso de cookies.

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

X