22 anos depois da estreia de Jumanji, chegou às salas de cinemas portuguesas esta quinta-feira, dia 21, a revisita ao louco e fantástico universo.

Quando em 1981, Chris Van Allsburg publicou “Jumanji”, um livro para crianças recheado de fotografias de animais, provavelmente, não sonhava que, 36 anos depois, ainda ouviríamos falar do mais épico jogo de tabuleiro de sempre.

No entanto, esta nova longa-metragem não é um remake, não é um reboot, não é um desrespeito ao original… E, para grande surpresa, também não é uma completa desilusão. Consegue até arranjar tempo para homenagear alguns dos maiores êxitos do cinema adolescente.

O filme arranca com uma sequência simples: um jovem, que corre na praia, depara-se com a caixa de Jumanji. Ao chegar a casa, abre-a e desilude-se: um jogo de tabuleiro? Para quê? Depressa o põe de lado e regressa aos seus videojogos. Mais tarde, ao reabrir a caixa, o jogo é agora um cartucho que o jovem coloca na consola.

Jumanji

Anos depois, seguimos os passos de Spencer (Alex Wolff), um nerd com alergias. Ele faz os trabalhos de casa de um ENORME jogador de futebol: Fridge (Ser’Darius Turner) o atleta (jock). Martha, a jovem ruiva, que mergulha a cabeça nos livros e não percebe a importância das aulas de educação física, é a típica rapariga da porta ao lado (Morgan Turner) e, por fim, Bethany (Madison Iseman), a “abelha rainha”: a rapariga popular da escola que considera o telemóvel uma extensão do seu corpo. É este grupo de quatro acarinhados estereótipos que acompanhamos até ao castigo, bem ao estilo de The Breakfast Club. O mesmo grupo a quem é delegada a tarefa de arrumar a arrecadação da escola. É ao fazê-lo que se deparam com uma antiga consola, um cartucho e, convenientemente, uma empoeirada televisão. É a altura em que o quarteto decide aventurar-se. Literalmente.

A comédia consegue deixar intacta a memória do primeiro filme, guardar alguns truques na manga, uma mão cheia de piadas fáceis e, acima de tudo, um elenco que se apoia na comédia física e tem bastante química.

Depois de selecionadas as personagens, um a um, os quatro adolescentes são sugados pelo jogo e aterram numa luxuriosa selva. O twist é que cada um assumiu o físico dos seus avatares (Freaky Friday?). Spencer, o magrinho e nervoso adolescente, é agora um musculado e destemido explorador (Dwayne Johnson) ainda que mantenha a sua personalidade e alergias. Fridge, o outrora musculado e alto atleta, perde meio metro e transforma-se num atarracado zoólogo (Kevin Hart); Martha surge como uma verdadeira femme fatale, numa divertida dualidade entre a sua timidez e a sensualidade latente do seu avatar; e, finalmente, Bethany a loira mais popular da escola é agora um rechonchudo e barbudo cartógrafo (Jack Black).

E ainda que esta troca de corpos, traga muitas piadas consigo, a aventura que se desenrola em Jumanji obriga os quatro colegas a interagirem e a conhecerem-se. Também a trabalharem juntos para cumprir objetivos e desvendar enigmas – como em qualquer outro RPG do género. As pessoas com quem se cruzam, como o “prestável” Nigel (Rhys Darby), comportam-se como qualquer outro NPC (o que em português significa personagem não jogável). Isto resulta em algumas gargalhadas quando não é possível a uma destas personagens aventurar-se além do restrito guião.

Este novo episódio de “Jumanji”, pode não ser o melhor filme de sempre, mas justifica uma ida ao cinema com os mais novos ou o grupo de amigos gamers, servindo não só de uma introdução ao original como de uma divertida e leve tarde bem passada no cinema, durante as férias de Natal.


Texto: Raquel Cordeiro

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