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“Joanne”: Howdy Lady Gaga!

Joanne
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“Joanne”, lançado em outubro deste ano, é o quinto disco de estúdio de Lady Gaga e traz algumas surpresas. Um álbum mais intimista, uma espécie de alter-ego da artista musical estadunidense com alguns aspetos country mas que no fundo é um disco de pura pop.

Assim que olhamos para a capa de “Joanne” percebemos logo que algo novo está para vir. Uma imagem simples, minimalista, ao contrário das irreverentes que nos tem vindo a habituar, onde temos Lady Gaga de perfil com um grande chapéu. Algo “country” vem aí.

A faixa de abertura do disco é uma espécie de recuo no tempo, onde Lady Gaga recorda os primeiros anos da sua carreira. “Diamond Heart” abre logo a marcar a diferença: está limpa de sintetizadores ainda que a pop característica de Gaga esteja muito presente. É um tema bastante comedido, ponderado, não usa o seu aparelho vocal por forma a abafar a atmosfera envolvente.

Segue-se “A-Yo“, o segundo single extraído deste álbum. Uma canção bastante mais radiofónica que a anterior onde temos os sintetizadores substituídos por metais e até algum backing vocal. Agora é bastante claro que os sintetizadores foram postos de parte e temos uma Lady Gaga apoiada em bateria, guitarra e baixo.

Joanne“, a canção que empresta o título ao disco e que nos deixa boquiabertos. Com uma voz limpa a transparecer alguma fragilidade, instrumentalmente simples, com uma percussão subtil e um violão. Esta é a faixa mais pura e crua de todo este novo trabalho mas repleta de uma carga emocional muito grande, ou não falasse da morte da sua tia que sofria de Lúpus, tal como Gaga. Cada palavra é sentida e ela passa-nos esse sentimento de perda.

A quarta faixa do alinhamento do álbum, “John Wayne“, fala-nos do mítico cowboy, o ator John Wayne popularizado pelos filmes do faroeste que fazia. Aqui a batida tem maior relevância, a voz já é mais dotada de efeitos e é o mais diferente do que se ouviu até então. Uma canção dançável com grandes influências pop e rock e com grande potencial de se tornar o próximo single.

Dancin’in Circles“, com um toque de reggaeton, o registo vocal remete-nos para “The Fame”, o primeiro disco que Lady Gaga lançou. Com algumas referências sexuais de auto-satisfação, de cobiçar um homem que não lhe pertence, ao mesmo tempo que salienta que é bom estar sozinho.

A primeira amostra de “Joanne” foi “Perfect Ilusion” e foi o bastante para começar a dividir opiniões. Se uns adoraram, outros simplesmente odiaram. Um tema que se passeia entra a pop e o rock, que se apoia na repetição mas com uma voz mais limpa e um tanto ou quanto vulnerável como em outras faixas. Tal repetição é quase como uma espécie de masoquismo, de tentar interiorizar que o melhor é mesmo esquecer aquele amor porque, afinal de contas, nunca passou de uma “perfeita ilusão”.

Million Reasons“, outra canção com influências country mas que tem, novamente, a repetição como base tornando-a assim numa balada que nos soa familiar sem sequer a termos que ouvir em loop muito tempo. É um contraste direto com a “Joanne”. Esta é, quiçá, uma das melhores baladas da sua carreira.

Chega de influências country, está na altura de entrarmos mesmo no género musical e isso acontece com “Sinner’s Prayer”. Com uma linha de baixo que remete à pop e à veia de experimentação de Lady Gaga. Esta não é de todo a faixa mais cativante e poderosa do disco mas tem uma melodia que nos agarra facilmente. A junção da guitarra com o baixo logo no início mostra-nos que aqui o que tem mais importância é o instrumental e não a voz. Durante toda a canção Lady Gaga mantém o tom à exceção no final que aumenta um pouco o que proporciona um fecho perfeito.

Come to Mama“, aqui há uma tentativa explícita de se chegar o Jazz e com sucesso. Um tema bastante dançável, repleto de nostalgia, com a voz bem posicionada e que em momento algum se sobrepõe aos elementos envolventes. Contudo, não acompanha bem a onda deste disco e é, se calhar, uma das faixas mais “fora” do alinhamento inicial. O coro que acompanha Gaga, com o detalhe do saxofone atribui toda uma magia a este tema. A aceitação é o tema central desta canção e que pode muito bem ser dedicada à comunidade LGBT.

Segue-se “Hey Girl“, com a colaboração de Florence Welch (The Florence + The Machine), que nos traz a pop do grande Prince envolto numa letra feminista. Tem uma melodia que prima pela exploração de diferentes nuances agudas da voz de Gaga ao mesmo tempo que combina com a voz de Florence. Chegam a haver momentos em que as duas vozes são tão semelhantes que fica difícil distinguir qual é qual, originando assim uma fusão perfeita que vai de encontro com o que nos é cantado. Um verdadeiro dueto, onde duas mulheres juntam-se para pôr um ponto final na competição que existe entre elas e assim unirem-se num ambiente de sintetizadores e um apontamento leve de harpa.

As prioridades de hoje em dia é algo que causa alguma confusão e é sobre isso que “Angel Down” fala. As pessoas fecham-se cada vez mais nos seus mundos que nem se apercebem da “morte de um anjo”. Uma canção simples, com uma sonoridade que aposta em harpas e uma espécie de canto gregoriano ainda que meio distorcido, uma leve percussão e algumas cordas. A interpretação de Lady Gaga é irrepreensível, com ela a mostrar sem medo os seus dotes vocais. Este tema tem um “je ne sais quoi” de Lana Del Reu e Florence.

A versão deluxe inclui ainda mais três temas: “Grigio Girls“, “Just Another Day” e “Angel Down (Work Tape)“. Na primeira canção temos uma melodia tipicamente indie que nos fala de uma amiga que está com cancro e em fase terminal e tudo o que Gaga aprendeu com ela. O segundo tema, produzido por Mark Ronson, com um toque leve de Jazz, onde o piano, a guitarra e o trompete têm o maior destaque. Já a última canção é uma espécie de remake da “Angel Down” mas desta vez fora produzida em apenas um take, onde Gaga é acompanhada de piano e violão.

“Joanne” é um disco mais pensado, menos apoiado na pop fácil e imediata, mais clean, com um toque de Country. Continua com a pop dançante misturada com um cheirinho de rock, com letras mais intimistas, sobre relações amorosas, perdas, aborda o feminismo e a aceitação.

À primeira vista, este álbum não nos cai bem muito por causa que não era disto que estávamos à espera e porque não pode (ou não deve) ser ouvido de uma vez só, todo seguido. Há um tema para cada estado espírito e é assim que deve ser ouvido. Resumindo: Parabéns Lady Gaga, este cativou.

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