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James Blake: “The Colour in Anything” mexe e remexe

James Blake
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James Blake lançou “The Colour in Anything”, o seu terceiro disco de estúdio, no início do mês de maio e aquilo que antevia ser mais do mesmo, surpreendeu tudo e todos mas pela positiva.

Antes de nos lançarmos na sonoridade do disco, há que focar na capa: tons cinza, uma mulher nua quase que incorporada numa árvore. Só aqui já nos dá a entender que vamos estar perante o fim de um relacionamento ou um amor não correspondido.

“The Colour in Anything” abre com “Radio Silence“, um tema que já nos é bastante conhecido até porque tem feito parte do alinhamento dos concertos de James Blake, como por exemplo na edição passada do NOS Alive. Aqui, já conseguimos antever que este será um disco para ser, mais do que ouvido, sentido. O som melódico do piano, aliado aos sons eletrónicos sintetizados, fazem deste tema um bom cartão de boas-vindas deste disco.

É em “Points” que nos começamos a perceber que o coração de James está partido que não saiu vitorioso na guerra do amor. É a partir daqui que as canções começam a seguir uma linha, a traçar um percurso de amor/superação.

Love me in Whatever Way” anuncia-se de forma calma durante mais de metade, até que a certa altura Blake eleva a fasquia e o som de fundo dos sintetizadores ganha vida. O tema ganha vida e do nada estamos à beira mar a ver a vida passar-nos à frente ainda que de olhos fechados e com a batida a percorrer-nos o corpo.

A quarta canção deste álbum, “Timeless“, traz-nos uma melodia mais obscura e escura, onde o brincar com o som eletrónico avisa-nos do aumento exponencial de tensão, de nervos, que tornam estes quatro minutos e vinte e dois segundos longos demais, acabando por nos deixar numa espécie de sufoco em buscar de uma salvação. Segue-se “F.O.R.E.V.E.R.” que se desprende da linha traçada por Blake até então, deixando as misturas e as experiências eletrónicas de lado, acompanhando-se apenas do piano.

Put That Away and Talk to Me“, o tema mais “sonhador” deste disco. Os sons remetem-nos para fantasia contrastando com a mensagem que nos passa, de desejo e anseio mas também de tristeza como podemos denotar na voz de Blake.

Segue-se “Choose Me” onde, mais descaradamente, James mostra o seu desespero, a sua ânsia de ser amado por aquela pessoa, quase que implorando para ser o único amor de alguém que parece não estar muito para aí virada.

I Need a Forest Fire“, com Justin Vernon dos Bon Iver é talvez um dos melhores temas deste trabalho e merece andar no carro, no telemóvel, no iPod, no que quiserem, mas merece andar connosco. Parece um coelho saído de uma cartola esta conjugação de vozes nesta canção, onde o abuso de falsetes se intrínseca em nós ao mesmo tempo que nos faz deixar levar pela batida leve e soberba.

Tal como em “F.O.R.E.V.E.R”, em “The Colour in Anything“, canção que empresta título ao disco, torna a ser evidente a facilidade que James Blake tem em fazer música com musicalidade simples, a brotar sentimento, desprendendo-nos da eletrónica evidente até então.

Modern Soul“, foi o primeiro tema a ser revelado, aquele que estará certamente na cabeça dos fãs com mais facilidade por isso mesmo. Aqui temos uma afirmação de um novo James Blake onde somos brindados com novas sonoridades, mais sons eletrónicos que mostra o lado mais experimental deste disco.

Always” é a canção mais pop do álbum onde notamos uma certa angústia na voz do inglês, dando uma espécie de reviravolta quer nas canções quer no estado de espírito.

Meet You in the Maze” é a verdadeira despedida. Uma sobreposição de vozes acapella, que nos traz de assalto a memória “Mesurements”, onde os versos estão separados por minúsculos segundos de silêncio que nos fazem mesmo pensar num “adeus”.

Em “The Colour in Anything” James Blake brinca, tal como nos discos anteriores, com loops, synths, baterias eletrónicas mas introduz o R&B e Soul numa mistura que resulta numa experiência nada descuidada, com escolhas delicadas e inteligentes com aquele toque suave que a sua voz e o piano traz. Um risco experimental muito bem sucedido.

São 80 minutos, 17 canções a contar uma história, envoltas numa melancolia e tristeza que nos fazem entrar numa espécie de estado depressivo mas repleto de sentimento. Este terceiro disco foi feito, sem dúvida, para ser sentido mas não cansativo.

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