–  3.5

Shawn Mendes, de 18 anos, lançou no passado mês de setembro “Illuminate”, o seu segundo disco de originais. Quase um ano e meio depois de “Handwritten”, o cantautor mostra maturidade e evolução musical no novo disco.

Exatamente 17 meses depois de ter lançado o seu disco de estreia, “Handwritten”, Shawn Mendes lançou “Illuminate”, o seu segundo trabalho de originais onde a guitarra e a sua voz são os elementos de maior destaque. Repleto de batidas fortes, este é um trabalho diferente daquele com que se lançou onde é revelada uma maturidade que não seria esperada tão cedo. O jovem tornou-se um fenómeno pop depois de ter sido descoberto no mundo cibernético e hoje em dia conta com uma legião de fãs bastante considerável ou não tivesse tido a digressão de 2015 completamente esgotada.

Ruin” abre o disco e desde logo nos apercebemos que algo de novo vem aí. Inicia-se de forma calma, evoluindo para batidas cruas e potentes, com uma segurança vocal bastante notória e é a maior surpresa do álbum todo. É este tema que mostra bem o porquê de ter deixado uma marca no mundo da música. Este tema traz-nos à memória John Mayer, com um toque rock e letras fortes.

Ao segundo tema, percebemos que Shawn Mendes quer explodir. Se em momentos de “Mercy” o temos calmo e reticente noutras descontrola-se e não guarda as palavras, expressando-se que através da voz, da bateria – que dá grande ênfase a uma espécie de agonia romântica do implorar por misericórdia.

O primeiro single conhecido de “Illuminate” foi exatamente a terceira canção deste disco – “Treat You Better“. Se até então com maturidade musical, através do vídeo deste tema, que complementa visualmente o que não nos é dito, temos um jovem de 18 anos consciente da violência doméstica e de uma suposta dualidade amor/violência sentida pela grande maioria das vítimas. Contudo, este é o tema que menos (ou nada) traga de novo. Bastante semelhante melodicamente a outros temas de “Handwitten” o que nos leva a pensar se Shawn está assim tão seguro da posição que quer ter ou reticente quanto à aceitação do novo conceito deste álbum.

Em “Three Empty Words” volta a relembrar-nos porque é que chegou onde chegou em velocidade cruzeiro. Se a canção anterior era “mais do mesmo”, esta balada dá destaque à voz calma e à guitarra. Um tema minimalista, simples, onde deixa a sua voz brilhar enquanto nos fala sobre a separação de um casal.

Continuando no mesmo registo calmo e sereno, temos a “Don’t Be a Fool“. Uma declaração de amor direta, a transmitir segurança à pessoa amada, para acreditar neste amor. Aqui o destaque continua na voz e na guitarra, com a percussão a dar um certo glamour, envolvendo as suas palavras em amor.

Like This“, é uma das canções de “Illuminate” mais fortes vocalmente. Com o foco principal na guitarra, um tema à base de piano, o toque de Gospel expõe uma carga emocional maior que complementa as palavras de Mendes.

Shawn traz-nos um “cheirinho” de R&B com “No Promisses“. Este é o ponto de viragem do disco com um toque subtil de elementos de produção eletrónicos e hip hop.

Se até então os lamentos e os desamores são o centro das atenções, em “Lights On“, o cantautor filho de pai português “leva-nos” diretamente para o quarto. Um ambiente envolto em amor, paixão, com as emoções à flor da pele com os ânimos a aquecerem com as lembranças que lhe assaltam à memória dos momentos mais íntimos no meio dos lençóis. A combinação do suave toque de guitarra, da bateria, do coro e o facto de a voz de Shawn não ser o elemento de mais destaque, trazem uma lufada de ar fresco ao disco.

Em “Honest“, o falsete exímio do jovem músico é exibido, ao mesmo tempo que se mistura com uma percussão bastante suave e uma linha de guitarra funk. Este tema está de mãos dadas com a canção seguinte: “Patiente“. Se numa está a ser honesto sobre o quanto não aguenta estar mais com essa pessoa, noutra apercebemo-nos da frustração de Mendes por esta rapariga estar a brincar com os seus sentimentos.

Hoje em dia, a internet veio facilitar a troca de informações entre pessoas e por vezes essa troca não é feita da melhor forma ou com os melhores conteúdos. “Bad Reputation” fala-nos de uma rapariga que foi vítima de bullying devido a más decisões que tomou, ficando assim com uma má reputação. Shawn sabe bem o público que o segue e este tema não deixa de ser um alerta para as suas fãs para calcularem bem o que fazem porque nem tudo o que parece é e a reputação é algo difícil de manter ou de “limpar”.

Se “Illuminate” começou em “ruínas”, acaba com “Understand“, o tema mais longo do disco inteiro. O querer perceber de que a vida não é tão simples e fácil como se pensa mas sim um puzzle com mil e uma peças, complexo e interminável. Os momentos falados da canção, traduzem-se num monólogo um pouco extenso que nos faz perder um pouco a linha de pensamentos, com o discurso motivacional quase como Gustavo Santos.

As canções “Like This” e “Understand”, à base de piano, com o balanço de “Mercy” e o começo explosivo de “Ruin”, fazem de “Illuminate” um ponto de viragem na carreira de Shawn Mendes ao mesmo tempo que equilibram o disco não o fazendo soar sempre ao mesmo de cada vez que é ouvido. Apesar de já ter deixado uma marca no panorama musical, ainda não está à altura de John Mayer e Jason Mraz mas para lá caminha.

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