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Green Day: “Revolution Radio” aka evolução ou estagnação?

Revolution Radio
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Depois de um interregno de quatro anos, os Green Day estão de volta com “Revolution Radio”. Este disco foi produzido pela própria banda e traz 12 novas faixas que apontavam ser um regresso às suas raízes, uma coisa que deveria agradar os fãs.

O novo disco dos Green Day, “Revolution Radio” foi lançado no início do mês de outubro e afinal de contas não trouxe assim tantas surpresas quanto se esperava. Um total de 12 novos temas que pouco ou nada traz de novo e mostra-nos um Billie Armstrong pouco confiante.

Somewhere Now” é o tema que abre este novo trabalho e começa com um arpeggio de guitarra onde temos Armstrong num registo vocal calmo, equilibrado e nada explosivo. Contudo, ao fim de pouco mais de um minuto, há uma reviravolta e as sonoridades punk-rock começam a dar sinais de vida.

Esta é a primeira faixa de todos os discos que já lançaram que evolui de um ambiente acústico e suave para uma explosão de rock. A voz é mais anasalada, não tão forte como habitual, e é assim que se mantém em todos os temas mas, no seu todo, está bem conseguida desde os arranjos de guitarra ao coro crescente.

Um dos primeiros singles apresentados foi extamente “Bang Bang” e é aqui que nos começam a desvendar o seu espírito mais punk, muito ao jeito de The Clash ou até Sex Pistols, com uma produção moderna que dá prioridade às guitarras. Se com o primeiro tema ainda ficamos com esperanças de que este trabalho seja um marco na carreira dos Green Day, aqui já nos apercebemos que afinal podemos estar numa espécie de viagem ao passado, o que até pode não ser mau de todo.

Com um refrão com o cunho dos Green Day bem explícito, que depressa nos fica no ouvido, esta canção vai buscar o título a um protesto que houve em Nova Iorque (“Black Lives Matter”), onde o vocalista abandonou o seu carro para se juntar aos manifestantes. Ainda assim, nada nos remete para este tema para além do título, isto porque até porque a letra é uma manifestação dos típicos ativistas (“Give me cherry bombs and gasoline/Legalize the truth”) e é, quiçá, um dos temas mais promissores deste álbum no que diz a hits de rádio e afins.

Revolution Radio“empresta o título ao disco e representa-o muito bem ao mesmo tempo que o define na perfeição – um regresso às origens. Billie Armstrong começa a cantar e desde logo se percebe que estamos perante o típico punk comercial que raramente foge a aquilo a que os Green Day já nos habituaram.

Na canção que se segue, optaram por um ritmo mais ao estilo de Muse. Em “Say Goodbye” as linhas de voz são-nos muito familiares e aqui os músicos americanos não se empenharam por complicar a letra jogando assim pelo seguro apostando em algo mais previsível mas não menos eficaz. “Outlaws” arranca com um solo de baixo, tem arranjos de piano e voz bastante agradáveis e está embebida em nostalgia. Ela alterna entre acordes maiores e menores enquanto que Billie apelida a sua adolescência de “criminal in bloom”. Desde logo que se transforma na típica balada punk com um toque de rock mas demasiado extensa.

Boucing Off the Wall“, tem um toque mais grunge que em alguns momentos nos traz à memória Nirvana mas que acaba por derivar no típico punk rock que até não será de estranhar se alguma vez vier a fazer parte integrante da banda sonora de um filme americano sobre adolescentes. Se até então estávamos à espera de algo novo, a partir daqui já não vale a pena. São os Green Day puros e crus. Estamos já tanto habituados a este género punk que já conseguimos prever o que vem a seguir.

No tema que se segue, “Still Breathing“, em termos melódicos é a mais bem sucedida de todo o disco, ou não fosse a que tivesse a letra mais convincente. A mudança de verso para coro é emocionante, ainda que muito restrita aos modelos tradicionais da pop-punk.

Youngblood“, pois bem, querem mudar? Uma ode aos mais jovens, um punk rock comum mas aqui já nos cheira a algo novo, ou pelo menos a tentativa disso mesmo nos curtos dois minutos e pouco. Não tarda nada estará em loop nas rádios.

Segue-se “Too Dumb to Die“, com uma espécie de guitarra vintage, uma voz de fundo abafada e uns versos melódicos que até nos cativam e nos fazem focar na letra.

Parece que os Green Day querem apostar em algo mais calmo em trabalhos futuros e utilizaram este álbum para experimentarem aos poucos e poucos e não chocar os fãs. Em “Troubled Times” há uma crítica à sociedade, cantada num tom mais sério e seguro do que o resto do disco. O refrão é cativante e muito simples, não vivendo de adornos para dar sentido às palavras.

Forever Now” é o tema mais longo deste novo trabalho. Quase sete minutos mas que resume o disco, que junta os melhores momentos, com bons riffs, que torna a afirmar a superestrutura em que estavam assentes os grandes clássicos dos músicos americanos. Porque é que nos restantes temas não foi assim?

O álbum termina com uma balada composta por guitarra acústica e voz. “Ordinary World” prima por bons arranjos de guitarra elétrica, algo que se distancia e bastante do punk ou do rock mas que até não soa mal e nos deixa curiosos quanto ao futuro dos Green Day.

Em “Revolution Radio”, aquela estrutura de “American Idiot” perdeu-se, já não há aquela abordagem de contar histórias em jeito de alerta e quase que parece que os Green Day não se empenharam em construir algo novo mas sim em manter o seu legado e jogar pelo seguro. Um disco direcionado para os mais jovens, o que mostra que os músicos americanos conhecem bem o público que têm e são a eles que querem agradar. Não será um disco que entrará para a história do rock, o que não quer dizer que seja mau até porque a música serve também para marcar a vida das pessoas e não só a história da música.

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