Gal Costa esteve domingo, dia 12, no Coliseu do Porto para um espetáculo que comemora os seus 50 anos de carreira. O alinhamento repleto de êxitos e a sala Portuense quase cheia foram a combinação perfeita para uma noite encantadora.

Tal como o Vinho do Porto, Gal Costa mostrou, mais uma vez, que os seus 72 anos são apenas números para aquela que é a sua presença em palco. Unicamente com o músico Guilherme Monteiro a acompanhá-la, Gal Costa impressionou o Coliseu com a sua voz firme que enche qualquer teatro.

“Cara e Bocas” deu início ao espetáculo mas foi “Minha Voz, Minha Vida” a primeira canção a arrancar aplausos efusivos do público. A artista não precisou de grandes palavras durante o espetáculo porque os seus êxitos falavam por si.

O Músico Guilherme Monteiro foi alternando entre viola e guitarra elétrica durante toda a noite e mostrou estar à altura da exigência de acompanhar uma artista com 50 anos de estrada. “Esta parceria nasceu muito naturalmente (…) foi como deitar numa cama” – Gal Costa contou a história de como conheceu o músico e arrancou várias gargalhadas à plateia.

Foi com a guitarra elétrica que se ouviu a emblemática “Vaca Profana”, canção escrita por Caetano Veloso em 1986. Mas foi com ao som do “violão” que a artista entoou as conhecidas “Sua Estupidez” e “Coração Vagabundo”, ambas cantadas pelo público e muito aplaudidas.

“Este tema foi da fase tropicalista da minha carreira” – “Negro Amor” data dos anos 70 e é um tema original de Bob Dylan (It’s All Over Now, Baby Blue) que Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti traduziram para Português. Uma canção de protesto e crítica à sociedade americana.

“Portugal, que terra bonita vocês têm. Lisboa é linda, o Porto então..” – A artista mostrou gostar muito de Portugal e confessou que Amália Rodrigues é a sua grande Deusa, “Uma das maiores artistas que o mundo já viu”. A noite continuou com Gal Costa a acompanhar a guitarra elétrica com uma pandeireta nos temas “Tigresa” e “Tuareg”. Esta última, da fase mais radical na sua era Tropicalista.

Já na reta final, a artista cantou “Você Não Entende Nada” e o público passou com excelência quando foi testada a sua afinação. “O Meu Nome É Gal” encerrou o tempo regulamentar do espetáculo mas muita música ainda estava por vir.

“Modinha Pra Gabriela” marcou o início do Encore e a volta da artista ao palco. O tema emblemático composto por Dorival Caymmi em 1975 ficou imortalizado na voz de Gal Costa. Seguiu-se “Dia De Domingo” e novamente uma saída da cantora de palco.

Mas o público queria mais e Gal Costa regressou para cantar “Índia” e brindar a plateia com “Uma Casa Portuguesa” de Amália Rodrigues. Um dos momentos mais emocionantes e arrepiantes da noite com o público a cantar o fado de 1953.

A cantora brasileira volta a sair do palco e, quando muitos pensavam que seria o fim do concerto, Gal Costa reaparece para encerrar verdadeiramente o espetáculo. “Meu Bem, Meu Mal” e “Força Estranha” já não estavam no alinhamento mas foram as responsáveis por fechar a noite.

“Por isso eu canto/ Por isso não posso parar/ Por isso esta voz tamanha” – A letra de “Força Estranha” do ano 1979 mostrou estar cada vez mais atual. Gal Costa não deve parar de cantar porque aquilo que faz com 72 anos é absolutamente fantástico.

Terminou assim a última de três noites em Portugal. Gal Costa encantou o Porto e o Porto aplaudiu-a de pé.

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Texto: Daniela Fonseca
Fotografias: Bruno Ferreira

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